O “local” do investimento “local”.

4
abr
16h22

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 05/04/2011 às 20h15

Gostaria de agradecer as manifestações de apoio e carinho nos comentários. Acho importante lembrar que a discussão em questão não é para se promover uma "caça às bruxas". É exatamente por termos a chamada liberdade de expressão - e de opinião na entrelinhas - é que é interessante saber o que o telespectador pensa, seja qual for esse pensamento, e poder argumentar.

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POSTAGEM ORIGINAL:

record 150x150 O “local” do investimento “local”.A postagem de hoje é uma resposta específica a um telespectador. Mas não "tão específica" assim que outros não possam opinar também. O texto que segue foi retirado de um blog que não é temático sobre televisão. Mas como o autor é uma pessoa muito inteligente e culta - que além de nos prestigiar com sua audiência também é um dos maiores colaboradores que tenho hoje - não poderia deixar de responder também pelo mesmo veículo: o blog.

O objetivo é exatamente esse: mostrar que, independentemente de quem critica, todo e qualquer telespectador merece ser respondido, embora nem sempre haja tempo para se fazer esse "corpo a corpo" com todos. O texto na íntegra pode ser acessado clicando aqui. Na postagem de hoje "peneirei" apenas o ponto que é específico sobre o "Hoje em Dia - Rio", mas acho que toda e qualquer discussão sobre televisão é sempre bem vinda por aqui. Veja só:

TEXTO POSTADO:

"Não posso entender o que pode melhorar para uma emissora ter 30 minutos de bloco regional em uma revista eletrônica. Ao contrário, aposto mesmo que parte da audiência da revista muda o canal nesse momento. Então, quando disse ao Fábio Ramalho, pelo Twitter, que a Record subutiliza muitos dos seus bons profissionais, e falava do "Hoje em Dia - Rio" e ele me perguntou o que eu gostaria de assistir, fiquei sem ter o que responder.

A verdade é que a fórmula da revista matutina é boa e, com um bom lastro de matérias, pode crescer em audiência. Mas essa interrupção, para cortar para um "bloquinho" local, é um grande erro. Não vejo respostas na questão comercial nem estratégica. Será que tem? Será que trata-se de dar um passo atrás para depois dar dois à frente? Não sei.

...Para concluir, parece-me, realmente, que o objetivo da Record não é o primeiro lugar. O que parece é que a emissora estará sempre satisfeita em poder ver, de longe, as lanternas e o para-choque da Rede Globo, ao invés de querer vê-la pelo retrovisor. E, tomara, eu esteja errado. Porque, assim, lucrarei muito mais."

logo O “local” do investimento “local”.

No que posso contribuir? Leia abaixo:

Márcio, em primeiro lugar tenho que agradecer por seu interesse em escrever sobre a Record e sobre nosso produto, o "Hoje em Dia - Rio". É essa troca de informações que nos faz crecer e estar sempre mais perto do nosso telespectador. Como já sabe - pelas mensagens trocadas no Twitter principalmente - não me nego a falar de nenhum assunto relativo ao meu trabalho na emissora. Em relação aos demais colegas, por respeito e por questões éticas, não vou comentar.

Seu texto é claro e muito bem trabalhado, por isso te parabenizo! Mas há informações nele que preciso contestar. Questionamentos sobre que reflexos um bloco local do "Hoje em Dia" tem no Rio de Janeiro me surpreendem: soam primários demais para quem tem um conhecimento tão balizado de televisão como me parece ter em seus textos. A explicação? Ela é muito simples: qualquer cidade gosta de "se ver" na televisão mais do que ver a "cidade do vizinho"

A audiência comprova que o carioca se identifica muito mais com jornalismo ou entretenimento que retrate a sua realidade - e suas belas paisagens - do que quando se trata de São Paulo ou qualquer outra capital do Brasil. Isso é fato.

Se a argumentação ainda parece fraca, vou acrescentar: a Rede Record teve um incremento em sua audiência local em mais de 70% , só no Rio de Janeiro ao longo do ano passado. Com uma fatia tão grande, ter mais pessoas assistindo cada vez mais o canal 13 do Rio não significaria uma justa contrapartida comercial? O dado anterior traduz e reflete absolutamente tudo o que alavancamos para a casa enquanto produtos genuinamente locais. Portanto, respondendo à sua pergunta... sim, os reflexos também permeiam nosso departamento comercial como era de se esperar! 

Márcio, a Record está crescendo graças a telespectadores inteligentes, como você, que nos fazem buscar sempre a "evolução". Exatamente por isso que sempre pergunto o que gostaria de ver no nosso bloco do "Hoje em Dia" na qualidade de telespectador. Como percebeu - e contou em suas próprias palavras - sugerir nem sempre e tão fácil como criticar. Eu te entendo e percebo que suas críticas são motivadoras.

Investir em jornalismo/entretenimento local é a "bola da vez" nas televisões mundiais. É como se o planeta experimentasse agora, aos poucos, uma espécie de "globalização às avessas". O "específico" fica muito mais palatável e prazeroso ao telespectador que o "geral-mundial" vendido antes em embalagem unitária. É por isso que a personalização de produtos locais - com a mesma identidade dos produtos da rede - tem dado certo. No caso do "Hoje em Dia" o "case" é de sucesso não só aqui no Rio, mas também em Minas, Bahia e Rio Grande do Sul. A meta da casa é que, com o tempo, mais praças ainda possem a ter uma  "fatia" local do "Hoje em Dia". E olha que, por enquanto, estamos falando só do "Hoje em Dia", certo?

Eu sei que qualquer palavra que venha a colocar aqui pode parecer comprometida: funcionário da casa e ancorando um dos produtos que é considerado "menina dos olhos" da Record, minha opinião seria mesmo suspeita, né? Eu compreendo se seu pensamento fluir em algum momento nesta direção. Não te culpo por isso: eu, mesmo sendo funcionário, já fui picado pela "mosquinha" da incredulidade antes. Sei como é isso e como demorou para me "livrar" desse mal. Mas é assim mesmo: tudo o que é novo gera resistência. Talvez nem "Freud" explique...

retrovisor 150x150 O “local” do investimento “local”.Mesmo falando apenas por mim e não institucionalmente por toda a emissora, posso te garantir que você também está errado quando acha que a Record está satisfeita com o "segundo lugar". A Record chegou a este patamar justamento porque estava insatisfeita com o terceiro, há muito tempo. A insatisfação com a chamada "zona de conforto" é matéria prima para qualquer pessoa que trabalha aqui. Trabalhar na Record não é para pessoas acomodadas. Longe de qualquer discurso demagógico, o dia-a-dia da emissora cobra isso.

A vontade que circula na corrente sanguínea de todos por aqui é crescer. E crescer as vezes até precisa mesmo de uma pitada de visão estratégia: "dar um passo para trás para depois das dois para a frente", como mencionou. Mas felizmente esse não é o racicnio para a criação do bloco local do "Hoje em Dia". Aqui só há passos para frente.

O nosso "bloquinho", como se referefe em seu texto, traz mais que audiência e lucros: traz também "identidade" à nossa emissora. E identidade em uma cidade como o Rio de Janeiro, você sabe... não tem preço.

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