Porque o mundo queria casar a plebéia?

29
abr
09h40

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 30/04/2010 às 15h32

Quase que eu quebro esses copos fora do ar...

POSTAGEM ORIGINAL:

coroa 150x150 Porque o mundo queria casar a plebéia?O mundo está carente de contos de fadas. Os príncipes estão num processo gradual de “evolução” (?) que nem mesmo Darwin, saberia explicar: estão virando sapos com mais freqüência. E não só eles não. As princesas já não estão mais com seus vestidos rodados penteados impecáveis em seus palácios encantados. Numa época de relacionamentos descartáveis, de troca rápida de parceiros ao menor sinal de instabilidade, os personagens mudaram, trocaram de lugar, deixaram de existir. O ingrediente mágico chamado “sonho” está trancado dentro do castelo do Magic Kingdom na Disney.

Se pararmos para pensar, fomos nós mesmos que pedimos que fosse assim. Do lado “delas” o necessário - e diria até tardio - liberalismo feminino acabou se tornando um movimento exacerbado. A mulher ficou livre e independente que acabou absorvendo o “liberalismo masculino machista”. Se o homem pode ter várias parceiras, várias experiências, porque a mulher também não poderia? A mulher pediu e foi à luta. De princesa virou plebéia. E é esse caminho de volta que o mundo hoje acompanha com os olhos colados em televisores de todo o mundo: a plebéia que virou princesa.

kate tv 20110429 300x122 Porque o mundo queria casar a plebéia?

Toda moça jovem queria ser Kate Middleton por um dia. Toda moça queria ter um príncipe William pra casar. Não importa se ele ronca, tem chulé ou unha encravada. Ele é um príncipe. E se de um lado da moeda vemos a “cara” do sonho personificado na futura princesa, o outro lado da moeda estampa a “coroa”. Qual jovem rapaz também não gostaria de ter o mundo a seus pés e uma plebéia bela de traços leves e delicados para se casar?

O ser humano vive assim: se espelha em sonhos e busca carruagens encantadas incansavelmente. Conversando ontem com uma psicóloga, ouvi ou o que faltava para completar meu raciocínio. O mundo que casar William e Middleton como gostaria de casar seus filhos, ou mesmo se casar com o “estereótipo do perfeito”. Tudo mundo gostaria de viver um “conto do perfeito” para se livrar das amarras que nos envolvem vindas do liberalismo exagerado.

É bom este casamento dar muito certo. Ele resgata a união que foi falida entre Charles e Diana. É como se a família real - e todo o planeta que vem arrastado psicologicamente naquele véu - encontrassem no casamento do século sua redenção. O casamento de William e Middleton é o purgatório moral de nossas relações falidas, desastradas e abandonadas no meio do caminho porque tivemos pouca vontade de persistir.

william kate sorriso tv 20110429 300x122 Porque o mundo queria casar a plebéia?

O casamento real tem que dar certo porque as nossas uniões não estão dando. Mas para isso tempos nossa desculpa psicológica: somos a plebe, sem a menor intenção de acertar em todas.  E assim seguimos: o conto de fadas fica no fundo da última gaveta de meias, bem lá no fundo mesmo; ou para a família real, oprimida e obrigada lavar com espumante fino em suas bodas todas nossas frustrações. Eles são o exemplo que precisamos para nos provarmos que não somos nós que fazemos o caminho errado, apenas ainda não “chegou a nossa vez” como chegou a deles...

É um jogo de troca: a realeza britânica tem muito mais obrigações com o mundo do que só com seus súditos nessa hora. Esse é o peso que botamos em suas costas. Quase que uma contrapartida pela admiração que tanto temos pelos pardos e mudos habitantes do Palácio de Buckingham. Só espero que não façamos com nosso novo exemplo mundial o que fizemos com o último deles, oriundo da mesma realeza: Lady Di morreu fugindo do olhos de quem mais a admirava. 

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Como tirar manchas difíceis.

28
abr
09h32

Até agora chegam perguntas no Twitter: como tirar manchas difíceis de sair? Todo mundo sempre tem alguma marca indesejada de café, chocolate ou vinho, talvez no carpete na cortina ou no sofá no estilo "missão impossível" de ser removida. É como aquela frase pronta dos canais de venda pela televisão: Agora seus problemas acabaram!

