Rock in Rio. Rock in family…
Não é novidade nenhuma que o fato do festival se chamar "Rock in Rio" não o obriga a ter apenas roqueiros de plantão. Essa visão atualmente é só de quem não percebeu que a "brincadeira" do Medina de se fazer shows, em 1985, cresceu e virou não apenas um festival, mas sim um "label" para vários outros festivais que levam o nome do Rio pelo mundo. Levam nossa cidade pelo mundo, sem esquecer de trazer o mundo para o Rio, apesar da demora de sua terceira edição.O Rock in Rio me surpreendeu. Não sei se por conceitos truncados em relação a grandes festivais os quais nunca fui - Woodstock que o diga - ou por ter tido a experiência de grandes apresentações de um único artista, como Red Hot Chili Pepers, em Lisboa; ou Madonna, aqui no Rio mesmo. Na minha adolescência - longe das badalações do Rio de Janeiro - ver o Information Society cantando em Brasília foi "o evento" do século.
Século, aliás, é período que expressa exatamente quanto tempo o Brasil ficou sem um evento como esse, enquanto nossos colonizadores europeus deitavam e rolavam de alegria. Há dez anos eu tinha 27 anos, morava em Brasília nem tinha pretenções de ser um carioca por direito. Imagino o quanto a vida de tantas pessoas mudou em dez anos, hein? Muitas dessas mudanças foram filhos. O Rock in Rio é um desfile frenético de pais que levaram seus filhos, alguns ainda de colo, para ter a primeira experiência em um festival como esse. O clima não poderia ser mais familiar para um local onde eu achava que o trinômio "drogas, sexo e rock'n roll" predominaria. Ledo e preconceituoso engano. O policiamento também era frenético e muitos seguranças circulavam - com roupas menos chamativas que uniformes - no meio da multidão, para qualquer eventualidade. No dia seguinte, sábado, soube o número de ocorrências registradas, a maioria por roubo de carteiras, celulares: para um evento com estimativa diária de 100 mil pessoas, 120 ocorrências não é muita coisa. Claro que a utopia é outra.
Não vi brigas, não vi drogas. E antes que alguém possa dizer que isso é impressão de quem curte o clima da festa apenas da área VIP... nada disso. Onde menos circulei foi na área VIP onde não se sabia mais se quem estava alí eram celebridades ou pessoas "convidadas" a pagar 800 reais por dia. De qualquer forma acho que valeu: conheço muita gente que mataria ou morreria para ser convidado para ambiente tão "privé" como este. Tem quem se deslumbre. Para esses não foi preciso nada além que colocar a mão no bolso com vontade.
A regra para os jornalistas era clara: quem estivesse alí na área VIP, só que trabalhando, não poderia comer! Se fosse visto se servindo em algum dos vários "buffets" espalhados com comida brasileira, sushi e sashimi, poderia ser expulso do local e ter sua credencial "confiscada".
Mas nem a comida farta segurou a maioria - em serviço ou não - na hora dos shows mais disputados: os de Katy Perry e Rihanna. O que se via no varandão externo não era nem metade do número de pessoas que se espalhavam em outros ambientes do imenso camarote ou que, assim como eu, preferiu ficar na pista mesmo. Não foi só o fato de estar com a maioria dos amigos lá embaixo: foi preferência de ver o show, lá do "gargarejo" mesmo, e com segurança. Vi vários atores, diretores e cantores no meio do "povo" sem se incomodar. Esses são dos meus...
A rede de lanchonetes que servia a multidão - bem longe do VIP - não deu show. Na verdade revoltou muita gente que queria comer "hamburguer" de verdade e comia, no máximo, um daqueles "sandubas" de saquinho no microondas. Coisa de loja de conveniência.
Celular dentro da Cidade do Rock? Esquece. Os aparelhos de quase todas os operadoras funcionaram mal. Fiquei o festival inteiro sem postar um único "twitezinho". Ou seja, para quem chegou por volta das 19h - como eu - foram quase 12 horas sem falar ou navegar. Depois me contaram que, no segundo dia, tudo estava normalizado.
O show da musa de milhares de jovens brasileiros, Rihanna, teve dois "supostos" motivos para ter atrasado. A cantora teria demorado quase uma hora para iniciar sua apresentação porque estaria "curtindo" a festa que rolou, depois do show da Katy Perry , no camarim; ou realmente teria tido problemas na garganta/cordas-vocais? A informação que segue esta vertente é a de que um médico teria sido deslocado, de helicóptero, do Hospital Copa D'or para atender a "only girl" poucos minutos antes do show começar. Qual a verdade além daquela que todos viram e ouviram? Rihanna teve que ouvir vaias antes mesmo de entrar no palco por causa desse "delay". Portanto não adianta falar só de Cláudia Leitte, certo? Mas depois que o show começou... atraso? Que atraso? Todo mundo esqueceu.
Muito se falou sobre o transporte, mas tenho que confessar: não tive dificuldade alguma. Cheguei de taxi até o limite de onde os taxistas podiam chegar e depois - menos de 20 metros depois - peguei um "moto-taxi", devidamente licenciado e com capacete para o passageiro. O curioso foi a concorrência para os motoboys que eu dificilmente esperaria encontrar alí: moradores dos mega-condomínios que ficam nas proximidades "brincando" de fazer "lotação" ou "lotada", como se diz em São Paulo. Eram sempre jovens, curtindo a chance de ganhar dez reais por pessoa para um trajeto de 1,5km.
Resumindo? Fui, curti, voltei e sobrevivi. Aquela velha - e saudável - preocupação na hora de se participar de grandes eventos musicais não foi empecilho. O Rock in Rio mostrou que é muito mais que um festival. Os 7 dias de festas e shows são a cara da juventude carioca. Uma juventude que desde 85 vem crescendo, sem desfazer seus elos com o encontro de gerações. O Rock in Rio é, sem dúvida alguma, uma experiência imperdível.














