Quebra-cuca emocional.

30
mai
21h01

Lealdade 150x150 Quebra cuca emocional.Ainda na adolescência ouvi uma frase que marcou: ela dizia que “mais vale a lealdade que a fidelidade”. Apesar da controvérsia que o assunto gera - já que para muitas pessoas não há uma coisa sem outra - consigo ver: são virtudes sim diferentes. Diferentes e separadas, por mais que se completem e se misturem a ponto de só mesmo um olhar preciso como bisturi para separar os dois conceitos em um relacionamento.

Definir limites para essas duas coisas não é tarefa fácil. Aliás, definir valores e sentimentos é tarefa ingrata: são tantos os nomes, tantos rótulos e tantas as formas que tratamos o que não é físico, palpável e material que acabamos nos perdemos no campo conceitual. Normal. É típico do ser humano tentar explicar , definir, conceituar tudo , para  colocar “cada coisa em sua gaveta”. Mas precisamos ter essas gavetas tão arrumadas?

Nenhum sentimento é único ou absoluto em relação a um único ser. Podemos amar, odiar e voltar a amar de novo com uma rapidez que qualquer conceito de estabilidade emocional seria tão inócuo como tentar colocar nuvens dentro de um vidro de maionese. Também podemos passar de seres amados para odiados, com a mesma rapidez que o sinal de trânsito amarelo se torna vermelho.

maos 150x150 Quebra cuca emocional.Amarrando os dois conceitos pergunto-me do alto do meu devaneio psicótico: quando oscilamos esses sentimentos e conseguimos odiar - mesmo que apenas por 1 minuto - quem amamos, também temos o direito de flexionar a condição de lealdade e fidelidade?  Tenho minhas próprias respostas prontas, mas gosto de ouvir opiniões.  

 Outras palavras que me intrigam são “resistência” e “resiliência”. Parecem a mesma coisa, mas há diferenças. Uma decepção pode não nos derrubar. Mas do que adianta continuarmos de pé se não conseguirmos nos livras das marcas que vem a reboque depois de um grande trauma? Essa é a resistência aos traumas: não derruba, mas nunca mais somos os mesmos. Eles ficam marcados lá dentro, em algum lugar que não podemos às vezes ver.

A “resiliência” é o que avança esse conceito. Ao pé da letra é a capacidade de superar obstáculos, problemas barreiras, mas sempre voltando ao estado original. Num bom português, quase aquele “enverga mas não quebra”. É superar dificuldades mas com um diferencial: livrando-se das marcas da mágoa.

Quem sou eu senão o inexperiente “Sr. ninguém” quanto o assunto é relacionamentos interpessoais de qualquer tipo para dizer isso, hein? Minhas teses finais jamais passaram sequer perto da psicanálise. Mas a vida é o melhor divã pra se aprender que o relacionamento interpessoal, no amor ou no trabalho, exige mais “resiliência emocional” que “resistência burra”. É nesse caminho que tento evoluir... 

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