Mentira. O próprio consultor que esteve no "Hoje em Dia" tem outra frase de impacto que diz o seguinte: "não existe milagre". Pouca gente sabe mas não são as dicas caseiras da vovó apenas! Hoje há pessoas especalizadas em remover o que não era para estar em várias superfícies. Isso já virou profissão que auxilia empresas de conservação, limpeza lavanderias ou mesmo presta assessoria para fabricantes de produtos de limpeza. Imagine essa nova profissão: "desenvolvedor de tecnologia para remoção de manchas díficeis".

5040 Hogar sacar manchas labial la jpg 550x0 300x206 Como tirar manchas difíceis.

A entrevista com várias dicas está no vídeo abaixo. Lembrando que depois do programa o entrevistado ainda ficou uns 40 minutos - por baixo - dando outras dicas pelo Twitter. No @HojeEmDiaRio tem muitas respostas úteis. Uma delas é como tirar manchas nos teclados e CPU´s brancas de computadores. Para isso existe uma pasta especial comprada em lojas de informática sabia? Mas o bom detergente neutro também faz maravilhas.

Vou deixando meus dedos descansarem. O vídeo faz o trabalho por mim. Divirta-se e boa limpeza!

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No cardápio:”taxa da chuva”.

26
abr
09h18

A chuva vem e parece lavar e levar bem mais que nossas ruas e encostas. Leva também as promessas que são feitas e nunca são não cumpridas. Há quase seis anos que moro no Rio de Janeiro e só escuto falar em obras nos moldes de um piscinão subterrâneo - como já acontece em São Paulo - para a região da Praça da Bandeira. Já está provado: o Rio de Janeiro não é à prova da menor chuva que seja mas resiste a projetos que não saem do papel. 

Conversando com o dono de uma lanchonete em frente à bandeira do Brasil - que nem tremulava de tão encharcada - ele me contava: "só continuo aqui porque o ponto é bom e já está embutido em cada lanche uma espécie de seguro informal que eu fiz." Seguro informal? Indagado sobre que "seguro" seria esse criado por ele mesmo, o comerciante  que tem ponto há mais de 10 ano no local me respondeu: "cada lanche que vendo já tem um valor agregado para compensar os dias que tenho que fechar as portas para lavar toda a loja e jogar alimentos fora quando chove e a água vem parar aqui dentro" - conclui ele mostrando com uma das mãos a altura do balcão.

Alagamento 300x225 No cardápio:”taxa da chuva”.

Praça da Bandeira: alagamento e uma pessoa carregada pela água. / Foto: R7.

Curiosidade: já reparou que em frente à Vila do Pan, na Barra da Tijuca, o problema de alagamento na pista foi rapidamente resolvido? Por favor me provem que isso não tem a ver com a diferença do IPTU da Barra e da Praça da Bandeira.  Por favor...

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Etiqueta entre 4 paredes.

25
abr
17h47
botoes 150x150 Etiqueta entre 4 paredes.

Quando era criança adorava entrar no elevador e apertar todos os botões. Da garagem até o sexto andar, os dedos corriam rápido pelo painel da cabine. Eram dedos mais rápidos do que a tecnologia que, nessa época, não conseguia acompanhar a minha peraltice com suas câmeras de segurança: elas ainda não existiam nos elevadores. 

A brincadeira ficou para trás com o passar dos anos. Só que hoje descobri que o peso desses anos que passam sempre em ordem crescente - como os andares vistos da tal cabine que sobe -  não mudam muita coisa para algumas pessoas. Essas intrépidas cabines são ainda palco de muitas cenas inusitadas quando se está só ou quando se esquece que há alguém olhando, mesmo que eletronicamente. 

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Elevador: o que pode e o que não pode ser feito dentro de uma cabine? / Imagem: internet.

Este foi o assunto do nosso programa de hoje aqui no Rio: regras de etiqueta no elevador. Aliás, costumo não repetir aqui no “blog” assuntos que já discutimos no ar. Mas hoje não dava para passar sem parar nesse “piso educação” dessa imensa galeria de surpresas que é a vida. Não acreditei quando fiz a chamada do assunto no Twitter e várias pessoas de fora do Rio reclamaram que não puderam assistir. 

