Educação: zero em comportamento
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 13/09/2011 às 15h12
Já que assunto é educação, está faltando nosso poder público explicar - um pouco melhor - o que acontece com os alunos do curso técnico do Colégio Pedro Alvares Cabral. Não é a primeira reclamação que nosso departamento de jornalismo recebe sobre isso. O que vai ser feito deles? Veja só o último comentário que recebemos aqui no blog:
"Fábio Ramalho, o governador está querendo municipar o colegio Pedro Alvares Cabral, se ele fizer isso não vai só prejudicar os professores e sim os alunos, pois aqui em São João de Meriti existe apenas tres escolas com um ensino excelente, um deles é o Cabral. Sem contar que nesse colegio tem tecnico de patologia, e isso é muito importante pra nós alunos. Bom precisamos da ajuda de todos, se o senhor puder nos ajudar desde já agradecida." - Beatriz
Não quero fazer juízo precoce, mas estão querendo abrir mão de uma das poucas coisas que funcionam no nosso ensino público?
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POSTAGEM ORIGINAL:
Na época da minha mãe era diferente. Dona Marluce - hoje com 75 anos - conta que estudar em escola pública nas décadas de 50 e 60 era motivo de orgulho. Os melhores professores - e o melhor ensino - estavam na rede bancada pelos nossos próprios impostos. Claro que nessa época ainda não havia ocorrido o “boom” das escolas particulares, como aconteceu depois, meados da década de 70 e depois, na década de 80, quando comecei a estudar. Mas nem precisava só o colégio ser forte. “A escola quem faz é o aluno” - diz minha mãe hoje, repetindo a frase mais ouvida durante todo meu ensino fundamental.
Claro que quando eu “alisei banco de colégio” - expressão que ela usa para definir quem estuda, seja ou não bom aluno - a história já não era mais essa: os pais da chamada “classe média” em diante, não pensavam duas vezes antes de escolher os colégios pagos para matricularem seus filhos. Hoje testemunho diálogos de colegas jornalistas, que têm filhos em idade escolar, que dão conta que há até provas para ingressar em colégios particulares mais renomados! É quase um “vestibulinho”, paralelo a tudo que existe no mundo em termos de admissão de estudantes. Eu traduziria de outra forma: um teste para provar que não basta apenas ser bom para estudar bem. Tem que ser bom e ter média aprovada na conta corrente. Veja que curioso então quando o sistema se retroalimenta: além de criar sua própria educação - paralela - ainda cria seus próprios métodos de ingresso no sistema. Imagino como ficam alunos de escolas públicas reprovadas nos testes mais simples do Enem...
A matéria de destaque do R7 hoje, trata justamente disso: o tal do Enem - que nem existia na minha época - e que hoje, promovido pelo próprio governo, mostra onde estão as “bananas podres” do sistema. É quase que o “ombusdsman” da rede pública de ensino, seja ela municipal, estadual ou federal. É um “fiscal” do que está errado, que põe sobre a mesa alguns resultados vergonhosos sob a promessa de que "dias melhores virão".
Só uma escola pública está entre as dez melhores do país. O Colégio de Aplicação da UFV - Universidade Federal de Viçosa – foi a melhor com 726,42 pontos no exame. Apesar de ser a campeã no ranking das escolas públicas, a colocação cai se a corporação for feita com um conjunto universo maior: a mesma instituição de ensino passa para oitavo lugar em comparação com todos os colégios brasileiros. O primeiro do Brasil foi o Colégio São Bento, aqui do Rio de Janeiro. Ele obteve 761,7 pontos.

Colégio São Bento, Rio de Janeiro: melhor do Brasil com 761,7 pontos e mensalidade de quase 2 mil reais. / Foto: divulgação.
Só um detalhe: reparem que, nessa escala que vai de 0 (zero) a 1.000 (mil), ninguém chegou perto da nota máxima... percebeu?
Como se não bastasse o susto, o ranking do ministério da educação também aponta quais foram as piores escolas do Brasil. Na lanterninha estão colégios do Maranhão e do Espírito Santo. A reportagem vale uma lida com calma, para sabermos bem onde nossos “pupilos” estão estudando.
A dicotomia social do Brasil, sem dúvida alguma, não apenas passa, mas ela "começa" no quadro negro. O governo ainda vai precisar se esforçar muito para melhorar seu desempenho. E isso nunca precisou do Enem para dona Marluce saber.









