Carona na desgraça alheia.

11
abr
18h32

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 12/04/2010 às 09h03

Uma das mensagens postadas aqui - por leitores - na caixa de comentários do blog, ilustra bem esse tipo de situação que brota depois de casos como o de Realengo. É uma situação bem mais leve, claro, mas isso me deixou com a "pulga atrás da orelha". Até que ponto analisamos as situações como "oportunidade" ou como casos de "oportunismo"? Veja a mensagem deixada e analise você também junto comigo:


um homem extraordinario7 Carona na desgraça alheia."...estou lendo um livro chamado "um homem extraordinário e outras histórias" do Russo Anton Tchekhov, que trata sobre a desgraça alheia: fala sobre jovens recem casados que vão para sul da Rússia em meados do século XVIII, para vistoriar fazendas (ou pequenas propriedades) que eles pretendem arrematar junto ao banco, pois seus proprietários não conseguem resgatá-las e o imovóel ira a leilão. Este livro retrata bem esse lado aproveitador do ser humano e mostra de maneira clara o que realmente está acontecendo em Realengo e com muitos fatos anônimos que não chegam até mesmo ao nosso conhecimento..." - Dany Nunes

Excelente exemplo, não acha? E aí? Oportunidade e oportunismo são coisas diferentes ou não? O que você realmente acha?

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POSTAGEM ORIGINAL:

É como uma fórmula de matemática. Toda tragédia é formada pelo conjunto universo que engloba um causador, as vítimas e, por último, os “oportunistas” de plantão. Gente que aproveita até carro funerário para pegar carona na mídia.

A minha experiência com esses “parasitas” começou no dia do massacre. Poucas horas depois do ato insano de um atirador descontrolado, já tinha gente aproveitando a situação para “protestar”. Um grupo que se dizia de um sindicato “organizado e sério” resolveu fazer piquete em frente à instituição de ensino gritando palavras de ordem e pedindo mais segurança para quem trabalha em educação. Não vou entrar em detalhes de que sindicato era esse - já que existem tantos que englobam servidores da educação no nosso estado - e nem fazer juízo de valor sobre o motivo do pleito que acho legítimo, diga-se de passagem. Mas acho que furar bloqueio do IML para fazer protesto para o governador ver, numa hora dessas, não me parece em nada equilibrado. Tudo bem: os manifestantes também não sabiam o significado desta palavra. Enquanto isso a escola Tasso da Silveira, em Realengo, ainda estava lavada por sangue e o cadáver do matador ainda estava na escadaria do colégio.

escola massacre 300x187 Carona na desgraça alheia.

Foto do dia do massacre: confusão, pouco espaço e oportunistas. / Foto: R7.

Coletiva do governador Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes iniciada na quadra esportiva do colégio, sou abordado por um assessor de imprensa. Funcionário do gabinete de um parlamentar “x”, ele aproveita o momento para avisar que o mesmo estaria chegando à escola para falar sobre o massacre. Motivo? Recentemente o tal parlamentar havia travado uma disputa “sanguinária” em plenário contra a demissão de vigias de escolas públicas. Se fosse interessante gravar com o político... Repito, tudo isso ainda com o cadáver do matador há menos de 100 metros.

No velório de parte do grupo de adolescentes assassinados, mais uma demonstração de que a fórmula “morte + mídia = alavancar negócios” realmente funciona. Estávamos tentando nos posicionar em um ponto onde a câmera pegasse as capelas do cemitério ao fundo e uma ambulância do SAMU que estava ali para prestar assistência aos parentes, afinal os desmaios eram freqüentes naquela situação. Rapidamente ao ver a nossa “necessidade cenográfica” uma ambulância de um plano de saúde particular rapidamente foi estacionada ao fundo da imagem, com a logomarca e o telefone do mesmo “gritando” no ângulo de visão da câmera. Não fizeram nem uma tentativa de disfarçar.

 
 

 

choro 300x225 Carona na desgraça alheia.

Choro de familiares no velório de 4 dos adolescentes mortos. / Foto: R7.

Acho que só não teve agente funerário na porta da escola com catálogo de "urnas" na mão porque quem se propós a custear isso foi o governo. Senão, tenho dúvidas do que mais veria por lá nessa quinta-feira que o Rio de Janeiro queria esquecer que existiu.

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