Mas então o que pode e o que não pode ser feito na cabine? 

Óbvio, claro e evidente que a brincadeira de apertar todos os andares é a mais ridícula, que não precisa de instrução nenhuma. Mas o que fazer quando, por exemplo, alguém não consegue controlar suas flatulências no elevador? O rápido guia que reproduzo aqui faz parte das dicas da consultora de etiqueta Maria Aparecida, que esteve hoje dentro de uma cabine cenográfica montada ao lado do nosso cenário para tratarmos do assunto. 

elevador1 300x225 Etiqueta entre 4 paredes. 

O “pum” - claro que o melhor e não soltar! Inviável em um edifício, seja ele de quantos andares for, fazer essa jornada sentindo odores indesejáveis. Mas a dica aqui é sobre como agir depois do “trabalho” feito. De acordo com a consultora, o mais educado é fingir que nada aconteceu. Se você não foi o autor, mas sentiu o estranho odor, simplesmente não comente. Trocar acusações, cobrar postura ou procurar a mão amarela do responsável é prá lá de desconcertante. E acredite: para precisar dar uma dica tão simples num programa de televisão, é porque muita gente faz exatamente o contrário, garante a consultora. 

O chefe - no elevador do trabalho falar mal do chefe ou da empresa é um tiro no pé. Você nunca sabe ao lado de quem está naquele momento. Lembro-me uma vez que peguei o elevador da Record ao lado do homem que assumiria a presidência da empresa dias depois e sequer o conhecia na época. Imagine um comentário errado na hora errada, hein? As conversas mais contundentes devem ficar para depois que as portas se abrirem... 

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Flagrante: homem chuta cachorro da namorada dentro do elevador. / Foto: R7.

Celular - quem nunca cometeu essa gafe que atire a primeira pedra. Entrar no elevador falando ao telefone e ainda exigir que o sinal continue constante é missão pra lá de impossível. Se obrigar os outros a ouvir sua conversa já é desagradável, imagine então se a conversa for aos gritos, entremeada por vários “alô-alôs” causados pelo sinal que oscila? No elevador aqui da Record todo mundo já descobriu que se encostar o aparelho bem na emenda onde a porta toca a lateral da cabine, ainda dá pra se comunicar por alguns minutos mesmo com o elevador em movimento. Tsc, tsc, tsc. Imagine a cena que eu mesmo já protagonizei? 

História sem fim - Essa acho que dispensa comentários. Saber que alguém está sendo traído(a) pelo companheiro ali, na cara dura, debaixo dos olhos - ou ouvidos - de todo o condomínio ou de toda a empresa já é barra pesada. Imagine então ouvir isso de “rabo de ouvido”, pegando a conversa alheia dentro do elevador e pela metade? A história que não chega ao fim quando a jornado do elevador se encerra é a pior masturbação psicológica para um passageiro. Afinal, quem é o traído? 

Prioridades - também vale lembrar entre essas regras simples e básicas que, no elevador, também vale aquela máxima do metrô ou do trem: quem está dentro tem prioridade total para descer antes que outros passageiros embarquem. Pular para dentro da cabina logo que ela “estaciona” no andar sem se preocupar com quem ainda precisa descer é o fim da picada. 

DSCF0423 300x200 Etiqueta entre 4 paredes.

Câmeras - por fim, é bom não esquecer: mesmo quando estamos sozinhos nos elevadores, seja ele novo ou antigo, na significa que estamos tão “desacompanhados” assim. Mesmo as cabines mais históricas, hoje, são adaptadas para terem câmeras! E atenção: quanto mais “rococó” a cabine tiver, mais fácil para se deixar a câmera imperceptível. A reportagem que serviu de base para nossa entrevista de estúdio mostra bem isso.

No mais é só assistir a matéria e pensar: você  já passou por alguma situação desconcertante, assim, dentro de um elevador? 




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Um mar de lama e m*@#! em Niterói…

18
abr
17h08

imagesCAOGEOC6 150x150 Um mar de lama e m*@#! em Niterói…Depois do Morro do Bumba ser assolado por uma avalanche de lama e detritos do que era um antigo aterro sanitário - clandestino, diga-se de passagem - o problema agora não foi com lixo e sim com esgoto em Niterói. Eu sei que as causas foram diferentes, que seria quase uma leviandade comparar os dois problemas ocorridos no município do outro lado da Baía de Guanabara - até por suas conseqüências monumentalmente díspares. Mas já parou pra pensar que é a segunda vez que problemas acontecem causados justamente por aquilo que mais tentamos descartar, nossos dejetos?

