Jogo do bicho: você sabe como nasceu?
Galo, Avestruz, Águia, Burro, Borboleta, Cabra, Cachorro. Para entender a origem desse jogo e sua dança numérica em torno de 25 animais é preciso voltar no tempo. A história do jogo do bicho é no mínimo curiosa. Independentemente de qualquer juízo de legalidade ou não, uma coisa é certa: quem criou o famoso jogo dificilmente imaginaria a proporção que a brincadeira tomaria mais de um século depois. O jogo do bicho é uma bolsa de apostas inventada em 1892 pelo barão João Batista Vianna Drumond, fundador e então proprietário do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro, que ficava em Vila Isabel.
O comércio não vivia suas melhores fases nesta época. Para estimular as vendas, era muito comum que comerciantes fizessem sorteio de brindes. O Barão Drumond, como era conhecido, resolveu usar a mesma fórmula para fazer o número de visitas ao zoo crescer. A cada dia era sorteado um animal, que tinha seu nome escrito em uma placa nas primeiras horas da manhã. O visitante que tivesse em seu ticket o "bicho" alí marcado ganhava o prêmio no meio da tarde. A partir daí, as placas foram associadas a séries numéricas e o jogo passou a ser praticado largamente. Simples no começo, a bicharada se reproduziu: o jogo do bicho multiplicou-se pelo território brasileiro. ![]() Boleto de aposta: tudo feito à mão, sem registro em computadores, sem deixar pistas. / Foto: internet. Não vou discorrer aqui sobre como funciona exatamente o processo de registro de apostas e os sorteios. Além de todo mundo já conhecer, estamos falando de uma contravenção! As pessoas que o praticam ou promovem são passíveis de punição pela Justiça. Motivo? Simples: não há nenhuma supervisão do governo. Não há a garantia de entrega dos prêmios. Tributação é uma palavra que passa longe da atividade e, para completar - e o motivo mais sério na minha opinião - o jogo é 100% propício a chamada "lavanderia self-service" para inúmeras outras atividades mais pesadas, como por exemplo, o tráfico de drogas.
Resolvi escrever sobre este tema hoje, sexta-feira, porque esta semana o jogo do bicho fez aniversário de 118 anos. Decobri isso quando mostramos no Hoje em Dia - Rio uma reportagem sobre a área onde ficava o antigo zoológico e que agora será revitalizada. Daí foi só fazer uma pesquisa para entender mais desse jogo tão proibido e tão liberado ao mesmo tempo no Rio de Janeiro. Uma ilegalidade que sobrevive a mais de um século, sempre sob as vistas-grossas do país. É impossível não relacionar esse jogo a tantas outras jogatinas irregulares que permeiam nosso Brasil. Só para começar a lista, podemos lembrar dos caça-níqueis e dos bingos. Se tanta gente investe, se tanta gente joga - e ainda é hipócrita de dizer que não - porque nosso país não caminha para uma discussão séria do assunto ou parte direto para uma legalização e subsequente normatização da atividade? Se dá dinheiro para quem opera o jogo hoje, porque o estado diz não a uma arrebatadora arrecadação de impostos? Um colega carioca me deu uma resposta bem simples e proporcionalmente vergonhosa, de ruborizar a face de qualquer homem da lei: o jogo do bicho rende mais como está hoje do que devidamente legalizado, meu caro Fábio. Desse jeito que está rende mais para todo mundo." - concluiu o "colega" que também faz uma "fezinha" de vez em quando, além de já ter trabalhado no ramo. O que mais me preocupou, honestamente? A parte de render mais para todo mundo. Nós, cidadãos comuns, apostadores da ilegalidade ou não, descobrimos rápido - em 5 minutos de prosa - com quem é do "setor" a realidade do jogo. Para nós o bicho é sempre um só: "burro"... na cabeça.
|













