Ouro e drogas: o que vale mais?

2
fev
14h18

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 03/02/2010 às 12h47

Essa era uma daquelas dúvidas no melhor estilo "queria saber mas sempre tinha vergonha de perguntar". Ao longo da cobertura jornalística no Rio de janeiro, sempre observei que nas imagens de festas de traficantes, bailes, ou quando a filmagem é sem propósito mesmo - só para exibir armas - bandidos sempre aparecem com roupas de marca e jóias de ouro pesadas. Um leitor deu a pista. Veja o comentário:  

 "Fábio, todas as joias que os traficante usam em bailes funk, não são joías roubadas. São jóias feitas por eles mesmos, personalizadas em ourives de várias comunidades. Havia um ourives no Alemão que era o 'rei' da confecção de peças personalizadas para bandidos." - Leandro Mais

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Mulheres de traficantes também ganham jóias. Ostentação de poder. / Foto: jornal "Diário 24 horas".

Só discordo de uma coisa: será mesmo que o ouro usado nessa confecção de jóias não é produto de roubo derretido?

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POSTAGEM ORIGINAL:

anel 150x150 Ouro e drogas: o que vale mais?

A bandidagem do Rio talvez esteja mais refinada. Criminoso acostumado a lidar com fuzil, agora precisa sentir o peso do ouro, prata e diamantes. Os roubos a duas joalheirias, só esta semana, dentro de shoppings na região metropolitana do Rio, indicam que o crime organizado agora ataca em mares nunca antes navegados com tanta desenvoltura.

A explicação da polícia está em três letrinhas: "UPP". A expansão das Unidades de Polícia Pacificadora estaria deixando o crime organizado, digamos... desorganizado, sem dinheiro. "Para se capitalizar, eles estariam mudando de atividade e investindo em outros tipos de crime, como o roubo a joalherias." É o que diz o delegado Roberto Gomes Nunes, da Delegacia de Roubos e Furtos.

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Réplica: anel de ouro com safira, igual ao do noivado do principe William. Os bandidos também levaram o líder de vendas em muitas joalheirias do mundo. / Foto: R7.

Analisando friamente a situação, não há novidade nenhuma nisso. Depois da operação "sufoca" feita no Rio, primeiro foram os arrastões.  O roubo à banco teria sido outra possibilidade estudada pelos criminosos. Mas essa modalidade de crime já estaria esgotada segundo os "conselheiros" - traficantes mais tarimbados que decidem para onde o "bonde" vai. Ficaram então as joalheirias e lotéricas como última fronteira do crime. Como lotérica já não rende mais como antes - por causa dos incansáveis investimentos em segurança - sobraram as joalheirias: estabelecimentos que, apesar de também esatrem preparados com toda sorte de parafernalha de segurança até os dentes, não tem a experiência de tantos ataques como os lotéricos colecionam.

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Circuito de segurança: imagens dos shoppings vão ajudar nas investigações. / Foto: Jornal "Extra".

Isso remete a um antigo raciocínio que já expus quando tratávamos de descriminalização da maconha: o poder público estabelecido não tem a droga em si como um problema de segurança. O problema é o bandido. Em outras palavras, o problema é o que se faz para ganhar dinheiro ilegalmente, seja com drogas, arrastões ou jóias.

Quanto o estado é questionado sobre o porquê de não conseguir controlar o tráfico, a culpa sempre é do usuário. Ele que, ao invés de questão se saúde pública, é questão de segurança pública quando "sustenta" o comércio de entorpecentes. E agora sem as drogas diretamente ligadas a esses crimes? Porque a criminalidade teima em não diminuir? A culpa de bandidos roubarem joalheirias seria de quem gosta de pendurar ouro e outros metais e pedras preciosas  pelo corpo?

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