Essa é a verdade sobre nossos bueiros?

18
jul
17h11

228 artigo explosoes bueiros 150x150 Essa é a verdade sobre nossos bueiros?Não há mais como ter tolerância. Não há mais como tratar o assunto com bom humor. A questão dos bueiros que explodem debaixo de nossos pés joga definitivamente para os ares a confiança do carioca em toda e qualquer empresa que cuide dos nossos subterrâneos. Corrigindo: subterrâneos de Copacabana e Botafogo. Mas afinal de contas o que há de escondido nessas tubulações que a prefeitura não quer mostrar?

Porque eles explodem? - para o engenheiro aposentado com quem conversei sobre o assunto, a pergunta completa seria: porque isso só acontece nesses bairros? O ex-funcionário público – que só concordou em falar desde que seu nome e a empresa para qual trabalhou não fossem divulgados – tem uma teoria. Obrigado a “caminhar” por muitos anos em subterrâneos desses bairros, a constatação sempre foi surpreendente: nunca houve um planejamento concreto de como seriam os subterrâneos, as galerias nessas regiões. “Botafogo e Copacabana foram bairros que se desenvolveram juntos, de forma rápida e sem tempo de planejamento. Hoje o carioca paga por isso.” – diz ele. Não precisa ir muito longe para perceber que esse tipo de raciocínio pode fazer sentido. Copacabana, por exemplo, teve seu “boom” imobiliário nas décadas de 50 e de 60. “Nessa época, o Rio de Janeiro começava a virar as costas para a Zona Norte definitivamente.” – diz o engenheiro, que acompanhou de perto a urbanização da "princesinha do mar".

intervencao bueiro 1 Essa é a verdade sobre nossos bueiros?

Essa corrida para “morar bem” no bairro mais nobre da cidade - que ainda começaria a ser cantado em verso e prosa - fez com que muitas tubulações fossem feitas “a toque de caixa” e sem tanto ordenamento. Não eram raros os casos, conta ele, em que um duto começava a ser cavado de um lado, outro duto do outro lado, em linha reta e os dois não simplesmente se encontravam por erros de projeto! “Como pode em engenharia dois pontos que precisar ser ligados não terem uma reta única entre eles? – se revolta ele, já prevendo que isso poderia causar problemas 10 ou 20 anos depois. “Era ingenuidade acreditar que o único problema no futuro seria ter mapas dos subterrâneos cariocas como um verdadeiro labirinto.” - completa.

Esses “puxadinhos” que perdiam seus objetivos de ligação direta entre bueiros, acabaram virando “dentes” que sobravam na reta onde os canos iriam passar. Pausa para um devaneio muito meu: seria esse o motivo da infestação de ratos que o Bairro Peixoto sofreu na década de oitenta? Há perguntas difíceis de serem respondidas. Como disse antes, tudo não passa de uma teoria: nenhum repórter esteve lá em baixo para conferir. Se “Light” ou “Ceg” tem esse tipo de conhecimento, dificilmente diriam. Nenhuma das duas nunca mencionou algo do tipo. Seria verdade?

11091826 Essa é a verdade sobre nossos bueiros?

Copacabana, abril: qual potência explosiva se acumula para causar esse estrago? - Foto: "Agência Folha".

Antes fossem só os ratos - Qualquer “caminho perdido” por baixo dos nossos pés pode servir de câmaras para o acúmulo de água, gás ou dejetos. Imagine um duto que vem do subterrâneo para alcançar a superfície e dá de cara com um prédio construído em sua suposta zona de escape? Resumindo: por algum lugar essa pressão escondida e contida precisa ganhar vazão...

É claro que a toda e qualquer idéia que explique o porquê de tantos bueiros explodirem, soma-se o fato de que a manutenção desses subterrâneos é precária. Isso qualquer funcionário atual dessas concessionárias pode dizer. Um vedamento mal feito em uma tampa de bueiro, por exemplo, pode representar uma entrada fácil para a água da chuva. Se essa tampa for justamente de uma caixa subterrânea de energia... não precisa explicar muito.

A explosão para mais um bueiro da “Light”, na manhã desta segunda- em Botafogo, zona sul do Rio, pode ter sido um caso como este. Foi um “curto-circuito interno”, dentro no bueiro, explicou a empresa. Pior ainda quando “Light” e “Ceg” se misturam: segundo o coordenador da Comissão de Análise e Prevenção do Crea, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, Luiz Cosenza, é possível que tenha havido presença de gás na tubulação de energia. Ou seja, o produto de uma empresa invadindo o duto da outra. Acho que todo mundo sabe que gás e energia não devem “caminhar” juntos, certo?

Explosão 2 Essa é a verdade sobre nossos bueiros?

Vidros quebrados, lojas atingidas: se não houvesse gás na tubulação de energia a tampa teria voado tão alto? / Foto: R7.

Essa é uma pequena mostra da miscelânea que passa por baixo dos nossos pés. Mas autoridades públicas só não podem dizer uma coisa: que não viram ou que não foram avisadas do perigo que está debaixo de nossos narizes.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A