São Gonçalo sem lei
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 23/08/2011 às 7h51
Receber comentários anônimos não é nenhuma novidade aqui no "blog". Nada fora do comum pessoas que querem fazer denúncias, expor sua opiniões mais contundentes, sem necessariamente serem identificadas. Mas os comentários de leitores nesta postagem talvez sejam o melhor termômetro do que acontece hoje no município de São Gonçalo.
Nunca houve um índice tão grande de mensagens anônimas denunciando o que nossas autoridades tem tanta dificuldade em ver. O final do texto que postei ontem parece que funcionou como ponta-pé inicial para uma "catarse" coletiva. Vou destacar apenas um dos comentários que traduz exatamente isso. Sugiro uma visita à página de comentários, onde há muitos outros. Vale conferir como essa é a maior prova de que estamos falando de uma cidade com medo, dominada por um poder literalmente paralelo. Veja só:
" Fábio, não só sabemos que a milícia existe como sabemos quem são as pessoas. Porque não denunciar? É muito simples: pra você que mora longe, provavelmente em uma casa cara na zona sul, é fácil. Aqui a gente tem medo de morrer!" - anônimo
O que acham disso? A população precisa denunciar mais ou o medo "congela"?
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POSTAGEM ORIGINAL:
A cidade pode até ter nome que começa com prefixo de santidade. Mas é só isso. São Gonçalo não está nem para "São" nem para uma cidade "sã" qaundo se fala em corrupção policial, acusações de envolvimento de policiais com milícias ou crimes sem esclarecimentos. A média estadual no Rio de Janeiro é alarmante: de cara 10 crimes cometidos, apenas 4 são elucidados. Os números podem estar desatualizados mas são da própria secretaria de segurança. Imagine como não ficam esses índices então nessa cidade esquecida pelas autoridades de segurança?
Se você não é do Rio de Janeiro, eu explico: São Gonçalo é município que compõe o chamado "Grande Rio". É cidade que fica ao lado de Niterói, apenas se cruzando a "poça" pela Ponte Rio-Niterói. Cerca de 30 minutos da capital do estado.
Imagino o roso ruborizado do comandante-geral da Polícia Militar. É no mínimo vergonhoso ter que determinar uma investigação para saber se a munição usada para matar a juíza Patrícia Acioli, no último dia 12 - em Niterói - pertencia mesmo à PM. A vergonha não é buscar a verdade. Desconsertante é se pairar a possibilidade que isso aconteça na cidade qué é a segunda mais importante do "outro lado" da Baía de Guanabara.

Juíza Patrícia Acioli: luta contra milícias com penas duras. Morte por encomenda de quem? / Foto: R7.
O texto do R7 de hoje me revoltou. Quem não fica revoltado com isso? As balas que vitimaram a juíza - todas de calibre 40 - seriam de um lote de 10 mil projéteis vendido pela CBC - Companhia Brasileira de Cartuchos - à Polícia Militar. Não se trata de acusação vazia: é que não dá para deixar de considerar que coincidências são difíceis de acontecer quando se descobre que entre as três unidades que receberam a munição, está o 7º BPM, em São Gonçalo, área justamente onde Patrícia Acioli combatia a presença das milícias e grupos de extermínio!
A moralização de São Gonçalo passa por uma moralização imediata de sua polícia quando se fala de segurança. Cheguei a ouvir até o começo deste ano - e muito - que havia um esforço do atual comandante do mesmo batalhão para combater esse tipo de descaso dentro da corporação. Mas o apodrecimento da "tropa do mal" que existe em São Gonçalo - seja ela de policias militares, civis ou bombeiros - parece ser mais rápida. Os bons homens da lei que me perdoem, mas é público e notório que existem essas forças paramilitares por lá.
O caso da morte da juíza não pode passar impune. Não apenas por consideração aos filhos e familiares dela como o Humberto, primo da juíza, que foi nosso colega aqui de emissora e hoje está na Bandeirantes. É pelo bem e pela moral da própria polícia que, se tiver participado mesmo deste assassinado, terá dado seu "pior tiro no pé" desde sua instalação dentro de São Gonçalo.
Como diz o ditado que "há males que vem para o bem", só falta o governador agora olhar mais para o que existe depois da ponte. Prestar mais a atenção no que toda a população de São Gonçalo já ouve falar faz muito tempo, mas que parecia não ecoar nos corredores de mármore de Carrara do belo palácio do governo. Tem sim governador, muito mais que Icaraí e o MAC quando a ponte termina.












