A polícia errou… de novo?

10
ago
10h58

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO 11/08/2011 às 13h40

Lendo todos os comentários postados aqui pelos leitores, nao dá pra deixar de ter "aquela velha opinião formada sobre tudo" que envolve polícia no estado do Rio de Janeiro. Minha conclusão final sobre o tema é que nossa polícia não merece mais a prerrogativa de que "errar é humano".

Aluno Fracassado1 150x150 A polícia errou... de novo?A Polícia Militar carioca vem se mostrando inapta e inepta em corrigir seus erros porque, simplesmente, parece não estudar seus deslizes como "cases" para aprendizados futuros.  Exatos 11 anos se passaram desde o caso com o "ôibus 174" e a polícia - por pouco - não terminou o caso do ônibus na Avenida Presidente Vargas do mesmo jeito.

É como um aluno que não aprende. Evolução "zero" nos casos envolvendo coletivos aqui no Rio. Para não ser injusto, tenho que lembrar o caso de um ônibus sequestrado por um marido inconformado com uma separação. Foi na Avenida Brasil quando o coletivo vinha da Baixada Fluminense.

Mas tirando essa excessão, os policiais militares - que merecem todo meu respeito - estão mais em débito do que com crédito. E olha que somos peritos, com toda modéstia à parte, em mostrar o que também existe de bom dentro da corporação.

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POSTAGEM ORIGINAL:

arma 3 150x150 A polícia errou... de novo?Não faz nem um mês que testemunhei uma história parecida, porém com desfecho diferente. Na mesma Avenida Presidente Vargas - sobre a qual parece pairar uma certa “zica” que por sua vez parece ter vindo da Avenida Brasil - presenciei um assalto à coletivo que terminou em tiros e com um cobrador baleado na cabeça. A polícia agiu rápido e conseguiu controlar a situação.

 E foi uma ação rápida mesmo. Empunhando meu celular que registrava tudo, pude ouvir passageiros que, apesar de se darem por satisfeitos com a ação da PM, questionavam se a troca de tiros teria sido mesmo necessária. Fui convencido de que os disparos foram inevitáveis quando um jovem, que estava dentro do ônibus, disse que os bandidos puxaram o gatilho primeiro, fazendo inclusive o cobrador atingido de “escudo humano”.

Nesse novo caso são pelo menos 20 depoimentos que dizem o contrário: que os bandidos não deram um único tiro. Quem teria aberto fogo teria sido a própria Polícia Militar. Não. Não é preciso ser perito em segurança pública ou trabalhar com jornalismo policial, para chegar a conclusão que qualquer criança de cinco anos chegaria e explicaria “desenhando”: não se atira em uma situação em que há reféns tomados por criminosos. Não se não estivermos falando de situação extrema, a chamada “última possibilidade”. O treinamento diz que o protocolo é negociar até a exaustão. Ao contrário disso, a Polícia Militar deu um atestado de imperícia.

 
 
 
 

onibus A polícia errou... de novo?

Tiros e passageiros baleados: erro de avaliação da Polícia Militar? - Foto: R7.

 

As perguntas começam assim: porque a polícia atirou primeiro se havia 20 pessoas inocentes à bordo? A primeira argumentação, ainda na madrugada, era a de que isso foi necessário para que os bandidos não tentassem uma terceira fuga - já que por duas vezes o ônibus havia sido colocado em movimento - guiado por um passageiro que era obrigado pelos bandidos a dirigir. Mesmo com todo treinamento que nosso policiais supostamente recebem, parece que não foi possível mirar apenas nos pneus do coletivo: fotos tiradas no local, antes mesmo que o ônibus fosse recolhido para uma perícia, mostram que as furos dos tiros perfuraram a lataria bem acima dos pneus, inclusive na lateral onde fica o motorista. Na perícia no Instituto Carlos Éboli, os números gritam contra a PM: foram 16 tiros contabilizados em toda a lateria até agora. Não foi preciso especular muito para ouvir, de colegas de farda mesmo, que o objetivo era “apagar” o motorista que deduzia-se ser um dos bandidos.

De trapalhada em trapalhada, a Polícia Militar ainda fez mais: conseguiu perder a chance de fazer as contas de quantos bandidos estavam à bordo quando não soube distinguir se o primeiro homem a descer do ônibus correndo era mesmo o motorista em uma fuga desesperada ou um dos quatro criminosos. Nessa hora um dos bandidos - esse de verdade - consegui escapar.

 
 
 
 

policial bus A polícia errou... de novo?

Policias revistam ônibus sequestrado: tiros teriam partido de dentro do coletivo ou de fora? - Foto- R7.

 

E as confusões não pararam por aí. Ainda teve a derradeira: em uma tentativa, não se sabe de prover segurança para curiosos e jornalistas que se aproximavam ou de evitar que “desencontros” assim fossem flagrados; um PM chegou a agredir um repórter cinematográfico que estava no local.

Não acho que seres humanos são infalíveis. Policias também podem (mas não devem) errar, avaliar mal e estão suscetíveis a ações por impulso. Você, eu, ou qualquer outra pessoa, também poderia errar mesmo diante de todo treinamento que “supostamente” é dado. O que surpreende é a sequência de ações que pareciam mal pensadas e orquestradas no calor da emoção. Logo a Polícia Militar do Rio de Janeiro que leva o peso nas costas - e para toda a vida - do caso do ônibus 174 no Jardim Botânico há exatos 11 anos.

Se não fosse em um ônibus, seria facilmente caso de um bonde a todo vapor que, com ou sem freio, parece não ter é motorista.

 

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