Pé no pedal. Você toparia?
Foi com muita surpresa que descobri um dado sobre o Rio de Janeiro que jamais imaginaria existir se não fosse a "imparcialidade" de um site que é do próprio governo do estado: você sabia que a "cidade maravilhosa" tem a maior malha cicloviária do Brasil com 140 Km de extensão?
Fico imaginando qual é o conceito que nosso poder público tem quando se fala de transporte por bicicleta. Claro que em um país que mal consegue preparar suas estradas de rodagem e suas ferrovias para um transporte eficiente e rápido - leia nisso "sem riscos" - ter míseros 140Km de ciclovias parece um mérito monstruoso.
O site ainda diz mais: que a malha cicloviária atende todas as regiões do Rio de Janeiro, passando pelas zonas sul, norte e oeste da cidade. Então alguém pode por gentileza me responder quem consegue sair da zona sul e sequer chegar ao centro do Rio de Janeiro de forma rápida, segura e sem disputar espaço com carros? O projeto de locação de bicicletas no Rio de Janeiro é outro exemplo do que dá certo "só para inglês ver". Os únicos pontos em que a locação das "magrelas", como se diz em São Paulo, deu certo foi em Copacabana e adjacências da zona sul. Não ouvi ninguém me dizer até hoje que conseguiu circular com tranquilidade encontrando pontos de locação e devolução das bicicletas em outras regiões.
Não sou um pessimista no selin da bicicleta. Acredito que o trabalho está sendo feito. Mas vamos combinar: ainda não dá para fazer salamaleques sociais com um assunto que não dominamos tanto assim. Ainda falta muito para que o Rio de Janeiro consiga comportar uma malha cicloviária como Paris por exemplo, onde o modelo de locação de bicicletas funciona, e funciona de verdade em 450km de ciclovias que ainda estão em fase de "crescimento". Eu utilizei e fiquei surpreso. Por isso, repito, não é pessimismo. Sou apenas um questionador principalmente se subo em duas rodas para constatar isso.
Yes, nós temos bikes - No último domingo participei, à convite do R7, de um passeio ciclístico no Aterro do Flamengo. E realmente foi uma maravilha dividir a pista - devidamente interditada - com tanta gente bacana que acordou cedo para colocar o pé no pedal. Mas fiz um teste bobo e rápido quando a brincadeira acabou: comecei a observar, depois dos 10km de prova, como seria minha vida se resolvesse chegar de bicicleta até o carro estacionado a cerca de 1km do monumento em homenagem aos pracinhas. Seria um fiasco total, mesmo na cidade que tem "a maior malha cicloviária do país", como diz o site do governo.
A brincadeira vai virar assunto sério no nosso programa. Nesta terça-feira eu e a Mariana Leão vamos topar um desafio diferente: sair de um mesmo ponto da zona sul do Rio, de bicicleta, com pontos diferentes de chegada. Com câmeras acopladas aos capacetes, cada um de nós vai mostrar o que o carioca enfrenta se fosse realmente de bicicleta ao trabalho, por exemplo. A matéria, não por coincidência, vai ao ar no dia 22 de setembro, o "Dia Mundial sem Carro." Como acha que vai ser esse resultado?
Enquanto isso, vamos pensar na nossa saúde? Na saúde e no bem estar de poder pedalar em uma cidade cinematográfica como a nossa! Tenho que agradecer ao Pedro e ao Daniel, do R7, que me convidaram para essa aventura que, sem dúvida alguma, fez valer acordar cedo em pleno domingo. O sono, o frio... nada disso atrapalhou. O resultado está nesse vídeo:














