Uma estrela cansada
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 13/08/2011 às 14h30
Para fechar bem a semana, seguem dois momentos do programa que me marcaram. O primeiro deles é uma homenagem muito especial a um pai próximo de toda a equipe do "Hoje em Dia - Rio". Para que procurarmos apenas pais e filhos famosos às vésperas do Dia dos Pais, quando as histórias mais bonitas e comoventes podem estar bem ao nosso lado? O William - mais conhecido como "urso branco" por obra do amigo Wagner Montes - é um exemplo dessas casos. Ele é assistente de estúdio no programa. Foi a filha dele, de apenas onze anos de idade, que encontro a mãe deitada, já morta, depois de um ataque fulminante do coração. A partir desses dia os dois viram que teriam que unir forças não só para superar a perda, mas também para cuidarem um do outro.
Falar em "pai" no Dia dos País não é fácil para quem não tem mais o seu pai ao lado. Esse infelizmente é o meu caso e o caso também da Mariana Leão. Por isso resolvemos mostrar no ar um caso que faz parte do nosso dia-a-dia, dos nossos bastidores. O William e a filha são guerreiros natos! Veja:
Já que desse feijão eu não provei, o melhor é comemorar o dia servindo! Vamos falar de coisas alegres? Que tal dar mordomia para o papai hoje? Mesmo sem ser tão bom nisso, eu arrisquei aprender a servir de verdade, mas não para homenagear os pais. Nessa semana também foi comemorado o "Dia do Garçom". Como não poderia deixar de ser, lá fui eu aprender um pouco sobre esse ofício. Então, para os pais que vão ter que trabalhar até mesmo no domingo "deles", fica nossa homenagem!
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POSTAGEM ORIGINAL:
Entrevistar Dionne Warwick é, sem dúvida alguma, um privilégio. E não se engane em achar que nesse tipo de afirmação está embutida alguma dose exacerbada de orgulho por tal proeza. Muito menos que paire sobre a cabeça de alguém alguma admiração tendendo ao fanatismo. Nenhum dos dois. É um mero reconhecimento - equilibrado - a quem criou mais que música: criou um estilo.
Pouca gente sabe mas foi Dionne Warwick que, na década de 60, criou o conceito de “diva” no mundo do “showbiz” internacional. E é a pura verdade. Mesmo sem ter consciência disso naquela época, ela criou um estilo. Aquela mulher poderosa, no alto de um pedestal, com poder de ter quem quiser aos seus pés usando o charme e talento para isso não é invenção pós-moderna de Rihanna ou Beyoncé. De certa forma Madonna também seguiu exatamente os mesmos passos, só que com uma dose extra de irreverência e coreografias viscerais. Mas ainda assim, mesmo com sua genialidade, foi seguidora. A origem de tudo estava lá: Dionne Warwick.
Mas a diva famosa e “setentona” também demonstra sinais de cansaço. Dionne Warwick nos recebeu em seu camarim, logo depois de um show de quase 2 horas no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, bastante cansada. E leia-se “bastante” em letras garrafais. Dona de um sorriso envolvente e de uma voz que dispensa comentários; a impressão que se tem é que ela pode dizer o que quiser - mesmo se for indelicado - de forma tão meiga que seria incapaz de ofender.
Algumas de suas primeiras palavras foram exatamente essas: tempo e cansaço. A cantora pediu - e não foi uma vez apenas - que a entrevista fosse breve e que começássemos o mais rápido possível. Seu semblante remetia ao cansaço. Tão cansada que mal conseguiu prestar a atenção quando disse que tínhamos um amigo em comum: Billy Paul, que recentemente esteve em nosso programa. O abraço afetuoso que o rei da “soul music” pediu que desse nela quando nos falamos por telefone, minutos antes da entrevista, ficou para a próxima.
Por falar em Billy Paul, outra sensação que tive ao lado de Dionne Warwick foi a de que ela não tem a mesma disposição para falar dos percalços em relação a drogas como Billy tem. Para refrescar a memória dos mais jovens, há exatos 10 anos, Dionne Warwick foi detida no aeroporto de Miami com uma dúzia de cigarros de maconha. De acordo ainda com a imprensa americana, o álcool também foi outro vilão ao longo de seus quase 50 anos de carreira. Limitei-me a perguntar sobre a prima dela, Whitney Houston, notoriamente envolvida com os mesmos males em uma realidade mais recente. A senhora Warwick limitou-se a dizer que “ela agora está bem.” - e concluiu com um imenso sorriso dizendo: “vou dizer que você perguntou por ela.”
Apesar de ter projetos voltados para o Rio de Janeiro como seu próximo CEP residencial, Dionne Warwick foi muito franca sobre o que pensa, quando reproduzi uma pergunta enviada por um fã pelo Twitter (@hojeemdiario, @fabioramalho), minutos antes: questionada se o Rio era mesmo a cidade maravilhosa, ela disse que “não poderia afirmar isso porque conhecia tantos lugares incríveis no mundo...”
Dionne é uma fã incondicional do Brasil e dos brasileiros. Acredito piamente que não teve a intenção de parecer arrogante como, por um minuto, me remeteu tal resposta. Mas ela estava cansada. Cansada ao ponto de depois de uma das últimas repostas, quando a entrevista ainda caminhava para seus 15 minutos de duração, simplesmente dizer “eu preciso ir agora” - ainda com a câmera ligada. A cantora de “I´ll Say a Litlle Pray for You” precisava de mais descanso que qualquer um de nós.
Dionne Warwick não estava apenas cansada: estava esgotada. Consigo me lembrar muito bem de seu rosto, já na porta do camarim, quando olhou-me direto nos olhos e, com um sorriso de derreter qualquer coração, pediu desculpas por estar tão exaurida para dar a entrevista.
Dionne Warwick consegue ser tão sincera que deixa a dúvida no ar se foi indelicada ou se foi apenas honestidade embrulhada em gentileza. Na dúvida fico com a segunda opção. Logo ela deu um passo para trás e, como toda boa carioca que se preze, se despediu com dois beijinhos no rosto levando em suas mãos a orquídea que lhe dei durante a entrevista.
Consegui entender que uma entrevista não depende apenas da vontade que temos em ouvir. Dependemos, claro, da vontade e das limitações - mesmo que momentâneas - de quem vai falar. Mesmo também cansado e voltando para casa com uma entrevista debaixo do braço que não rendeu tanto quanto as que fizemos com Billy Paul, Rosie Huntington, Josh Duhamel, Michael Bay e Tom Felton - entre outras celebridades internacionais - passei a admirar ainda mais a cantora.
Conheci Dionne Warwick por Dionne Warwick, sem máscaras, sem falsidades. Ser “diva” é exatamente isso...