É preciso investigar. Ninguém sabe o que teria acontecido para uma “barragem de cocô” se romper arrastando pessoas nas ruas por pelo menos 200 metros. A companhia “Águas de Niterói” ainda não tem idéia. Falta de manutenção na estrutura da estação de tratamento de esgoto? Negligência em relação à capacidade do reservatório? Tudo não passou de uma grande fatalidade? Essa última, pelo menos, é a hipótese que menos considero.

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Mar de esgoto: cerca de 5 milhões de litros vazaram de adutora em uma rua de Niterói. / Foto: R7.

Nenhum paredão de estação de esgoto é feito sem cálculos estruturais precisos. Não me lembro de nenhuma chuva forte que tenha enchido o reservatório de esgoto acima da média. Também não tenho conhecimento de nenhum tremor de terra que tenha desestabilizado a parede de contenção do local de armazenagem.

Novamente remeto o caso ao Morro do Bumba. Repito que, apesar das causas e principalmente conseqüências serem proporcionalmente diferentes, tudo parece girar em torno da palavra “descaso”. Na tragédia do ano passado a prefeitura de Niterói foi acusada de omissão por ter sido supostamente avisada sobre o risco de uma favela estar se formando em cima de um terreno instável e de terra fofa. Não teria feito nada. No problema ocorrido domingo - que para quem viveu de perto teve sim ares e odores de tragédia - alguém deixou de perceber que algo estava errado ali! Um muro de contensão de dejetos não se rompe assim, do nada. Quem falhou nesse caso?

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Promessa de aluguel social e foto na mão: o que restou do Morro do Bumba um ano depois. / Foto: R7.

Hoje ouvia em uma das nossas reportagens o relato de um morador que contava que perdeu seu carro arrastado pelo “tsunami” de fezes e esgoto. A resposta que teve da empresa? Que tudo seria analisado para que os prejuízos fossem ressarcidos no futuro. Futuro? Que futuro se o homem estava sem seu carro para ir trabalhar dependia dele hoje, no presente?

No caso do Morro do Bumba, vamos lembrar: a solução também viria “à jato” com aluguel social para todas as famílias que pelo menos sobreviveram. Mais de um ano se passou e muitas dessas pessoas ainda são tratadas como o mesmo subproduto que estava enterrado debaixo de todas aquelas casas. Eu andei por lá, pisei naquela lama, vi o odor de morte e de lixo que havia ali. Nossas autoridades parecem que não.

Agora é sobre montes e montes de fezes que os moradores dessa localidade atingida ontem precisam andar. Não sou de nenhuma cruzada revolucionária ou pregador de uma “caça às bruxas”. Mas alguém fez alguma “m#@!” antes, para que tudo acabasse daquele jeito. E é isso que estou ansioso para saber agora.

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Carros e troncos de árvores arrastados pela força do "tsunami de esgoto". / Foto: R7.

Enquanto a resposta não vem fica a analise: no nosso país tudo fica por isso mesmo. Não vi nenhuma autoridade indo para a cadeira ou sendo responsabilizada criminalmente por omissão em relação ao Bumba. Acho que não vou ver ninguém assumindo a responsabilidade por um “descuido” como esse que espalhou sujeira e dejetos pelas ruas de Niterói no domingo. Nesse caso onde não houve mortes para aumentar a pressão da nossa mídia – pelo menos isso! - não me resta dúvida: vai ser mais uma caso que vai “descer pelo ralo” da nossa memória até que novos episódios aconteçam.

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O plebiscito e o marido traído.

15
abr
09h39

Não faz nem uma década que o Brasil disse SIM. Respondeu no plebiscito que queria que o comércio oficial de armamento e munição continuasse existindo no Brasil tal e qual já exisita. Para ser mais exato foi em outubro de 2005. Escolheu mal na minha opinião... 

