Hipocrisia: um câncer para quem julga?

31
out
13h17

hipocrisia Hipocrisia: um câncer para quem julga?Existe uma diferença entre o que é "discurso institucional" e o que são "ações práticas" na vida da gente. É aquela velha história do "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço". Quem tem filhos sabe bem disso: nem sempre o que se ensina na teoria é o que os próprios pais conseguem fazer, executar, na prática. É do ser humano tentar ser "politicamente correto" o tempo todo.

O ex-presidente Lula vive hoje exatamente este contraponto de idéias sobre o tratamento de seu câncer na laringe, diagnosticado este fim de semana. Fazer o que disse quando era presidente ou fazer o que todos fazem?

Lembro-me bem que, quando ainda era "paciente" do Palácio do Planalto, Lula disse para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que o tratamento de câncer no Brasil é o melhor do mundo. Mal poderia ele imaginar que seria personagem de uma história onde ele é o protagonista. O câncer na laringe do ex-presidente da república é mais que um problema perto das cordas vocais. É um problema que vira "calacanhar de Aquiles" para um homem público, acostumado a ser cobrado por tudo o que diz. O torneiro mecânico que se tornou presidente deveria voltar as origens e se tratar na saúde pública brasileira ou deveria seguir se tratando no hospital particular mais conhecido e mais caro do Brasil? Não demorou muito e a discussão foi parar na internet.

No dicionário a explicação é bem simples: a palavra hipócrita - vindo de hypocrisis, no latin - define aquele que finge ter crenças, virtudes, idéias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. E foi esse termo o mais usado para descrever o presidente Lula depois desse caso em fóruns, salas de bate-papo e redes de relacionamento.

Lula hospital Hipocrisia: um câncer para quem julga?

Lula chega ao hospital particular, em São Paulo, para sessão de quimioterapia. / Foto: R7.

É interessante como o juízo do que é ou não hipocrisia nos outros, acaba revelando a nossa hipocrisia. O ex-presidente Lula não mentiu: o tratamento público para câncer, no nosso país, apesar de todas as mazelas que enfrenta, ainda consegue ser referência mundial. Percebi isso, na prática, quando em Brasília fui diretor voluntário da Abrace, instituição que apoia pacientes infanto-juvenis e familiares destes menores, quando submetidos a quimioterapia, por exemplo. Só que ter o melhor tratamento para um mal não significa que o acesso a ele seja fácil. Um país pode ser larga referência no combate ao câncer sem necessariamente ter portas tão "largas" para quem precisa entrar nessa realidade de se tratar sem gastar nada. O presidente Lula sabe disso e, claro, não lembrou desse "pequeno detalhe" na conversa co o colega norte-americano.

Não acho que Lula tenha que por "obrigação moral" se tratar pelo SUS. E não estou dizendo isso apenas pelo prestígio alcançado em sua trajetória política: prestígio não regride tumor de ninguém. Mas é público e notório que, quem tem condições, não se submete a essa porta - tão estreita - de entrada na saúde pública em nosso país. Quem tem dinheiro procura sempre o "melhor", mesmo que o melhor, nesse caso do ex-presidente, não seja o tratamento e sim o conforto de um hospital de luxo. Duvido que se fosse caso terminal, como aconteceu com o ex-presidente Tancredo Neves, Lula já não estaria no Hospital das Clínicas - onde Tancredo morreu - e não no Sírio Libanês. Você faria escolha diferente apenas para reerguer bandeira levantada na época em que era presidente? Cobrar algo do contrário é que me parece sim hipocrisia.

Tancredo Neves Hipocrisia: um câncer para quem julga?

Tancredo Neves: tratamento "politicamente correto" em hospital público? / Foto: internet.

Nossa saúde pública não funciona. Vivemos um gargalo - físico e moral - que afugenta quem pode pagar um plano de saúde. Mas nem sempre podemos fazer escolhas apenas levando em conta o critério financeiro. Constantemente digo à colegas e amigos: houve um acidente, caso de politraumatismo, me levem direto para um hospital como o Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. Talvez não morra na fila por ser apresentador de televisão (outra hipocrisia, diga-se de passagem, num país em que trabalhar em televisão cria o imaginário popular de que somos cidadãos merecedores de privilégios), mas é fato que o melhor centro cirúrgico para este tipo de caso está na rede oficial e não apenas onde aceitam minha carteirinha da Unimed.

