Maconha líquida… com gás?
O ouro negro naquela época não era necessariamente o petróleo, motivo de dispoutas internacionais. No Brasil a famosa Coca-Cola era uma novidade recém desembarcada. Na década de sessenta, minha mãe conta que era festa “importar” o refrigerante do Rio de Janeiro para Vitória, no Espírito Santo. Tudo era muito caro e vindo dos Estados Unidos. Isso até a empresa montar sua primeira fábrica no Brasil. A coqueluche era a informação - nada confirmada na época - de que o refrigerante tinha porções, mesmo que mínimas, de cocaína.
O novo burburinho - que já vira objeto de interesse de importação de muitos brasileiros - é uma nova bebida que segue a mesma linha de polêmica, só que um pouco mais de “tempero”. O tempero, nesse caso, se chama Cannabis.
A bebida tem o nome de "Canna Cola". Ela estará nas prateleiras do estado americano de Colorado no mês que vem. O principal ingrediente psicoativo da cannabis, não precisa nem dizer, estará lá: o THC. Cada garrafa vai custar caro, entre 10 e 15 dólares. Atualmente em 15 estados americanos o chamado “baseado” é permitido. Mas não é festa não: só vale para fins medicinais. Só que mesmo quem acredita que faz isso com propósito de alívio de dor, por exemplo, precisa ficar atento. Essa suposta “legalidade” muda de um lugar para o outro no país e, a maconha, independentemente do propósito, continua sendo ilegal pelas leis federais do país. Não precisa nem lembrar que no Brasil também.
Apologia? - A nova bedida seria uma forma de apologia ao uso de drogas? O jornal Folha de São Paulo reservou, esta semana, um bom espaço para debater o tema. O criador do "Canna Cola"jura de "pés-juntos” que nunca fumou maconha. O empresário diz que elaborou a bebida porque acredita na liberdade de escolha de cada um. “Acredito que os adultos têm o direito de pensar, comer, fumar, ingerir ou vestir o que quiserem." - afirma Clay Butler.
Na minha opinião, o problema é outro: ele só esquece de dizer que no próprio país de origem da bebida - os Estados Unidos - já há projetos de lei, em tramitação, para considerar crime a prática de diluir qualquer tipo de droga em qualquer tipo de alimento, principalmente os adocicados, que tanto chamam a atenção das crianças.
Tem maconha mesmo? - Certa vez, em férias no bairro de Camden Town, em Londres, me impressionei ao me deparar com “pirulitos de maconha”. Motivo de muita polêmica eles eram vendidos no meio da rua. Seria apologia as drogas ou simples tacada comercial? Ao conversar rapidamente com colegas locais, descobri que a venda não era proibida. Havia sim o sabor da folha da tal planta polêmica, mas não havia nenhum teor de THC na guloseima.
Na bebida feita na terra do Tio Sam, a história é diferente: os níveis da substância estão sim na fórmula da "Canna Cola" mas, garantem os fabricantes, serão baixos. Quanto? entre 35 e 65 miligramas de THC. O fabricante garante que o efeito no organismo será similar, quando muito, ao de uma "cerveja suave". Será?