Seis anos se passaram. Agora, como um tiro certeiro - me perdoe o trocadilho infame - o massacre na escola de Realengo reascende a discussão: o "ponta-pé" para nossos legisladores resolverem retomar o assunto com já o fez o presidente do Congresso José Sarney.  Não. Caro leitor, você não voltou à postagem que abriu as discussões esta semana aqui no blog. Não estamos falando mais da diferença entre "oportunidade" e "oportunismo"

Que o Brasil tem leis severas em relação a compra e venda de armamento isso nem se discute mais. Talvez vivamos em um dos países do mundo onde é mais difícil se obter autorização para comprar e portar uma arma no mundo! Países como os Estados Unidos, por exemplo, Austrália e tantos outros da Europa, tem o acesso a esse tipo de produto de forma bem mais descomplicada. Se não quisermos ir muito longe, basta dar um "pulinho" no país vizinho, a casa dos nossos "hermanos" paraguaios. A questão é que muita coisa que é verndida lá acaba vindo parar aqui. Isso é mais velho que "andar para frente".

plebiscito O plebiscito e o marido traído.

Novo plebiscito sobre as armas: você é contra ou à favor? / Foto: internet.

Então são duas situações contraditórias: lá se vende arma é aqui se mata na guerra do tráfico ou nas mãos de um maluco doente como o tal do Wellignton, o matador de Realengo. O que está errado nesse quebra-cabeças onde as peças não se encaixam? A culpa é do governo desses países?

A minha resposta: o nosso país é hipócrita. Gastamos tempo e dinheiro - e muito dinheiro - para decidir se queremos ou não a proibição de armas e esquecemos de fazer valer a lei que já as proíbe. Simples assim! Quem mora no Rio de Janeiro sabe do que estou falando: por aqui, comprar uma arma com numeração raspada, exatamente como fez esse maluco, não é tarefa difícil. E esse "pancado" das idéias ainda pagou caro, viu? Já ouvi relatos de armas de mesmo calibre sendo negociadas em vielas de comunidades por 50 reais.

 Como um país que ainda convive com essa realidade que fazer um novo plebiscito?

O governo e o plesbiscito me lembram o conto do marido traído que coloca um detetive para seguir a esposa. A todo momento o investigador liga e passa novas coordenadas da mulher, notoriamente adúltera. Avisa que ela está no restaurante com um homem jantando. Avisa ao marido traído que eles trocam carícias à mesa. Comunica que os dois pegam o carro dela - que ele comprou - e seguem para um Motel. Comunca de forma tensa que os dois entraram no Motel. Dependurado no muro dá a úlíma informação de que as cortinas do quarto foram fechadas! O marido, do outro lado da linha telefônica, responte ao detetive: "Caramba! Fecham a cortina? Então ainda não é hoje que vou saber se ela me trai ou não!"

motel O plebiscito e o marido traído.

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A saúde em 3D.

13
abr
16h30

emergência 150x150 A saúde em 3D.Não entendo político que tem visão dupla. Aquele que parece que está olhando a vida como se fosse um filme em 3D só que sem colocar os óculos especiais: vê tudo embasado, fora de foco ou finge mesmo não enxergar.

Essa é a sensação que tenho quando falamos de saúde pública no nosso país. E não estou falando de saúde municipal, estadual ou federal. Estou falando da doença moral que afeta essas autoridades legitimamente eleitas em quase todas as esferas, ou seus próprios representantes escolhidos “à dedo” para serem secretários, ministros é várias outras “autoridades” que tenham a ver com a pasta tão traumática.

 Faça um teste rápido com qualquer um deles que seja responsável por esse problema chamado “saúde”: colocoque-o de frente às câmeras e deixe a população reclamar dos hospitais, dos postos de saúde, do atendimento em geral. O que você impreterivelmente vai ver é uma série de argumentos para desmentir quem está na ponta da fila, na porta do hospital. Isso me irrita. Seja nas cretinas notas enviadas por e-mail ou nas entrevistas vazias, sempre o que se escuta é que não faltou médico,  não faltou medicamento,  não faltou hospital. Como um político pode colocar o eleitor como seu melhor amigo na hora do voto, mas como um mentiroso e algoz quando é cobrado?

Hospital no Brasil jpg 2 A saúde em 3D.

Macas nos corredores: realidade em quase todos os hospitais do país. / Foto: R7.