A escolha de Lula não é nenhuma "Escolha de Sofia". A hipocrisia talvez seja mais nossa. Uma espécie de sentimento em catarse, legítimo de quem busca saúde igualitária para todos, mas que faz com que o câncer de um ex-presidente, vire motivo para uma cruxifcação do mesmo, ainda vivo.  Essa hipocrisia talvez não seja o câncer dele, e sim o nosso.

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Como os brasileiros fazem

28
out
08h40

Bob Marley 150x150 Como os brasileiros fazemA resposta dele me fez pensar: Julian Marley, filho do ícone do Reggae, Bob Marley, não se fez de rogado quando pintou o assunto “maconha” no meio da entrevista. Disse, nas entrelinhas, o que todo mundo já sabe: que no Brasil se fuma maconha. “No Brasil faço como os brasileiros fazem” - respondeu ele, quando questionado como fazia para consumir a erva quando está em países - como o nosso - onde a droga é proibida.

A pergunta, no meio da entrevista que fiz com ele, semana passada, não foi à toa. Longe de primeiro perguntar se ele fazia uso da “cannabis sativa” preferi ir direto ao assunto. O diálogo era aberto. Para começar, Julian Marley explicou porque o uso da maconha é considerado normal para o Rastafari, movimento religioso que, ao contrário do que muita gente pensa, não foi criado na Jamaica.

Julian Marley Como os brasileiros fazem

Saída inteligente: Julian Marley “disse” sem necessariamente “dizer”. Sem apologia. / Foto: internet.

A situação me trouxe rapidamente à memória a entrevista que fiz com Marcelo D2, em Brasília, dentro de uma cela. Não só ele estava preso, como também toda sua banda, o “Planet Hemp”. Todos acusados de fazer apologia às drogas durante um show, no começo da década de 90. Na verdade eles haviam sido informados que, se entrassem no palco com músicas do álbum “Legalize” sairiam algemados. E foi assim que aconteceu. O que não se poderia imaginar é que a prisão foi um tiro que saiu pela culatra. O burburinho de Brasília ecoou para todo o mundo e fez os movimentos “pró-legalização” ganharem ainda mais visibilidade.

Já escrevi muito aqui no blog sobre descriminalização, legalização e liberação da maconha. Esse não é assunto novo. Mas percebo nessas entrevistas que faço que, a cada dia que passa, aumenta o número de seguidores desse tipo de teoria “pró-descriminalização”, o que é totalmente diferente - de acordo com estudiosos com o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - de liberação. De forma bem grosseira, o que FHC prega é que quando o consumo deixa de ser crime, se tira o usuário das páginas policias e o “transfere” para a esfera da saúde pública. Lembro-me de ter ouvido FHC dizer uma vez que “se tira o usuário da delegacia e o leva para o sistema de saúde.” A questão, senhor ex-presidente, é até que ponto nossa saúde pública - conbalida e doente - consegue absorver esse paciente.

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A bagagem no lugar certo

24
out
15h59

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 25/10/2011 às 18h15

Amanhã, dia 26, eu e a Mariana Leão temos compromisso marcado na Universidade Estácio de Sá da Barra da Tjuca. Será mais uma palestra com estudantes e convidados, sobre os desafios da profissão, os bastidores do nosso "puxadinho carioca" do Hoje em Dia e o mercado da chamada "televisão" no Rio de Janeiro. O evento está marcado para às 19h, no campus Tom Jobin - aquele que fica ao lado do BarraShopping.

Fábio e Mariana 300x200 A bagagem no lugar certo

Não costumo cobrar para fazer palestras para estudantes. Por isso, quando sou convidado para fazer uma, peço sempre uma contrapartida: que não restrinjam o acesso de estudantes de outras faculdades que queiram participar. Acho que é uma forma de democratizar o nosso "bate-papo". Por isso, não se sintam connstrangidos: os interessados em discutir jornalismo, entretenimento e televisão, podem mandar seus nomes para a nossa lista, por comentário, aqui mesmo no blog! Imprimirei a lista amanhã, às 18h.

