Porque o mundo queria casar a plebéia?

29
abr
09h40

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 30/04/2010 às 15h32

Quase que eu quebro esses copos fora do ar...

POSTAGEM ORIGINAL:

coroa 150x150 Porque o mundo queria casar a plebéia?O mundo está carente de contos de fadas. Os príncipes estão num processo gradual de “evolução” (?) que nem mesmo Darwin, saberia explicar: estão virando sapos com mais freqüência. E não só eles não. As princesas já não estão mais com seus vestidos rodados penteados impecáveis em seus palácios encantados. Numa época de relacionamentos descartáveis, de troca rápida de parceiros ao menor sinal de instabilidade, os personagens mudaram, trocaram de lugar, deixaram de existir. O ingrediente mágico chamado “sonho” está trancado dentro do castelo do Magic Kingdom na Disney.

Se pararmos para pensar, fomos nós mesmos que pedimos que fosse assim. Do lado “delas” o necessário - e diria até tardio - liberalismo feminino acabou se tornando um movimento exacerbado. A mulher ficou livre e independente que acabou absorvendo o “liberalismo masculino machista”. Se o homem pode ter várias parceiras, várias experiências, porque a mulher também não poderia? A mulher pediu e foi à luta. De princesa virou plebéia. E é esse caminho de volta que o mundo hoje acompanha com os olhos colados em televisores de todo o mundo: a plebéia que virou princesa.

kate tv 20110429 300x122 Porque o mundo queria casar a plebéia?

Toda moça jovem queria ser Kate Middleton por um dia. Toda moça queria ter um príncipe William pra casar. Não importa se ele ronca, tem chulé ou unha encravada. Ele é um príncipe. E se de um lado da moeda vemos a “cara” do sonho personificado na futura princesa, o outro lado da moeda estampa a “coroa”. Qual jovem rapaz também não gostaria de ter o mundo a seus pés e uma plebéia bela de traços leves e delicados para se casar?

O ser humano vive assim: se espelha em sonhos e busca carruagens encantadas incansavelmente. Conversando ontem com uma psicóloga, ouvi ou o que faltava para completar meu raciocínio. O mundo que casar William e Middleton como gostaria de casar seus filhos, ou mesmo se casar com o “estereótipo do perfeito”. Tudo mundo gostaria de viver um “conto do perfeito” para se livrar das amarras que nos envolvem vindas do liberalismo exagerado.

É bom este casamento dar muito certo. Ele resgata a união que foi falida entre Charles e Diana. É como se a família real - e todo o planeta que vem arrastado psicologicamente naquele véu - encontrassem no casamento do século sua redenção. O casamento de William e Middleton é o purgatório moral de nossas relações falidas, desastradas e abandonadas no meio do caminho porque tivemos pouca vontade de persistir.

william kate sorriso tv 20110429 300x122 Porque o mundo queria casar a plebéia?

O casamento real tem que dar certo porque as nossas uniões não estão dando. Mas para isso tempos nossa desculpa psicológica: somos a plebe, sem a menor intenção de acertar em todas.  E assim seguimos: o conto de fadas fica no fundo da última gaveta de meias, bem lá no fundo mesmo; ou para a família real, oprimida e obrigada lavar com espumante fino em suas bodas todas nossas frustrações. Eles são o exemplo que precisamos para nos provarmos que não somos nós que fazemos o caminho errado, apenas ainda não “chegou a nossa vez” como chegou a deles...

É um jogo de troca: a realeza britânica tem muito mais obrigações com o mundo do que só com seus súditos nessa hora. Esse é o peso que botamos em suas costas. Quase que uma contrapartida pela admiração que tanto temos pelos pardos e mudos habitantes do Palácio de Buckingham. Só espero que não façamos com nosso novo exemplo mundial o que fizemos com o último deles, oriundo da mesma realeza: Lady Di morreu fugindo do olhos de quem mais a admirava. 

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