Hoje via um “secretino” desses - de algum rincão do nosso país - que ao ser entrevistado desmentia solenemente o telespectador usuário do sistema de saúde. Quando a mãe dizia que percorreu cinco hospitais atrás de um ortopedista, ele dizia que em todas as unidades visitadas havia sim médicos. Quando outro telespectador reclamava que faltava remédio, a “autoridade” no assunto argumentava que os medicamentos estavam sim na prateleira. Quando o protesto era de quem precisava de ambulância, a culpa era jogada para outra área do governo que não tinha comprado óleo para cuidar do motor do veículo. Mas dava para rodar...

Que eleitor é esse que se passa por ovelha dócil e meiga na eleição e vira “lobo-mau” depois do pleito? Que sociedade civil organizada é essa que consegue “combinar” de fazer as mesmas reclamações em vários locais do país e ao mesmo tempo? Ora, se não é a saúde que está podre, precisamos arruma r uma vacina contra eleitor descontente, mentiroso e que faz complô contra seus próprios escolhidos!  

hospitais lotados4 A saúde em 3D.

Lamentável: um problema que já virou piada. / Fonte: humortadela.com.br

Perguntaria e esses “técnicos” de colarinho branco se alguma vez já precisaram de saúde pública no nosso país. Se alguém da família já pegou fila para tentar ver de perto um clínico geral.  Não falta nada? Então porque a população reclama tanto? Tenho medo de um dia tentarem me convencer disso. De tentarem me fazer uma lavagem cerebral de que tudo está bem e que a culpa da saúde pública ser tão ruim é exatamente nossa, por teimarmos inconseqüentemente em adoecer.

Desculpe-me senhores secretários municipais e estaduais de saúde. Desculpe-me toda a geração de ministros da saúde que ocupou o último prédio da Esplanada dos Ministérios, bem do lado direito de quem olha para o Congresso Nacional e bem ao lado do Palácio do Itamaraty.  Talvez essa proximidade com o ministério das Relações Exteriores não seja tão coincidente assim. Lúcio Costa sabia o que estava fazendo quando colocava duas pastas assim, tão próximas. Quem tem dinheiro já começa a olhar o passaporte como o melhor receituário para se ver livre de seus males. O Brasil progrediu mas a década de oitenta está volta.

O eleitor pobre, “vira-casacas” não. Esse talvez mereça morrer na fila esperando a triagem do hospital só porque agora resolveu reclamar. Que eleitorzinho barato nosso país tem, hein?

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Carona na desgraça alheia.

11
abr
18h32

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 12/04/2010 às 09h03

Uma das mensagens postadas aqui - por leitores - na caixa de comentários do blog, ilustra bem esse tipo de situação que brota depois de casos como o de Realengo. É uma situação bem mais leve, claro, mas isso me deixou com a "pulga atrás da orelha". Até que ponto analisamos as situações como "oportunidade" ou como casos de "oportunismo"? Veja a mensagem deixada e analise você também junto comigo:


um homem extraordinario7 Carona na desgraça alheia."...estou lendo um livro chamado "um homem extraordinário e outras histórias" do Russo Anton Tchekhov, que trata sobre a desgraça alheia: fala sobre jovens recem casados que vão para sul da Rússia em meados do século XVIII, para vistoriar fazendas (ou pequenas propriedades) que eles pretendem arrematar junto ao banco, pois seus proprietários não conseguem resgatá-las e o imovóel ira a leilão. Este livro retrata bem esse lado aproveitador do ser humano e mostra de maneira clara o que realmente está acontecendo em Realengo e com muitos fatos anônimos que não chegam até mesmo ao nosso conhecimento..." - Dany Nunes

Excelente exemplo, não acha? E aí? Oportunidade e oportunismo são coisas diferentes ou não? O que você realmente acha?

__________________________________________________

POSTAGEM ORIGINAL:

É como uma fórmula de matemática. Toda tragédia é formada pelo conjunto universo que engloba um causador, as vítimas e, por último, os “oportunistas” de plantão. Gente que aproveita até carro funerário para pegar carona na mídia.