Palestra: Universidade Estácio de Sá / Campus Tom Jobin - Barra da Tijuca / 19h

___________________________________________________

 POSTAGEM ORIGINAL:

mala 2 150x150 A bagagem no lugar certoQuem é simples, é simples com ou sem sucesso na bagagem. E não estou falando só de bagagem de vida não. No caso do Micael Borges, ator de Rebelde, a bagagem que carregava - quase que com peripécias de malabarista - era uma pequena mala de rodinhas; um pão de queijo na mão direita e um copo na esquerda.

O encontro no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, pouco antes de chegarmos a um dos portões de embarque. Micael já tinha ido ao programa, ficar amigo dele não é muito difícil. Super tranqüilo e despojado - usando uma calça jeans e camiseta - nos cumprimentamos e a conversa logo começou. Acho que é assim, conversando, que a gente consegue sentir quando uma pessoa é mesmo do bem. No caso do Micael nunca restou dúvida.

 
 
 

Micael A bagagem no lugar certo

Micael Borges em Rebelde: quando o artista não é "bom moço" só na televisão. / Foto: internet.

 

 Foi legal bater um papo, saber o que ele está achando de toda a fama e audiência que a novela está atingindo e perceber que, mesmo assim, o cara era o mesmo de antes de a novela entrar no ar.      

Foi praticamente a mesma sensação que tive quando conheci a Ana Markun, ex-peoa do programa “A Fazenda”. Encontrei com ela e Valeska no elevador do hotel que estávamos em São Paulo. Não estava por lá a trabalho desta vez. Além de alguns assuntos para resolver na capital paulista, era o fim de semana do casamento da Carla Cecato, apresentadora do “Fala Brasil”. Era neste mesmo hotel que estavam todos os ex-peões depois que o reality terminou.

O papo rápido - típico de conversa de elevador - virou um encontro, mais tarde, no restaurante do hotel. Seria a oportunidade para conhecer melhor as moças e convidá-las para uma visita ao nosso “puxadinho carioca” do “Hoje em Dia”. Mas acabou sendo mais que isso. Depois que a Valeska e o empresário dela, o Pardal, saíram da mesa, conversamos mais, mais e mais. Sabe aquele bate-papo delicioso, com aquele tipo de pessoa que, se deixar, o papo flui sem parar? Foi exatamente assim.

 
 
 

Ana Markun A bagagem no lugar certo

Ana Markun: perdida no meio de intrigas e brigas em "A Fazenda". / Foto: divulgação.

 

Resumindo? - Quando comecei a trabalhar em televisão ouvia muitas coisas malucas a respeito de quem faz parte dela. Pior ainda se o ramo em questão não fosse apenas o jornalismo, entrasse para o entretenimento e para a dramaturgia, onde, dizem, a fogueira das vaidades arde com mais intensidade. É sempre bom descobrir que também existem exceções.

Conhecer pessoas como a Ana e o Micael, faz a gente perceber que nosso ambiente de trabalho não é tão diferente dos demais. Há vaidade, há disputa e competição. Mas também há quem se salva e, entre a maioria, consegue mostrar seu valor sem precisar de “escadas humanas”. A grande questão não é descobrir quem tem valores. É quem abre mão deles ou não depois da fama. Posso garantir nessas minhas “filosofadas” aqui pelo blog: muitos se surpreenderiam em saber como somos obrigados a conviver com pessoas que se acham tanto e tem tão pouco conteúdo a oferecer.

É bom perceber o que há de bom em um celeiro que é tão mal falado. Perceber do Micael que o sucesso não o fez perder o eixo, foi tão prazeroso quanto descobrir que se a Ana Markun ganhasse os 2 milhões do programa ela teria um investimento certo, não penas para ela, mas para a arte: comprar um teatro. É quase um conto do pavão e da galinha. Apesar das belas penas, não são só as cores que garantem ovos de ouro. A personalidade que quem cresce com seu próprio talento, é coisa de altíssimo quilate.

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As “PAN-cadas” de Guadalajara

17
out
15h45

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 18/10/2011 às 18h47

mascote gavo 150x150 As PAN cadas de GuadalajaraÉ como acordar, tomar um banho ou escovar os dentes. Tudo na vida é uma questão de hábito. Com essa máquina de sonhos chamada televisão não poderia ser diferente: nós, telespectadores, estamos “acostumados” com o que vemos. Lembro-me bem que a Band era “o canal do esporte”. Já era uma quebra de hegemonia na época. Hoje a transmissão do Pan de Guadalajara é mais uma prova de que certos hábitos podem mudar.

