O herói que veio da favela.

31
jan
12h18

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 01/02/2010 às 12h47

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Outro exemplo da "banalização nossa de cada dia" citada na postagem original:  já parou para pensar que já achamos mais comum instalar "sirenes" para alertar sobre chuvas fortes em áreas de risco, do que necessariamente fazer a transferência dessas comunidades? O Morro dos Macacos foi uma das últimas comunidades a receber esse "aviso sonoro".

Claro que não podemos ser demagogos: sei que comunidades desta proporção não podem ser 100% transferidas do dia para a noite ou sequer em algum momento futuro. Mas o perigo maior não é a chuva. É o "mau-hábito" que essas sirenes criam. Incosnscientemente  sendimenta-se a mentalidade do "pode cosntruir que se for cair a sirene avisa". A minha conclusão é baseada no que já escutei de moradores de comunidades "de sirene", como já são chamadas. Pode pesquisar: o aluguel já subiu, em áreas de risco, exatamente sob esse argumento.

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Instalação de sirenes em comunidades: banalização do risco de deslizamentos? / Foto: R7.

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POSTAGEM ORIGINAL:

Não foi só no filme “Trapa de Elite” que o Rio de Janeiro ganhou seu primeiro super-herói. O Capitão Nascimento da ficção também encontra seus “pares” na vida real e onde menos se imagina. O capitão da Polícia Militar, Bruno Xavier, é um exemplo desses personagens anônimos garimpados dentro da própria corporação. 

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Capitão Nascimento: herói das telas "simplesmente" por ser honesto. / Foto: divulgação.

Bruno Xavier é o comandante da nova Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro São João, inaugurada hoje. Pode-se dizer, sem medo de errar, que o Capitão Xavier conhece a área como ninguém. Morador da localidade por quase dez anos, Bruno ainda é da época em que não se podia voltar à favela de farda. Viu muita coisa errada acontecer por ali. O uniforme da PM sempre voltava dentro da mochila, sacola ou saco plástico. Hoje é com a farda, na frente da corporação e para todo mundo que mora no morro ver, que ele vai liderar a luta contra o tráfico. 

Na entrevista com o comandante Xavier - vamos chamá-lo assim agora - pude perceber na voz o orgulho. Ele conversou por telefone durante o “Hoje em Dia - Rio” desta segunda-feira. Mas não é um orgulho simplesmente por ser “chefe”. A satisfação é liderar a polícia onde ele mesmo sentia a falta dela! Um local que foi se degradando por causa da ação do crime organização em lutas e disputas constantes, principalmente pelo comando da localidade vizinha: o Morro dos Macacos.

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Capitão Bruno Xavier: honestidade e talento no "quintal de casa". / Foto: R7.

Fiz um questionamento que poderia ser desconsertante: se o fato de ser um antigo conhecido da comunidade ajuda ou atrapalha. Será que o fato do capitão ter intimidade demais com o morro não faz traficante pensar que a polícia vai ser mais conivente? A resposta foi não e o comandante Bruno não mentiu. Foi a conduta correta, sempre com referênciais de honestidade e retidão, que fizeram o cargo lhe ser entregue. Uma espécie de “prêmio” pessoal e profissional para ajudar agora o pessoal do morro, seus antigos vizinhos.

 A história do “capitão-comandante” Bruno Xavier me fez começar a semana com uma reflexão. Sem tirar em nenhum minuto o mérito que a indicação para o cargo carrega, percebi o quanto "mitificamos" histórias que deveriam ser das mais corriqueiras: um capitão que viveu na favela se tornar comandante dela! No Rio de Janeiro isso vira destaque porque policial 100% honesto e habilitado para cargos assim ainda não é uma equação tão elementar como 2 + 2 = 4. É a “banalização nossa de cada dia” que faz vermos, nesses casos, verdadeiras “exceções” à imagem degradada que a Polícia Militar tem e que, aos poucos, tenta rever no Rio de Janeiro. São heróis anônimos que ganham notoriedade simplesmente por fazerem o básico:  o que tem que ser feito e do jeito que deve ser feito.

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Alto do Morro São João: onde antes era mirante do tráfico agora ponto de observação da PM. / Foto: Jornal "O Dia".

Para o São João nasceu um novo “capitão Nascimento” tal e qual nos filmes. Um cidadão urbano, metropolitano e ex-morador de favela que, sem tanta pompa de ator de longa-metragem, agora é herói pelo básico: ser incorruptível como todo mundo que veste a mesma farda deveria ser.

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