Pé no pedal. Você toparia?

4
set
16h05

Bike ilustração 150x150 Pé no pedal. Você toparia?Foi com muita surpresa que descobri um dado sobre o Rio de Janeiro que jamais imaginaria existir se não fosse a "imparcialidade" de um site que é do próprio governo do estado: você sabia que a "cidade maravilhosa" tem a maior malha cicloviária do Brasil com 140 Km de extensão?

Fico imaginando qual é o conceito que nosso poder público tem quando se fala de transporte por bicicleta. Claro que em um país que mal consegue preparar suas estradas de rodagem e suas ferrovias para um transporte eficiente e rápido - leia nisso "sem riscos" - ter míseros 140Km de ciclovias parece um mérito monstruoso.

O site ainda diz mais: que a malha cicloviária atende todas as regiões do Rio de Janeiro, passando pelas zonas sul, norte e oeste da cidade. Então alguém pode por gentileza me responder quem consegue sair da zona sul e sequer chegar ao centro do Rio de Janeiro de forma rápida, segura e sem disputar espaço com carros? O projeto de locação de bicicletas no Rio de Janeiro é outro exemplo do que dá certo "só para inglês ver". Os únicos pontos em que a locação das "magrelas", como se diz em São Paulo, deu certo foi em Copacabana e adjacências da zona sul. Não ouvi ninguém me dizer até hoje que conseguiu circular com tranquilidade encontrando pontos de locação e devolução das bicicletas em outras regiões.

Não sou um pessimista no selin da bicicleta. Acredito que o trabalho está sendo feito. Mas vamos combinar: ainda não dá para fazer salamaleques sociais com um assunto que não dominamos tanto assim. Ainda falta muito para que o Rio de Janeiro consiga comportar uma malha cicloviária como Paris por exemplo, onde o modelo de locação de bicicletas funciona, e funciona de verdade em 450km de ciclovias que ainda estão em fase de "crescimento"Eu utilizei e fiquei surpreso. Por isso, repito, não é pessimismo. Sou apenas um questionador principalmente se subo em duas rodas para constatar isso.

Bikes Paris Pé no pedal. Você toparia?

Paris: mais de 20 mil bicicletas para locação. Sistema que funciona de verdade. / Foto: internet.

Yes, nós temos bikes - No último domingo participei, à convite do R7, de um passeio ciclístico no Aterro do Flamengo. E realmente foi uma maravilha dividir a pista - devidamente interditada - com tanta gente bacana que acordou cedo para colocar o pé no pedal. Mas fiz um teste bobo e rápido quando a brincadeira acabou: comecei a observar, depois dos 10km de prova, como seria minha vida se resolvesse chegar de bicicleta até o carro estacionado a cerca de 1km do monumento em homenagem aos pracinhas. Seria um fiasco total, mesmo na cidade que tem "a maior malha cicloviária do país", como diz o site do governo. 

A brincadeira vai virar assunto sério no nosso programa. Nesta terça-feira eu e a Mariana Leão vamos topar um desafio diferente: sair de um mesmo ponto da zona sul do Rio, de bicicleta, com pontos diferentes de chegada. Com câmeras acopladas aos capacetes, cada um de nós vai mostrar o que o carioca enfrenta se fosse realmente de bicicleta ao trabalho, por exemplo. A matéria, não por coincidência, vai ao ar no dia 22 de setembro, o "Dia Mundial sem Carro."  Como acha que vai ser esse resultado?

Bike 02 Pé no pedal. Você toparia?

O pessoal do R7 convidou e cumpriu o desafio junto: 10 km de passeio ciclístico.

Enquanto isso, vamos pensar na nossa saúde? Na saúde e no bem estar de poder pedalar em uma cidade cinematográfica como a nossa! Tenho que agradecer ao Pedro e ao Daniel, do R7, que me convidaram para essa aventura que, sem dúvida alguma, fez valer acordar cedo em pleno domingo. O sono, o frio... nada disso atrapalhou. O resultado está nesse vídeo:


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“Maldita” musiquinha?