Percebi comentários positivos e negativos em relação à transmissão dos jogos. E não vou nem entrar aqui no mérito qualitativo de nossos estúdios, profissionais ou imagens. Isso, felizmente, tem sido motivo esmagador de elogios. O comentário que me chama a atenção é outro. Alguém dizia, hoje no Twitter, que o Pan parecia estar “apagadinho”. Logo na seqüência alguém repercutiu: “é porque não é na Globo.”

Tenho que concordar. Muito antes de trabalhar em televisão, percebia isso: só parecia ter repercussão e vulto o que era veiculado pela emissora supostamente dominante. Nada que mereça tanto questionamento nas décadas de 70 e 80, afinal, também nasci e cresci em tempos em que havia pouca opção de escolha. Hoje essa “opção”, que tanto se clamou no mercado televisivo, existe.

O Pan não está “apagadinho”. O “Pan” pode "parecer apagadinho” para quem insiste em uma inflexibilidade televisiva, como se tudo só pairasse ao redor de uma emissora platinada.

Logo Pan As PAN cadas de Guadalajara

Quando era repórter de política, circulando pelos corredores do Congresso Nacional ou dos ministérios, em Brasília, cansei de ver coletivas que não começavam nunca no horário marcado: elas começavam apenas quando uma única emissora - a que interessava - chegava! Era uma situação praticamente humilhante para os jornalistas que não tinham a “sorte” de ter a carteira assinada pela detentora ímpar de tanta moral e autoridade.

O motivo de toda essa “conversa” aqui no blog é simples: mudança. Os tempos mudaram e a Record hoje prova que consegue fazer igual - ou até melhor - inclusive tendo profissionais que já fizeram coberturas similares aqui ou em outros canais. É uma fórmula simples: assistir e comprovar. Sei que a grande maioria já percebeu isso. E percebeu não porque essa maioria seja entusiasta de emissora “A”, “B” ou “C”. O telespectador torce para times e não para emissoras. Quando o assunto é televisão não existe torcida e sim preferência. O telespectador - assim como eu - gosta de concorrência e sabe que sai ganhando com isso independentemente de qual canal tenha que dedilhar no controle remoto. Quem assiste quer qualidade e não número de canal.

Meu relato não é uma defesa à Record, um ataque à Globo, ou um saudosismo em relação à Bandeirantes. Nem pense nisso. Estou falando de algo maior. Estou falando da capacidade singular que temos de simplesmente experimentar. Esse não é o primeiro evento esportivo que a Record exibe com exclusividade. Há muitos outros que não são dela. Isso sempre vai existir assim como existem “viúvas” da concorrência, que acham tudo que não é no “plim-plim” não é bom.

Mudar hábitos é difícil mesmo, não se sinta culpado. É a intrigante “quebra de paradigmas”.

Ana Paula As PAN cadas de Guadalajara

 

POSTAGEM ORIGINAL:

Casca de Banana1 150x150 As PAN cadas de Guadalajara

Tudo é preparado para não haver erros. Imprevisto é uma palavra que não pode existir na logística, na organização e na competição durante qualquer evento esportivo. Mas nem sempre as coisas funcionam tão bem na prática como reza a teoria. Quando o elemento humano entra em cena, na hora do embate por medalhas, é a hora em que tudo - absolutamente TUDO - pode acontecer.

No Pan de Guadalajara não poderia ser diferente. Na estréia da seleção feminina de vôlei do Brasil - contra a República Dominicana - não foi apenas a dificuldade em fechar o jogo que chamou a atenção na quadra: a "batida de cabeça" entre as atletas brasileiras Jaqueline e Fabi, acabou ganhando muito mais repercussão que a a própria disputa. As duas tentavam salvar uma bola quando acabaram "colidindo". Jaqueline perdeu os sentidos e precisou ser retirada do estádio de maca rumo ao hospital. Parecia que era algo leve, mas não foi. A jogadora teve fratura cervical e concussão cerebral. Em outras palavras, ela teve uma "micro-rachadura" no crânio. Algo leve para matar, mas relevante demais para não exigir observação e cuidados médicos fora da quadra. Esse foi o primeiro acidente sério nos jogos, que tem cobertura exclusiva da Record. Veja o momento exato do impacto, na narração do meu amigo Maurício Torres.  

