Tiros no helicóptero da Rede Globo.
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 25/01/2011 às 12h35
As fotos divulgadas pela própria Rede Globo mostram o estrago no helicóptero alvejado por bandidos. Na primeira delas o tiro que foi "certeiro" no cabo do rotor da aeronave. Esse cabo é que faz aquela pequena hélice no final da fuselagem girar, dando estabilidade em vôo. Sem essa hélice o helicóptero simplesmente giraria em torno do seu próprio eixo. Na segunda foto a fuselagem danificada pelos tiros.
Essas intrépidas máquinas voadoras as vezes reservam estas surpresas. Antes de qualquer lei que postule a disputa entre emissoras em busca de audiência, existe uma lei decifrada nos primórdios da física por Isaac Newton: a Lei da Gravidade. Tudo o que sobe, inevitavelmente desce.
Nenhuma emissora de televisão ou de rádio que tenha um destes aparelhos sobrevoando a cidade está livre de riscos. Em fevereiro de 2010 a Record sentiu isso na pele. A aeronave da emissora, de última geração tecnológica, fez um pouso forçado no Jockey Clube de São Paulo. O piloto, Rafael Delgado Sobrinho, de 45 anos, morreu e o cinegrafista Alexandre "Borracha" foi levado em estado grave ao hospital onde passou vários dias em coma.
Nesta segunda-feira a história se repetiu: mesmo em outra cidade e em outra situação, o susto foi o mesmo. A aeronave da Globo sobrevoava o Complexo do São Carlos, região central do Rio de Janeiro, quando foi atingida por tiros durante uma operação policial. Traficantes fizeram o que já tinham tentado antes, inclusive com nosso helicóptero carioca: abater os aparelhos que gravam a atuação da polícia. Aliás, se formos falar de problemas com helicópteros no Rio envolvendo o tráfico de drogas, não poderíamos deixar de lembrar o caso do helicóptero da PM que caiu - em um acidente bem mais trágico - em uma operação no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, em outubro de 2009. Ou seja, bandido atirando em helicóptero, seja ele de quem for, não é nada novo para o carioca. Já ouvi relatos de empresários, que usam "hélices" para trabalhar, contando que evitam voar em dias de operações policias...

Acidente com helicóptero da Record em fevereiro de 2009. Piloto morto e cinegrafista ferido. / Foto: Terra.
Mas voltando ao caso das aeronaves de TV, me lembro bem que a grande inquietação dos colegas na época - fevereiro de 2009 - era saber como a Globo abordaria a queda do helicóptero da Record, a principal concorrente. Hoje a história foi parecida: logo nas primeiras horas da manhã já soube por "coleguinhas" que a mesma inquietação rondava os corredores e a redação da emissora do Jardim Botânico.
A Rede Globo não teve nenhuma surpresa. Em todo momento nosso jornalismo se mostrou solidário e correto. Foi inclusive o comandante do helicóptero da Record que, pelo rádio, orientou o piloto global a fazer todo procedimento de descida brusca em caso de emergência. "Eu sugeri que ele desligasse o motor e fizesse a descida em situação de pane." - disse o comandante Ricardo Malaguti, quando eu o entrevistava no "Hoje em Dia - Rio" desta segunda-feira. Pouca gente sabe - e pode soar estranho aos desavisados - mas um helicóptero consegue fazer um pouso deste tipo, mesmo sem motor.
A postura da Rede Globo foi correta quando a pimenta "foi no olho dos outros" no ano passado. Não teria porque a Record agir diferente agora. Ouvi gente graúda no jornalismo cogitando - desde o problema de 2010 - a possibilidade de uma "casa" tentar arranhar a credibilidade da outra em segurança de vôo, manutenção de aeronave ou perícia dos pilotos. Pura especulação. É claro que, nos dois casos, as duas emissoras deitaram e rolaram em cima das imagens exclusivas. Afinal de contas foi o helicóptero da Globo que filmou a queda do helicóptero da Record em São Paulo; e o da Record que registou o mesmo acontecendo com o da Globo no Rio!
A ética e a solidariedade prevalesceram. Isso mostra o que eu já havia observado há algum tempo: trabalhamos em emissoras diferentes, buscamos coisas iguais, mas somos "um só" quando estamos nas alturas, sustentados não pelos números do Ibope, mas sim por hélices. Equipamentos que, assim como nós, também podem falhar seja por que motivo for.
Nessa hora é bonito de ver: não tem emissora "A", "B" ou "C". Quem comanda essas máquinas malucas e voadoras ainda é gente como a gente.