2
set
15h45

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 03/11/2011 às 16h17

Além do comercial de TV "impregnante" em nossas mentes, há muitas outras coisas que não esquecemos. E nem precisa ser um anúncio, uma música ou uma cena de filme não: as vezes são cenas cotidianas que marcam muita coisa na gente. Sabe aquelas coisas que acontecem, quando alguém diz algo que te marca muito - você não esquece nunca mais - e a pessoa que disse, amanhã nem se recorda? Pois é, a memória da gente é mesmo uma surpresa.

Mas falando de memórias menos profundas,  se "recordar é viver" (que clichêzinho mais triste...) resolvi relembrar aqui uma matéria que nem é tão antiga assim, da semana passada, mas que foi muito engraçada de fazer. Na minha saga de reportagens "vestindo  a camisa", fiu ser feirante por um dia. Por falar em clichês, nessa reportagem cabem todos os típicos de feira, ok? A começar pelo tradicionalíssimo "mulher bonita não paga mas também não leva."

POSTAGEM ORIGINAL:

Pônei ilustração 150x150 Maldita musiquinha?

Desde os bichinhos da Parmalat não se via nada assim. É uma musiquinha daquelas que não sai da cabeça de ninguém. E era essa a intenção da agência de publicidade Lew’Lara/TBWA quando criou a propaganda. A campanha estreou primeiro na internet e já virou hit na televisão com os “Pôneis Malditos”. Com toda certeza você já deve ter ouvido alguém cantarolar, certo?

Parmalat Maldita musiquinha?

Parmalat: campanha ganhou "reedição" com as mesmas crianças "crescidas". / Foto: internet.

Mas nem toda sagacidade de quem teve a idéia poderia prever que também haveria contratempos. De acordo com a última edição da revista “Exame” - especialista em “cases” empresariais de sucesso - a propaganda dos “Malditos Pôneis” será investigada pelo Conar, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Motivo: cerca de 30 reclamações de que fazer a associação de figuras infantis - no caso, os pôneis do desenho animado - com a palavra "malditos" é prejudicial à marca detentora dos direitos dos simpáticos “cavalinhos”.

E a questão não é só essa: além da argumentação de que isso pode prejudicar a venda dos brinquedos de tais personagens, já ouvi educadores comentando que o adjetivo “maldido” seria inapropriado para crianças ou para consumidores com convicções religiosas mais ortodoxas.

Pôneis Grande Maldita musiquinha?

"Pôneis Malditos": assunto mais comentado no Twitter por dois dias seguidos. / Foto: publicidade.

Depois da abertura do processo - o que já aconteceu - o próximo passo agora é a escolha de um representante do Conar para analisar as denúncias. Para se ter uma idéia de como isso é sério, o órgão pode exigir até a retirada do comercial do ar na televisão e na internet. A decisão deve sair em 30 dias.

Tirinha Pôneis Maldita musiquinha?Pôneis “benditos”? - Com mais de 5 milhões de visualizações no Youtube, a campanha da montadora Nissan não saiu do topo de assuntos mais comentados do Twitter por dois dias inteiros. “No ranking global, o termo 'pôneis malditos' também emplacou rapidamente” - diz a revista, em uma reportagem especial sobre o caso. Na internet o comercial ainda apresenta uma “maldição” publicitária: "Se você não passar esse vídeo agora, para 10 pessoas, você vai sofrer a maldição do pônei: você vai ficar o resto da vida com essa música na cabeça".

Tenho que admitir que adjetivar algo como “maldito” - por mais que seja da concorrência - não me parece uma das coisas mais prazerosas de se escutar. A palavra realmente tem uma carga pesada aos meus ouvidos. Isso é fato, independentemente da origem disso. Mas não podemos desconsiderar a genialidade que vem “à galopes” na tal publicidade. É uma baita sacada buscar nos bicihinhos o contraponto do que um carro não pode ser para o mercado: apenas "fofinho".

Se a tal “maldição” é verdadeira? Eu realmente não sei se podemos rotular assim. Mas que o “grudento”  jingle não sai da cabeça, isso é fato comprovado. Ponto para esses intrépidos publicitários e suas campanhas malucas. Hoje me peguei cantarolando a música, com letra decorada e tudo, como se fosse impossível esquecer a melodia. E aí? Maldição, lavagem cerebral ou mais um fenômeno das mídias de massa?

Isso me faz lembrar um ditado que na época da faculdade ouvia-se muito: “Todo jornalista acha que é Deus. O publicitário não: esse tem certeza.”


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