Brasil: bienvenido?!

25
mai
09h06

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 26/05/2010 às 8h55

Gosto quando os temas pegam fogo nos comentários aqui do “blog”. Pouca gente volta lá para dar uma olhada, mas não só respondo boa parte deles, como muitos leitores acabam trocando idéias entre sim. A história da professora rendeu. Em sua opinião, é desinformação demais a professora francesa de geografia não saber na entrevista que no Brasil se fala português e não espanhol?

idiomas 300x225 Brasil: bienvenido?!Não avaliaria como um caso para “execução sumária” do diploma dela, mas na minha humilde opinião, acho que é grave sim. Não pela cobrança demagógica de que professora “tem que saber tudo”. Eu sou jornalista e nem sempre sei tudo e às vezes, também erro e me pego em dúvida sobre a grafia de algumas palavras. Quem nunca passou por isso?

No caso da professora francesa, acredito que quando ela diz que se fala espanhol no Brasil ela está passando um atestado de não conhecer muito bem a história de seu próprio país. Porque? Simples: a história econômica e industrial da Europa está diretamente ligada à atividade de extrativismo de matéria prima de países colonizados, sobretudo na América do Sul. Portanto faz parte desse contexto saber que os países que se lançaram às grandes navegações foram Portugal, Espanha e, em menor proporção, a Holanda. Você até pode se perguntar: “então ela se confundiu porque o Brasil também poderia falar espanhol se a colonização predominante fosse espanhola? De certa forma sim. É uma boa explicação para a troca de idiomas que a professora fez, mas não é a melhor justificativa.

caravelas Brasil: bienvenido?!

Não se trata de avaliar se é ou não uma “obrigação” dela saber que o Brasil foi colonizado por portugueses (será mesmo que não é obrigação?) a partir do ano de 1500. Trata-se de analisar que, como muito bem lembrou uma leitora aqui do “blog”, Portugal estava endividado com a França e pagou boa parte dos valores devidos em ouro. Ouro que era retirado de onde? Do Brasil!

Percebeu a "fila de dominós" prontos para serem derrubados numa seqüência lógica de pensamentos?  Portugal navegou, colonizou o Brasil e mandou ouro para Lisboa.  O ouro enviado - e muitos outros produtos extraídos - também foram parar na França. Isso movimentou a economia de toda a Europa, levando o velho continente a um desenvolvimento industrial.

Ainda falando sobre o ouro, muitos adornos das igrejas de Paris, são embelezados com folhas, pedras ou filetes de ouro vindo do Brasil. Isso significa saber logo, por conclusão lógica, que  se Portugal enviou ouro brasileiro à França, os franceses deveriam saber que foram os portugueses que colonizaram predominantemente o Brasil. Portanto, pouca possibilidade de se falar espanhol, por mais que nossos “hermanos” também tenham explorado outras matérias-primas por aqui.

Toda esse explicação foi endoçada pelo professor do departamento de história da UFRJ, Henrique Assis, a quem consultei para não estar falando nenhuma besteira por aqui. Sei que o cidadão de 14 a 17 anos - como os do grupo entrevistado - talvez ainda não tenha estudado isso. Mas e a professora? Portanto prefiro acreditar que saber, ela lá no fundo sabia. Vamos considerar que foi ato falho dela. Muitos outros passeois pelo Bateaux Mouche virão...  

_____________________________________________

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 26/05/2011 às 7h43

Pessoal, a palestra é hoje. Não é preciso enviar nome. Basta chegar!

Pelestra1 Brasil: bienvenido?!

  _________________________________

POSTAGEM ORGINAL:

bandeiras cartola 150x150 Brasil: bienvenido?!

Muitos europeus não saberem o nome da presidente do Brasil a gente até da um desconto: ela tomou posse esse ano, é a primeira presidenta do Brasil. Mas quando descobrimos que muitos não sabem nem onde o Brasil fica ou qual é a sua capital, aí já é demais. Minha primeira experiência com a pouca “expertise” sobre nosso país tropical lá fora não foi nada agradável. Estava andando na rua, em Paris quando vi uma proposta tentadora na vitrine de uma agência de turismo. “Conheça o Brasil!”, dizia o cartaz em letras garrafais. Fiquei curioso e me aproximei para ver melhor. Nas letras menores - porém não minúsculas - havia o seguinte dizer: “aproveite: pacotes de 7 dias para Buenos Aires!” Não. Não poderia ser daquele jeito. Eu que deveria estar lendo errado. Talvez o pacote incluísse Brasil e Argentina, quem sabe?  Tive então ao trabalho de entrar na pequena loja e perguntar preços e destinos. Pasme: a vendedora confirmou uma falta de conhecimento que eu acreditava ser apenas um erro da propaganda. Não só ela como pelo menos 2 outros funcionários de lá acreditavam que Buenos Aires era uma cidade brasileira! Na tentativa de me comunicar, consegui explicar em meu parco inglês que Buenos Aires era Argentina e não Brasil. Pensa que tiraram o cartaz da porta? No outro dia, passando pela mesma rua, lá esta ele... novamente.  

Esse relato foi de uma viagem à Europa em 2002, ano em que o Brasil conquistava o pentacampeonato na Copa. Depois disso tivemos o “Ano do Brasil na França” e vários  outros eventos com objetivo de aproximar nossa cultura à cultura deles. Mas jamais poderia imaginar que em 2011 ainda assim houvesse tanto desconhecimento em relação ao que é o Brasil ou qualquer outro país que tenha dimensões continentais.   

A experiência se repetiu novamente na cidade luz. Alunos do chamado “segundo grau” na Europa faziam um passeio nos mesmo moldes daqueles que tempos aqui no Brasil: ainda na escola fazemos aquelas tradicionais visitas desde ao Jardim Zoológico ou até à museus e prédios públicos. Foi exatamente em uma aula assim, “à céu aberto” que encontramos em Paris um grupo de estudantes entre 14 e 17 anos. Uma mescla de cultura francesa, italiana e nigeriana garantia um grupo bem heterogêneo, perfeito para quando se quer testar conhecimentos de adolescentes de várias nacionalidades. Pronto: era o grupo perfeito para uma pauta diferente em Paris: o que será que aqueles estudantes que faziam um passeio de barco pelo Rio Sena sabiam sobre o nosso país?

As respostas sobre nossa terra tupiniquim? Bom, elas não foram tão absurdas assim. Mas o que me chamou a atenção descobrir que a professora talvez soubesse menos que os alunos. A reportagem abaixo ilustra bem isso e meu desapontamento ao ver que a professora daqueles meninos e meninas não sabia que no Brasil falamos português. A reportagem está postada abaixo e sugiro atenção a esta parte em que converso com a tal professora.  

Porque eles conhecem tão pouco o Brasil a ponto de cometer essa gafe?


Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A