Um mar de lama e m*@#! em Niterói…
Depois do Morro do Bumba ser assolado por uma avalanche de lama e detritos do que era um antigo aterro sanitário - clandestino, diga-se de passagem - o problema agora não foi com lixo e sim com esgoto em Niterói. Eu sei que as causas foram diferentes, que seria quase uma leviandade comparar os dois problemas ocorridos no município do outro lado da Baía de Guanabara - até por suas conseqüências monumentalmente díspares. Mas já parou pra pensar que é a segunda vez que problemas acontecem causados justamente por aquilo que mais tentamos descartar, nossos dejetos?
É preciso investigar. Ninguém sabe o que teria acontecido para uma “barragem de cocô” se romper arrastando pessoas nas ruas por pelo menos 200 metros. A companhia “Águas de Niterói” ainda não tem idéia. Falta de manutenção na estrutura da estação de tratamento de esgoto? Negligência em relação à capacidade do reservatório? Tudo não passou de uma grande fatalidade? Essa última, pelo menos, é a hipótese que menos considero.
Nenhum paredão de estação de esgoto é feito sem cálculos estruturais precisos. Não me lembro de nenhuma chuva forte que tenha enchido o reservatório de esgoto acima da média. Também não tenho conhecimento de nenhum tremor de terra que tenha desestabilizado a parede de contenção do local de armazenagem.
Novamente remeto o caso ao Morro do Bumba. Repito que, apesar das causas e principalmente conseqüências serem proporcionalmente diferentes, tudo parece girar em torno da palavra “descaso”. Na tragédia do ano passado a prefeitura de Niterói foi acusada de omissão por ter sido supostamente avisada sobre o risco de uma favela estar se formando em cima de um terreno instável e de terra fofa. Não teria feito nada. No problema ocorrido domingo - que para quem viveu de perto teve sim ares e odores de tragédia - alguém deixou de perceber que algo estava errado ali! Um muro de contensão de dejetos não se rompe assim, do nada. Quem falhou nesse caso?
Hoje ouvia em uma das nossas reportagens o relato de um morador que contava que perdeu seu carro arrastado pelo “tsunami” de fezes e esgoto. A resposta que teve da empresa? Que tudo seria analisado para que os prejuízos fossem ressarcidos no futuro. Futuro? Que futuro se o homem estava sem seu carro para ir trabalhar dependia dele hoje, no presente?
No caso do Morro do Bumba, vamos lembrar: a solução também viria “à jato” com aluguel social para todas as famílias que pelo menos sobreviveram. Mais de um ano se passou e muitas dessas pessoas ainda são tratadas como o mesmo subproduto que estava enterrado debaixo de todas aquelas casas. Eu andei por lá, pisei naquela lama, vi o odor de morte e de lixo que havia ali. Nossas autoridades parecem que não.
Agora é sobre montes e montes de fezes que os moradores dessa localidade atingida ontem precisam andar. Não sou de nenhuma cruzada revolucionária ou pregador de uma “caça às bruxas”. Mas alguém fez alguma “m#@!” antes, para que tudo acabasse daquele jeito. E é isso que estou ansioso para saber agora.
Enquanto a resposta não vem fica a analise: no nosso país tudo fica por isso mesmo. Não vi nenhuma autoridade indo para a cadeira ou sendo responsabilizada criminalmente por omissão em relação ao Bumba. Acho que não vou ver ninguém assumindo a responsabilidade por um “descuido” como esse que espalhou sujeira e dejetos pelas ruas de Niterói no domingo. Nesse caso onde não houve mortes para aumentar a pressão da nossa mídia – pelo menos isso! - não me resta dúvida: vai ser mais uma caso que vai “descer pelo ralo” da nossa memória até que novos episódios aconteçam.











