Freio pra que no Flamengo?
ÚTLIMA ATUALIZAÇÃO: 03/05/2011 às 08h52
Me assustei com uma reportagem que foi ao ar no "Fala Brasil". O entrevistado era um antigo segurança de Osama Bin Laden que contava com prazer e orgulho ter protegido e evitado a morte, em vários episódios, do homem mais caçado do planeta. O mais impressionante foi o final da matéria: o ex-segurança mostrou o próprio filho, de apenar 5 anos de idade, e disse ter orgulho se um dia o filho for "sacrificado" em nome de suas crenças.
No mesmo jornal, praticamente na sequência - numa paginação quase proposital - acompanhava a notícia de que 1 pessoa morreu, 9 foram baleadas e mais de 120 foram encaminhadas a duas delegacias depois de duas "mega-brigas" por causa de futebol. Uma delas foi na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a outra foi no município de Niterói. Nas duas sabe qual foi o motivo da briga? A rivalidade entre vascaínos e flamenguistas por causa do jogo de domingo, que deu o título ao time rubro-negro.
Me pergunto: será que podemos criticar o fundamentalismo dos outros quando temos na nossa sociedade verdadeiros "talebãs" do futebol? Nossa humanidade é hipócrita. E não se assuste, caro leitor, porque estou me incluíndo também nesse "bojo". Sob o pretexto de não exagerarmos em nossas comparações, estamos sempre esquecendo que, no fundo, fazemos exatamente o mesmo: matamos por nossas convicções, por mais idiotas que elas possam parecer ao olhos do próximo. A diferença é só a proporção dos atos analisados.
Não se trata aqui de nenhuma defesa a qualquer tipo de terrorismo. Se trata de condenar mais uma vez a estúpida violência advinda dos torcedores terroristas do futebol. Uma forma difrente de olhar quem usa o esporte para passar de moto atirando em quem está na calçada simplesmente porque as cores da camisas vestidas são diferentes. Quem é mais "Osama" nessa história toda?
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POSTAGEM ORIGINAL:
Renato e Jordan sempre foram amigos. Competentes, ambos tem faro jornalístico apurado, sabem onde está a notícia, seu foco e como trabalhar o assunto no ar. Mas tem uma coisa que os dois não concordam: na escolha do time do coração. Renato é flamenguista doente. Jordan vascaíno doente. Aliás, “doente” é uma palavra que deve ser abolida nesse tipo de disputa. Se questionados, um sempre vai dizer que “doente” é o outro por torcer para o maior adversário. Imagino como vai ser esse encontro “sem freio” hoje, quando chegar à redação.
As camisas de time não são proibidas no local de trabalho. Quer dizer... há exceções. Na nossa redação-estúdio, o chamado “newsroom” - que funciona como cenário de fundo de alguns jornais - não dá para estampar no peito ou nas costas o time tão amado, né? Afinal de contas ali é só passar por trás dos apresentadores e pronto, já estaria no ar. Pergunto-me: se esse tipo de regra não existisse, será que alguém conseguiria prestar a atenção nas notícias mostradas hoje?

Foto antiga: Renato Chappot (esquerda) ao lado de um ex-estagiário que era chamado de "Chappozinho" dada a semelhança física e paixão pelo mesmo time. A foto do Jordan fico devendo. / Arquivo Pessoal.
Pobre amigo Jordan. Hoje não vai adiantar dizer que a culpa é dos pênaltis. Tudo bem, eu sei que parece até que o Flamengo tem um caso de amor com esse tipo de penalidade. Mas o título já foi para as mãos rubro-negras e o jeito vai ser engolir à seco os gritos que se ouvia no final da partida, do lado de fora do Engenhão: “vice-de-novo, vice-de-novo!” Só quem trabalha na mesma redação que eu sabe o quanto a disputa desses dois é igual à disputa de campo mesmo, embora sempre no bom humor e na amizade que lhes é peculiar. Seu Manoel, outro vascaíno da melhor qualidade, é dono da pensão onde muitas vezes vamos almoçar. Outro sofredor. Pobre Manoel...
Quantos “Renatos e Jordans” existem por esse Rio de Janeiro à fora, hein? E se contarmos o Brasil todo? E se levarmos em conta o mundo, já que Flamengo é dono da maior torcida do planeta? Vai ser gozação pra mais de uma semana, ou até uma temporada inteira! E não venham me dizer que esse texto saiu de mãos rubro-negras! Sou uma espécie de adepto do “movimento dos sem time”. Filho de uma tricolor com um vascaíno - se fosse vivo estaria muito triste hoje - não encontrei muito caminho pra mim na área do futebol. Por isso, acho que posso falar com propriedade.
Mas também não vou mentir: já fui “flagrado”, digamos assim, na torcida do Flamengo no Maracanã em 2008, quando o time enfrentava o Botafogo. Taça Guanabara, se não me falha a memória. Meu álibi? Bom, fui levar o filho de uma grande amiga de Brasília ao estádio para ver o time dele do coração. Só não esperava que fosse acabar sendo reconhecido no meio da geral. Rapidamente ganhei ma camisa de presente e uma bandeira “apareceu”. Pronto. Era o que precisava para que essa foto fosse tirada:
A pergunta: no meio daquela torcida toda, você deixaria de atender ao pedido e colocar a camisa do time? Essa foto me custou o título de “flamenguista” desde os meus “primórdios” no Rio de Janeiro. Não havia nem um ano que estava aqui. É bem verdade que aprendi a admirar muito a garra do time e principalmente da torcida. Como admirador e observador do comportamento humano, a paixão pelo Flamengo é quase um “case” a ser estudado.
A quem interessar possa, então admito: fui flamenguista por 45 minutos do segundo tempo de uma partida decisiva. Não passou disso. E olha que naquela época foi na goleada mesmo, viu? Nada de pênaltis para ajudar essa nação rubro-negra, que hoje merece parabéns...