A minha experiência com esses “parasitas” começou no dia do massacre. Poucas horas depois do ato insano de um atirador descontrolado, já tinha gente aproveitando a situação para “protestar”. Um grupo que se dizia de um sindicato “organizado e sério” resolveu fazer piquete em frente à instituição de ensino gritando palavras de ordem e pedindo mais segurança para quem trabalha em educação. Não vou entrar em detalhes de que sindicato era esse - já que existem tantos que englobam servidores da educação no nosso estado - e nem fazer juízo de valor sobre o motivo do pleito que acho legítimo, diga-se de passagem. Mas acho que furar bloqueio do IML para fazer protesto para o governador ver, numa hora dessas, não me parece em nada equilibrado. Tudo bem: os manifestantes também não sabiam o significado desta palavra. Enquanto isso a escola Tasso da Silveira, em Realengo, ainda estava lavada por sangue e o cadáver do matador ainda estava na escadaria do colégio.

escola massacre 300x187 Carona na desgraça alheia.

Foto do dia do massacre: confusão, pouco espaço e oportunistas. / Foto: R7.

Coletiva do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes iniciada na quadra esportiva do colégio, sou abordado por um assessor de imprensa. Funcionário do gabinete de um parlamentar “x”, ele aproveita o momento para avisar que o mesmo estaria chegando à escola para falar sobre o massacre. Motivo? Recentemente o tal parlamentar havia travado uma disputa “sanguinária” em plenário contra a demissão de vigias de escolas públicas. Se fosse interessante gravar com o político... Repito, tudo isso ainda com o cadáver do matador há menos de 100 metros.

No velório de parte do grupo de adolescentes assassinados, mais uma demonstração de que a fórmula “morte + mídia = alavancar negócios” realmente funciona. Estávamos tentando nos posicionar em um ponto onde a câmera pegasse as capelas do cemitério ao fundo e uma ambulância do SAMU que estava ali para prestar assistência aos parentes, afinal os desmaios eram freqüentes naquela situação. Rapidamente ao ver a nossa “necessidade cenográfica” uma ambulância de um plano de saúde particular rapidamente foi estacionada ao fundo da imagem, com a logomarca e o telefone do mesmo “gritando” no ângulo de visão da câmera. Não fizeram nem uma tentativa de disfarçar.

 
 

 

choro 300x225 Carona na desgraça alheia.

Choro de familiares no velório de 4 dos adolescentes mortos. / Foto: R7.

Acho que só não teve agente funerário na porta da escola com catálogo de "urnas" na mão porque quem se propós a custear isso foi o governo. Senão, tenho dúvidas do que mais veria por lá nessa quinta-feira que o Rio de Janeiro queria esquecer que existiu.

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Correspondente de guerra… sem guerra.

8
abr
07h35

Queria uma pílula que deixasse as emoções atrás da porta. Entrar em casa e ter uma “amnésia” momentânea de tudo o que aconteceu.  Não sou um ser humano perfeito. Não consigo sequer chegar perto de médicos, policiais, legistas e tantos outros profissionais que fazem com facilidade - ou não - um exercício diário de deixar no trabalho o que é do trabalho.

Uma mensagem no celular enviada por uma amiga, logo cedo, dizia que o filho “nasceu de novo”. Ele escapou sem um arranhão do massacre apesar de ter ouvido todos os disparos da quadra esportiva. A tão evitada aula de educação física foi o que salvou adolescente de 14 anos.

Também ouvi o mesmo “nasceu de novo” da mãe da pequena Bruna de 12 anos. A menina perdeu amigas, colegas, e viu isso tudo diante de seu nariz. Percebendo que a menina ainda era uma das mais equilibradas psicologicamente depois do massacre, não hesitei em pedir autorização da mãe para que voltássemos à escola comigo com ela. Não foi um exercício de tortura. Como a menina mesmo disse, “foi bom voltar e ver de perto onde tudo aconteceu. Ajuda a perder o medo da escola.” Mesmo assim Bruna já pediu a mãe: quer trocar de colégio o quanto antes.

O relato da pequena Jade, se não me engano com 9 anos de idade, é assustador pela maturidade que não remete aos devaneios da infância. Ela disse que pegou uma canetinh, e começou a fazer desenhos na palma da mão para se acalmar enquanto se encolhia no canto de uma sala. A casinha desenhada ficou com paredes tortas, tremidas. “Era minha mão que tremia junto com as pernas e não deixava o desenho sair certinho.” - me contou ela.

