No ar: a patroa eletrônica.

16
fev
13h07

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 17/02/2011 às 12h32

Existe uma conexão forte entre as "babás" e seus devidos "patrões". Claro, são eles que ditam as normas de como os "filhotes" serão cuidados. Mas o que demorou para muitos papais e mamães perceberem foi que a conexão entre elas é maior que em qualquer outro trabalho doméstico e familiar. Uma leitora aqui do blog, aporeveitando o tema relacionado a segurança e contratação de empregados, fez questão de lembrar. Olha só:  

"Você já reparou como é cíclico o movimento de empregadas domésticas e babás nas residências mais endinheiradas do Rio? Isso faz com que muitas destas empregadas saibam, não apenas detalhes da vida pessoal de seus ex-patrões, mas também informações sobre o que há em casa, entre dinheiro, jóias e até mesmo obras de arte." - Tânia / Leblon

baba No ar: a patroa eletrônica.

Robin Williams: uma babá quase perfeita no cinema. Lembra? / Foto: divulgação.

A Tânia não está errada não. Outro dia escutava o papo de duas colegas jornalistas aqui da Record, apresentadoras, que falavam justamente sobre isso: como a mão de obra especializada - e de confiança - é restrita no Rio de Janeiro, acabam sendo poucas as mulheres que trabalham como "babás profissionais". Isso faz com que a rotatividade delas pelos lares cariocas - que podem pagar pelo serviço - seja grande. Como são poucas, não é nada difícil ter em casa uma "auxiliar do lar" que já auxiliou casais amigos, próximos e até parentes.

O maior problema nisso tudo? Segundo as mães é a troca constante de informações. "Elas sabem tudo o que acontece na casa da gente. Sabem o que dizemos sobre outros casais e depois a surpresa: nos deparamos com elas trabalhando justamente para esses casais amigos." - disse uma das apresentadoras.

Mas vejamos também o lado bom disso: quando a babá temvárias experiências, nas casas de vários conhecidos, a troca de informação entre os patrões também pode ser grande. Num papo informal podem ser passadas referências, nuances de comportamento e recomendações. Resultado: mais segurança para pais e filhos.

bebês No ar: a patroa eletrônica.

Eu também tive uma babá. A "Carmo", como é chamada, começou a trabalhar na casa de meus pais quando eu tinha apenas 3 meses. Uma mulher carinhosa, caprichosa e atenta que ultrapassou a função de babá: acabou se tornando uma amiga, guardiã, cuidadora, parente próxima. Depois de crescido esse caso de amor familar não terminou. Ela continuou trabalhando com empregada doméstica - embora para mim ela sempre tenha sido mais do que isso - até os meus 16 anos.

Carmo deixou o trabalho doméstico quando eu já era "homem feito", como diz ela. Hoje não há uma única ida à minha cidade, Brasília, semque uma visita à Carmo aconteça. Recentemente fiz o contrário: fiz questão que ela fosse paparicada por mim aqui no Rio de Janeiro. Carmo nunca tinha andado de avião na vida. O que ganha asas e um vôo sereno, sempre mais alto, é essa relação. Posso dizer fácilmente que tenho uma segunda mãe maranhense, que mora na capital federal.   

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POSTAGEM ORIGINAL:

Câmera 150x150 No ar: a patroa eletrônica.

Seja em um vaso de plantas, atrás de um relógio de mesa ou mesmo nos olhos de um bichinho de pelúcia.  As câmeras de seguranças são cada vez mais usadas não apenas para segurança empresarial ou patrimonial: os "olhos eletrônicos" são a nova coqueluche de patrões que querem saber exatamente o que seus empregados estão fazendo quando eles não estão em casa.

A primeira fronteira foram as babás. Vigilância para saber exatamente como elas tratam os "pimpolhos".  Os flagrantes dispensam comentários: são imagens que já permearam noticiários do pais e do mundo inteiro.

Depois do cuidado com os filhos -  bens mais preciosos - agora a nova moda é usar câmeras mesmo não se tendo "pimpolhos". São as tarefas cotidianas que chamam a atenção de quem contrata serviços domésticos. Em primeiro lugar para verificar se tudo foi feito conforme orientação do patrão. Em casas muito grandes as câmeras auxiliam os donos do imóvel a saber se há desperdício de material de limpeza e manutenção adequada, por exemplo, de itens como quadros raros, esculturas caras.

urso de pelúcua No ar: a patroa eletrônica.

Vigilância: o que parece um inocente botão esconde a câmera. Custo: R$90,00. / Foto: Divulgação

Roubado, eu? - O segundo ponto em questão é o mais óbvio para nós, simples mortais, que não temos tantos ornamentos milionários em casa: o roubo de jóias e dinheiro. O caso registrado nessa terça-feira exemplifica bem isso: suspeitando que a empregada doméstica estivesse roubando, a patroa cario.ca aderiu a essa tecnologia. Comprou uma dessas câmeras pela internet. Custo de investimento? Pouco menos de 90 reais! Pouco para quem já suspeitava ter sido roubada em prédio1 No ar: a patroa eletrônica.mais de 3 mil reais.

A patroa ainda teve astúcia depois de descobrir o desfalque: convenceu a empregada - que já havia fugido - a voltar à casa, receber um "perdão" e começar tudo de novo. Só que na prática não foi assim: quando a empregada voltou... recebeu foi voz de prisão. A arapuca havia sido montada.

Parece incrível, mas já há lançamentos imobiliários que oferecem sistema de cabeamento, dentro de casa, não apenas para telefone, internet ou para TV paga. Os novos sistemas permitem a transmissão de imagens pela internet, com vigilância em tempo real de qualquer parte do mundo. Técnicos do setor garantem: o sistema encarece o valor do imóvel em menos de 0,5% e tem tido grande a procura entre compradores que procuram aliar segurança e tecnologia de ponta em suas novas casas nada baratas.

Ou seja, o alerta hoje é para empregadas domésticas: aquela história do "sorria você está sendo filmado" é verdadeira também dentro de casa. É uma espécie de "reality-show" particular, doméstico, onde só não vale câmera dentro do banheiro.

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