Você é o que você fala?
Eu realmente entendo que nossa língua portuguesa não é mar de rosas. Depois de Machado de Assis ficou mais difícil escrever "difícil". Aliás, difícil é um conceito variável. Para Duque Estrada, por exemplo, estrofes com "brado retumbande" e outros termos rebuscados, eram apenas palavras "corqueiras" no começo do século XX.
Hoje a coisa é diferente: o rebuscado perdeu vez e deu lugar ao simples. Como disse-me o professor de português entrevistado no programa de hoje, "se eu falo e você me entende é o bastante para a maioria". O professor não está errado. Desde o tempo das cavernas, a comunicação, claro, é o primordial. Mas não é só isso.
Eu mesmo, jornalista formado e acostumado com lidar com palavras desde cedo, tenho que admitir que as vezes também me pego em situações de completo "branco gramatical" quando invocada a grafia de alguma palavra não tão utilizada no dia-a-dia. As vezes são os leitores que me chamam a atenção para algumas grafias erradas por causa de falha na digitação aqui no blog! Como poderia ser tão hipócrita de exigir conhecimento pleno e absoluto de nossa língua por parte de todos os brasileiros? Mas pelo menos conhecer a lingua culta não é pedir demais...
O show de horrores que vimos hoje quando brasileiros mostraram no "Hoje em Dia - Rio" não saber o significado de 90% do nosso hino brasileiro nos faz rir, mas seria para chorar. Não era um daqueles episódios de "Ídolos". Não mesmo. Era um espetáculo que mostra o quanto o ensino e o aprendizado dos valores linguísticos de nossos símbolos nacionais - e de toda a língua portuguesa - está precário. Nessa hora que me sinto mesmo um "titio": na minha época de escola a letra e o estudo dos nossos hinos estavam nas aulas de educação moral e cívica. Era chato. Ainda é chato para a maioria das crianças ou adolescentes... eu admito, não vou ficar aqui floreando. Mas é necessário como um remédio amargo. É o que falamos. E se o que falamos é o que somos, o alerta que vejo é que precisamos "ser" melhores.









