A perda de dona Mariza…
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 30/03/2010 às 15h12
Se uma imagem realmente diz mais que mil palavras, veja só esta fotografia. Ela traduz exatamente tudo o que escrevi sobre esta que será sempre a "vice-primeira dama":
E se essa foto ainda precisar de uma legenda maior, imagine este relato de uma leitora: ele expressa bem o que é o contato com a dona Mariza Campos Gomes:
" Fábio, após ler este texto fiquei emocionada. Dona Mariza, sempre sempre foi uma mulher educada e simples. Não me esqueço da primeira viagem que fiz para o DF, avistei dona Mariza de longe. Ela estava saindo de um restaurante e logo que a vi, tentei chegar mais perto. Eu, uma pessoa anônima, com certeza seria barrada pelos seguranças. Mas em um gesto singelo escutei ela dizer, bem baixinho, para um homem que creio que era um de seus segurança: 'nós somos do povo e o povo pecisa de nós.' Não pude conter a felicidade. Com um aperto de mão rápido ela me disse: ' Boa tarde! '. Depois, aos poucos, ela foi desaparecendo em meio as pessoas. Foi um gesto simples, mas que valeu a pena e que guardo pra sempre. Naquele dia enxerguei naquela mulher que seu coração gentil e solidário estáva estampado na sua face." - Dany Nunes
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POSTAGEM ORIGINAL:
Conheci José Alencar em Brasília. Apesar da intimidade com a política, não foi pelo cargo de vice-presidente da república nosso primeiro contato. Se aquele ditado que diz que “por trás de todo grande homem sempre existe uma grande mulher” é verdade, dona Mariza Campos Gomes era exatamente essa figura na vida dele.
Pouca gente sabe, mas a esposa é uma das maiores aliadas na luta contra o câncer infantil no país. Ironia do destino era o mal que levaria seu bem mais precioso pouco tempo depois. E não se engane pensando que foi a comoção com o câncer em José Alencar que foi o impulsor nessa batalha. Essa luta contra o câncer - de crianças - acredite, já era um traço no perfil dessa brava guerreira antes mesmo da doença ser diagnosticada no marido.
Na época eu já trabalhava na Record e dedicava meu tempo livre em um trabalho absolutamente voluntário: era diretor de comunicação de uma entidade sem fins lucrativos chamada “Abrace”. O apoio que a “Abrace” dava aos pais e às crianças que sofriam deste mal vinha de diversos voluntários, pequeninos como eu, ou conhecidos como dona Mariza.
Em um sábado de “Mac Dia Feliz”, em 2004 se não me engano, aconteceu o encontro. Foi onde jamais esperava encontrar uma “primeira-dama”. No dia da campanha todos já sabiam: cada sanduíche “Big Mac” vendido era sinônimo de recursos doados para instituições que lutavam contra o câncer infantil. A “Abrace” era uma delas.
Além de apoio político e de outros apoios financeiros - que nem precisamos citar aqui - ela também dava o apoio moral: dona Mariza fez questão de ir até a loja do Mc Donald´s onde fazíamos quase que um “corpo-a-corpo” para que as pessoas pedissem o sanduíche, prestigiar e dar o exemplo: comer um Big Mac! Junto com ela veio outra Marisa... outra lutadora: Dona Marisa Letícia, esposa do presidente Lula.
Lá estava eu, numa mesinha simples, daquelas de lanchonete, com a presidente da "Abrace", Ilda Ribeiro, outros dois dirigentes da casa e elas: as mulheres dos homens mais importantes do Brasil.

"Mac Dia Feliz": o "anfitrião" Ronald, Ilda Ribeiro (Abrace), Mariza Gomes (Alencar) e Marisa Letícia (Lula). / Foto: arquivo pessoal.
Nessa hora toda a imprensa foi retirada. As primeiras-damas também tinham o direito de lanchar com tranqüilidade. Conversamos sobre tudo um pouco: a reforma da casa de apoio, que até hoje recebe crianças com câncer em tratamento no Distrito Federal; a movimentação nas lanchonetes da rede na nossa cidade; e sobre a nossa meta de ser a capital que mais venderia sanduíches “Big Mac" para receber mais doações da campanha.
Dona Mariza não fez teatro: abocanhou um sanduíche mais como prova de apoio à campanha do que necessariamente por ser uma “apreciadora” dos tais “dois hambúrgueres, alface, queijo molho especial, cebola e picles num pão com gergelim”. A esposa do presidente Lula fez igual e, além dos vários sanduíches que já tinha comprado na forma de “vale” e distribuído no dia anterior no Palácio do Planalto, também comeu mais um!
Na hora de ir embora, dona Marisa - do Lula - pediu mais um para viagem. Disse ela com um sorriso pequeno, honesto e descontraído: “esse é para o Lula comer mais tarde, em casa.” Lula desembarcaria naquela mesma noite, de helicóptero, no jardim do Palácio da Alvorada, de uma viagem não me lembro para onde. José Alencar também teria saboreado o mesmo sanduíche "pra viagem" naquela noite.
Achei que essa história iria morrer comigo...
Depois desse singelo lanchinho os encontros com a dona Mariza - do José Alencar - foram mais freqüentes. No aniversário da Ilda Ribeiro, a presidente da “Abrace” - outra guerreira que merece uma postagem à parte - almoçamos sem pompa alguma no restaurante “Outback” do Parkshopping, em Brasília. Em um outro conheci o vice-presidente José Alencar, apaixonado por pão de queijo e que não perdia a chance de oferecer uma “cachacinha” de Minas, com muita simpatia aos visitantes. Tanta humildade que não parecia, nem de longe, ser o casal que ocupava o Palácio do Jaburu.
Perdi o contato com a “Abrace” e com o casal tão admirável quando acabei vindo para o Rio de Janeiro em 2005.
Na morte do meu pai, em 2007, dona Mariza fez questão de consolar a viúva, minha madrasta, com um abraço forte e emocionado: a ligação carinhosa e próxima que tive, apesar de breve, se estendeu à minha madrasta que, por absoluta coincidência, tinha sido transferida do Ministério da Agricultura para trabalhar diretamente como secretária pessoal da dona Mariza, e eu nem sabia. Brasília é pequena...
Mariza, antes de tudo, é uma mulher resignada. Uma mulher que sabia o que estava por vir, mais cedo ou mais tarde, mas que não se cansava de lutar ao lado do campanheiro de uma vida toda. Ninguém nunca está 100% preparado para esse tipo de perda. É por isso que hoje, quando muito se fala de José Alencar, me compadeço pela situação não dele e sim DELA. Ele, pelo menos, eu já sei que está descansando...
"Não tenho medo da morte, tenho medo da desonra. O homem honrado não morre nunca. O homem desonrado morre em vida." - José Alencar














