Atrás do próprio RABO.
Já usei no blog e no ar, várias vezes, a expressão "cortar na própria carne". Mas dessa vez acho que até essa frase já é ultrapassada. Quem está cortando na carne da Polícia Civil e da Polícia Militar, dessa vez, é a Polícia Federal. E cortando, diga-se de passagem só a carne "podre".
Ações como a deflagrada hoje ajudam a gente a entender bem porque algumas operações policias são frustradas no Rio de Janeiro. A polícia entra em um determinado morro, em um determinado complexo de comunidades e, quando chega lá, não tem mais bandido nenhum. Entre o material apreendido estão sempre armas velhas, enferrujadas e munição vencida. Já prestou a atenção nisso? São poucos os casos em que a polícia consegue apreender o que realmente o tráfico tem de "filé" do armamento.

Material apreendido para investigação: até duas delegacias foram vasculhadas pela Polícia Federal. / Foto: Agência "O Dia".
Porque tudo isso acontece? - Porque como em qualquer empresa, grupo ou corporação, sempre há aqueles que "jogam contra". Na nossa força policial não é diferente. São policias corruptos que ganham mais dos bandidos do que necessariamente em seus próprios proventos.
Desde os salários policiais baixos - que pelo amor de Deus não justificam picaretagem! - até questões de carga horária, falta de condições de trabalho: tudo colabora para que a corrupção seja uma constante. Quem deveria se revoltar mais com isso? O próprio policial honesto! É o nome dele que é queimado e jogado à lama quando situações assim acontecem. Se cada 10 policiais honestos denunciassem um policial corrupto a situação não seria essa. Só que o medo impera até dentro da corporação quando até as patentes mais elevadas fazem parte da "folha de pagamento" do tráfico.
A secretaria de segurança pública do Rio é o cachorro que corre atrás do próprio rabo jurando que, um dia, quem sabe, vai coseguir alcança-lo. Enquanto isso não acontece? A gente vê de camarote a assinatura de um atestado: o de que a credibilidade da polícia está mais em baixa do imaginávamos.