Outra "Pan-cada" no Pan-Americano de Guadalajara veio sob duas rodas. Foi durante a eliminatória da prova de perseguição do ciclismo. O acidente - asism como o nosso, no vôlei - envolveu dois atletas de um mesmo país. O quarteto mexicano acabou sendo notícia antes mesmo da prova terminar. O atleta Cristian Alejandro Medina, terceiro do grupo, foi atropelado - isso mesmo, eu disse a-t-r-o-p-e-l-a-d-o em plena prova - por um de seus parceiros. Ele precisou de atendimento médico ainda na pista do velódromo, em Tlaquepaque.

O próprio Medina foi o causador do  incidente, ao tocar com o pneu dianteiro de sua bicicleta no pneu traseiro de seu companheiro, à frente. Ao cair, ele fez o parceiro que vinha logo atrás, Edibaldo Maldonado, também perder o equilíbrio e ir ao chão, passando com seu equipamento sobre as costas de Medina. Veja como tudo aconteceu:

Em meio a esses dois casos que movimentaram mais as equipes médicas de Guadalajara que os proprios atletas, lembrei-me do celeiro de incidentes e trapalhadas que jogos, como os Pan-Americanos ou Olímpicos mesmo, já nos proporcionaram pela televisão. Numa coletânea bem ao estilo "cassetadas" a gente consegue até rir do que, na hora, e principalmente para os atletas, é motivo de tristeza e lágrimas. Veja isso:

E como não poderia ficar de fora, é como diz o ditado que costume levar ao pé-da-letra em minha vida pessoal e profissional: "ria de você mesmo antes que os outros riam". A minha "Pan-cada" Foi quando eu e a Fabiana Panachão, apresentamos os boletins da Olimpíada de inverno de Vancouver, em fevereiro de 2010. Cansados de apenas mostrar e comentar, resolvemos participar! Vale relembrar, direto do nosso túnel do tempo - e de gelo - o que passamos quando mal conseguimos ficar de pé sob duas lâminas de aço:


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Lugar errado na hora errada?

14
out
08h54

Quando a explosão aconteceu, foi instantâneo: funcionários do hotel que fica bem ao lado do "marco zero" , olharam para o chão. "Achei que era mais um bueiro explodindo" - me contou um funcionário que, por ordem do próprio estabelecimento preferiu não gravar entrevista com nossos repórteres. Ele foi não apenas testemunha como também sobrevivente. "Eu estava pronto para fazer um serviço externo, e passaria na frente do local da explosão se não tivesse que ter voltado por ter esquecido um documento."

A vida é assim, repleta de histórias de pessoas que foram poupadas da morte por forças que são maiores que nossa "vã" filosofia. Coincidência? Acaso? Deus? São perguntas que - mesmo tendo minhas convições religiosas muito bem marcadas - sempre passam pela nossa cabeça. Lembro-me bem de quando fazíamos a cobertura da queda do avião da Air France, em 2009, ouvimos alguns poucos mas bons relatos de pessoas que não puderam embarcar naquele dia ou simplesmente - pasme! - apenas perderam a hora da viagem e, por isso, não estavam à bordo do fatídico vôo.

Isso me lembra também os ataques de 11 de setembro, nos Estados Unidos. Mas aí, não são apenas os casos "parecidos" de quem escapou da morte por pouco. A viagem que minha mente permite fazer é: se o estrondo de uma explosão no centro do Rio de Janeiro foi algo tão inimaginável e violentamente barulhento, tente sentir na pele, mesmo que por um segundo, como deve ter sido ver - e escutar - isso de perto. Veja à partir dos 9 minutos de vídeo:


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Cristo Redentor: 80 anos!

12
out
07h20

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 13/10/2011 às 18h33

Segue a matéria na íntegra:

POSTAGEM ORIGINAL:

Crsito dentro 150x150 Cristo Redentor: 80 anos!

Posso dizer, sem medo de errar, que esta foi a matéria mais emocionante que já fiz em toda minha vida. Estar nos braços de quem está há 80 anos de braços abertos para o carioca, é um privilégio! E não foi só isso: na matéria especial de hoje, fomos além: até o topo, na cabeça da estátua mais famosa do planeta!

