UPP, Unidade de População “pressionadora”.

22
jun
09h37

eleicao urna 150x150 UPP, Unidade de População pressionadora.É impressionante como um mesmo assunto poder gerar impressões tão diferentes dependendo apenas de quem o analisa. Tudo depende apenas da região avaliada. As UPP´s - Unidades de Polícia Pacificadora - coqueluche e meninas dos olhos do governo Sérgio Cabral - podem ser a redenção para moradores de comunidades da capital, mas também podem ser uma sentença anunciada para outros municípios que circundam o Rio de Janeiro “capital”.

A reclamação número 1 de moradores de São Gonçalo, Itaboraí e até de Niterói quando o assunto é segurança pública é o aumento da criminalidade nessas regiões. A polícia civil vem lutando contra o desafio - inglório? - de reduzir, por exemplo, o número de homicídios dos municípios, que no ano passado chegou a marca recorde de 404 só no ano passado, quando começaram as instalações das UPP´s aqui, do outro lada da Baía de Guanabara. Não há nada de novo em se relacionar o aumento do crime por lá, com a diminuição do crime por aqui. Não precisa ser especialista em segurança para entender o fenômeno: é o chamado “tráfego do tráfico”, que viu suas atividades enfraquecidas na capital.  

Não leia aqui nas entrelinhas nenhuma crítica direta ao modelo adotado para conter a criminalidade. A UPP é, sem dúvida alguma, uma excelente idéia de ocupação que mostra que a diferença entre resolver o problema e lamentá-lo, estava apenas na chamada “vontade-política”. Mas também não leia aqui nenhum afago à sistemática empregada pelas mentes pensantes da nossa segurança.  Meu questionamento hoje é até que ponto as UPP´s representam mesmo um comprometimento com mudança e não apenas marketing político?

Mangueira 011 UPP, Unidade de População pressionadora.

Ocupação da Mangueira no último domingo. "Cinturão de Segrança" ao redor do Maracanã. / Foto: R7.

 A última comunidade ocupada, no fim de semana, foi a Mangueira. Com isso a inteligência da polícia fechou o que chama de “cinturão de segurança” ao redor de equipamentos esportivos importantes com, por exemplo, o Maracanã. Reparou que se trata exatamente de uma espécie de “circulo” mesmo ao redor do estádio mais conhecido do Brasil? A mesma circunferência também “blinda” de certa forma o estádio do Engenhão, onde comitivas e mais comitivas vão transitar na época da Copa e das Olimpíadas. Quem mora nessas regiões celebra.

E quem mora fora? - quem mora em regiões menos lembradas pelo poder público, também como Caxias, Nova Iguaçu e Queimados, tem uma percepção diferente. O que escuto deles é que, a cada dia que passa, é mais clara e cristalina a visão de que o tráfico e a criminalidade estão sendo “varridos” ara longe... por mais que o “longe” para as autoridade públicas seja “perto” de quem mora no cinturão de municípios ao redor do Rio de Janeiro capital.

Por mais que dizer isso pareça “chover no molhado”, resolvi escrever sobre tema depois que um morador de Queimados me perguntou o que deveria fazer para reclamar de bandidos que mudaram de endereço, saindo da zona sul, para uma “boca de fumo” recém inaugurada perto de sua casa. O que dizer nesses casos quando o município é outro, mas a polícia é a mesma no estado todo?   

Sugiro uma mobilização em torna da criação de “Unidades de População Pressionadora”. Por mais virtual que seja a idéia, alguém, de alguma forma, representa esses municípios junto a esfera estadual, certo? Mobilize seus vereadores, pressione seu prefeito. Cobre desses políticos - eleitos com o seu voto - que não sejam apenas cabeças que se inclinam “para frente e para trás” em sinal positivo a tudo o que o governo estadual faz. A sacada das UPP´s é válida. Mas a chance da população testar seus eleitos é agora: prestar a atenção em quem cobra que as boas idéias no Rio que é “cartão-postal” não sejam apenas para “inglês ver” no subúrbio e região metropolitana. Se o governador Sérgio Cabral vai levar marcas negativas de sua gestão - como no caso dos bombeiros - e positivas, como no caso das UPP´s, esse ônus também precisa ser divido com políticos regionais. Observe bem que em nome de deixar o Rio capital bonito para a festa acaba fingindo que não precisa de reforço em nada onde as comitivas esportivas não passarão. Grave em sua memória nomes, números, atitudes. Se possível anote tudo! Afinal de contas serão os mesmos que vão, novamente, na porta da sua casa em Caxias, Nova Iguaçu, Queimados, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí fazer o que sabem fazer de melhor: pedir o seu voto.

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