O dia todo foi assim. Relatos emocionantes e cenas impensáveis para jovens com tão pouca idade. Impensáveis até para “jovens” de 80 anos que nunca imaginariam viver para ver isso. Foi o caso de uma simpática vovó que comemorou o neto de 12 anos ter saído com vida daquela escola que viveu momentos de “inferno na terra”.

Hoje é dia de sepultamento dessas vítimas do que já e chamado de "massacre de Realengo". Mas as imagens ficam gravadas nas nossas cabeças. Numa das casas, em frente ao colégio, uma porta estreita foi passagem de vários alunos que buscavam socorro. Ao passar por ali todos nós vimos marcas de sangue na parede e pelo chão. Ontem à noite, ao chegar em casa, percebi que minha camisa também havia voltado com uma mancha dessas. Fiquei imaginando se aquele sangue pertencia a algum aluno que teve a sorte de escapar vivo dessa história, mesmo ferido, ou se teve final trágico com pelo menos uma dúzia de estudantes. Não dá pra esquecer esses horrores quando eles vêm marcados nas suas costas.

Coberturas como estas, dos deslizamentos de Teresópolis, Angra, Morro do Bumba e tantas outras que vivemos no Rio de Janeiro, me fazem pensar que somos correspondentes de uma guerra, sem sair de casa.  É difícil deixar atrás da porta o quem vem dentro do peito.

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Temos vagas.

6
abr
09h02

Se eu fosse começar tudo de novo ou procurar no novo começo (para ficar mais poético), a minha escolha profissional seria uma “viagem”. Uma não, várias viagens minhas e de tantos outros turistas também. Já reparou como a área de turismo está na crista da onda no Rio de Janeiro para os próximos anos?

A descoberta surgiu desde que se começou a falar sobre o Rio de Janeiro como sede para as Olimpíadas de 2016. Assim como o mercado imobiliário viu nisso uma oportunidade de crescimento na chamada “região olímpica” do Rio de Janeiro, comecei a observar nisso uma nova fronteira também para o mercado de trabalho carioca. Claro que eu não descobri a pólvora. No “Hoje em Dia - Rio” desta semana, quando recebemos uma entrevistada para falar sobre como arrumar bem uma cama e fazer dobraduras “hoteleiras” em toalhas; um dado “perfurou” meus tímpanos: o Rio de Janeiro precisa pular dos seus 20 mil atuais quartos em hotéis para 48 mil em menos de 5 anos! Isso significa pegar toda a malha hoteleira criada desde a década de 60, pouquinho a pouquinho, e dobrá-la o mais rápido possível!

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Hotelaria: número de apartamentos precisa dobrar no Rio nos próximos 5 anos/Foto: Reprodução

O que fazer depois com tantos quartos? - a pergunta logo veio à minha cabeça.  E depois que todos os jogos passarem? O planejamento para grandes eventos esportivos precisa ser sustentável do ponto de vista econômico também. De nada adianta ter toda essa infra-estrutura prontinha, cheirando a nova já em 2014 para a Copa e depois termos o registros de falência em massa na cidade maravilhosa.

É exatamente por isso que todos os lançamentos que envolvem hotelaria aqui no Rio - pelo menos a grande maioria - estão seguindo a tendência de “residence”. Em outras palavras no bom português: são hotéis com apartamentos maiores, com sala, copa e conforto o suficiente ara se tornarem moradias depois. Por isso os quartos de hotéis estão sendo agora “vendidos” no mesmo molde que teve a chamada “Vila do Pan” (só que sem o conceito de hotelaria e serviços) para os últimos jogos que o Rio sediou.

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Vila do Pan: 17 prédios vendidos antes mesmo de ficarem prontos na explosão imobiliária da Barra da Tijuca/Foto: Reprodução

Se alguém me perguntasse hoje como começar no mercado de trabalho eu diria: procure um curso ligado à hotelaria e turismo. O SENAC pode ser uma excelente alternativa, mas opções não faltam. O mercado de cursos profissionalizantes já está com um “leque” de opções aberto nesse sentido. Só para se ter uma idéia, o governo federal está investindo recursos para disponibilizar 2 mil vagas gratuitas em cursos ligados ao setor. Resumindo: o governo viu que se não tiver mão de obra treinada aqui no Rio o país vai passar aperto... e vergonha.

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