Inédito? - A informação foi da própria arquidiocese do Rio de Janeiro: eu fui o primeiro apresentador da Rede Record a subir no alto do monumento. Antes, apenas Renato Aragão, GuguOtávio Mesquita haviam chegado tão alto. Mas um dado como este não é para deixar orgulhoso, metido, nem permitir que isso "suba à cabeça". Não mesmo! Na cabeça, só mesmo desta, que é ums das sete maravilhas do mundo moderno.

Cristo 7 Cristo Redentor: 80 anos!

Primeiro desafio: subir, em uma escada móvel, os 8 primeiros metros da base da estátua. / Foto: arquivo pessoal.

Eu não vou esconder que chorei muito lá em cima. Estar na "cabeça" de um símbolo tão especial para cidade é tocante. Isso não tem nada a ver com religião, ok? Tem a ver com sentir a presença divina lá em cima! É sentir como se, além de braços aberto, anjos também estivesse rodeando o local...

Cristo 11 764x1024 Cristo Redentor: 80 anos!

Escadarias e andares: o "passo-a-passo" para se chegar ao topo. / Foto: arquivo pessoal.

Não tem a ver com preferências religiosas. Não tem a ver com congecturas políticas. Tem a ver com valorizar a cidade. Foi possível fazer o que eu nunca havia feito: espalmar, tocar a cabeça do Cristo Redentor! Lá de cima fiz minhas orações. Pode parecer "piegas" para quem não te fé, mas fiz questão de agradecer.

Cristo 21 1024x768 Cristo Redentor: 80 anos!

Coração do Cristo Redentor: alto-relevo por dentro e pro fora. / Foto: internet.

Quando vim para o Rio de Janeiro, há 6 anos, eu sabia que os braçoes abertos eram apenas verso e prosa. Infelizmente, na prática, a cidade que "seduz" também tem suas mazelas, também faz seu povo sofrer! Com o tempo percebi que ele até pode estar com os braços abertos, mas não é para todo mundo. O Rio de Janeiro é uma cidade que cativa mas que também consome.

Cristo 34 1024x768 Cristo Redentor: 80 anos!

Em pleno braço do Cristo ele citou: "eu e o cinegrafista Nelson, no mesmo dia.

Fernanda Abreu é que está certa quando descreve a cidade como "purgatório da beleza e do caos." O Rio é assim. Mas posso garantir que, visto lá do alto, o Rio de Janeiro continua mais lindo ainda!

As imagens à seguir são parte do material que não foi ao ar. Acho que vale mostrar um pouco dos batidores deste desafio!


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Perna-de-pau, eu?

11
out
09h10

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 11/010/2011 às 22h34

A frase ganhadora da chuteiras foi essa aqui: "Prefiro Driblar uma bola do que tropeçar numa pedra: Crack tô Fora." - Nelcy de Paula

A Nelcy tem uma semana para fazer contato conosco para entregarmos as chuteiras, ok? Muito obrigado!

 ____________________________________

POSTAGEM ORIGINAL:

bola futebol 150x150 Perna de pau, eu?

Foi um jogo rápido, daqueles em que mal se esquenta a chuteira. No meu caso, para ser bem específico, uns 10 minutos em campo! Mas participar do "Driblando o Crack" foi muito mais que ter bola no pé: foi ter - como diriam os cineastas - uma idéia na cabeça, uma câmera na mão e um ideal no coração.

Gravamos tudo e tenho que admitir: não foi a primeira vez que me surpreendi com o potencial de organização que o pessoal do "Força Jovem" tem. Num cálculo por baixo, havia 18 mil pessoal no evento do útimo sábado, no Estádio do América, em Mesquita.

Jogar contra Romário não é tarefa fácil. Por isso tive que cumprimentar o baixinho. Claro que o pessoal do "Recbola" não deixou passar, né? O resultado desta investida em campo está na reportagem abaixo:

Obrigado pessoal do "Força Jovem" pelo convite. Foi bom mostrar que no campo posso até ser "perna-de-pau", mas batemos um bolão fora das quatro linhas quando o assunto é dizer NÃO ao crack!

Para quem não esteve em campo fica então um desafio: quem fizer a frase mais criativa - nos comentários aqui mesmo no  blog - misturando os temas "Crack tô fora" e "futebol" vai ganhar as chuteiras que usei contra o Romário! Não é sorteio. É criatividade. Detalhe: são chuteiras número 42, ok? Só vale o que for enviado hoje, até a meia-noite. Amanhã o resultado estará aqui, nesta mesma postagem. Boa sorte!

 

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“Olhar 43″ contra o crack

7
out
13h57

RPM+ao+vivo 150x150 Olhar 43 contra o crackTenho que confessar que até hoje não entendia muito bem. O “Olhar 43”, cantando e dançado pelo cantor Paulo Ricardo, era uma incógnita na minha mente. Porque ele era “assim, meio de lado, já saindo, indo embora, louco por você?” Hoje Paulo Ricardo explicou no nosso programa. O “Olhar 43” é nada mais que um olhar tímido, com desejo, porém com pouca iniciativa de virar uma aproximação real. Sobre o número 43, a especulação é que foi o tempo que ele, na casa dos 20 anos, demorou para decidir agir. Mas aí já era tarde: a moça "paquerada" já tinha ido embora.

Os olhos são os mesmos, mas a forma de ver a vida mudou. Depois de um hiato de quase 10 anos a banda RPM volta com força total e sem nostalgia. “Nada de ficar só nas músicas antigas. A década de 80 foi linda, mas continuamos compondo coisas novas juntos.” - disse ele, ao cantar a música de trabalho do novo CD que chega às lojas em novembro: "Olhos Verdes" Aliás, o “Olhar 43” agora tem dono. Paulo Ricardo está noivo de uma carioca, que tem - como foi a inspiração para a música - belos olhos verdes que lembram o mar e dão o nome da música. Com cara de apaixonado, preferi não perguntar muito sobre isso. Muitos artistas encontram em mulheres distantes dos olhares da mídia a felicidade. Acho que faz sentido em prol de um benefício raro e distante para quem é desse mundo: a privacidade. 

Espirituoso ele não perdeu piada nenhuma. Fora do ar perguntei o que ele fazia para chegar aos "40 e poucos" anos com a mesma, cara. Que formol ele usava? Risonho respondeu: "Johnnie Walker, Fabinho." Rimos juntos. Mas não tem garrafa "Black Label" que pague o inusitado: no meio de uma das músicas, Paulo Ricardo alterou a letra para dizer, cantando, que era bom estar alí, ao lado da Mariana Leão e do Fábio Ramalho fazendo o que mais curte: cantar! Isso pra mim se chama humildade: valorizar a casa, o programa que o recebe. Isso não tem preço...

paulo ricardo 110 Olhar 43 contra o crack

Paulo Ricardo: juventude depois dos 40 em fase mais "madura". / Foto: arquivo.

 

 

Foi literalmente “show” conhecer o Paulo Ricardo de perto. Sábado prometi que estarei lá, no show na Fundição Progresso. Isso se a não levar nenhum carirnho e não sair contundido do jogo de futebol com artistas da Record, que acontece no estádio do América, em Mesquita. Perna-de-pau como nenhum outro apresentador, vai valer a luta para combater esse mal. O Paulo Ricardo deu a contribuição dele a milhares de Rotações Por Minuto. E você? Vamos nos encontrar lá? 

Paulo Ricardo HED Olhar 43 contra o crack

Vestindo a camisa: "Driblando o Crack". / Foto: arquivo pessoal.

 

  Bom de bola - Além de mandar bem no vocal, Paulo Ricardo mandou bem em uma luta que ronda - e muito - o show bis: as drogas. Foi iniciativa dele. Ao me ver anunciar o evento que participarei amanhã, de combate ao crack, foi só rodarmos a "Agenda Cultural" que ele mesmo pediu: “tem uma camisa dessa para eu usar também?”. De pronto estava ele vestindo a camisa do “Driblando o Crack”, assim como eu. 

 Costumo dizer isso aqui no blog e vou repetir: nada melhor que entrevistar quem gostamos e somos fãs. Com o Paulo Ricardo não poderia ser diferente. Um cara humilde e tranqüilo que, mesmo depois do término do programa, ficou, ficou e ficou. Paulo Ricardo não disse não a absolutamente nenhum pedido de fotografia com nossos “fãs-funcionários”.


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Justin Bieber: preço de banana

6
out
17h02

caricatura1 Justin Bieber: preço de bananaNão dá para entender. O show mais esperado do ano - pelo menos para os fãs - e que teve os ingressos mais disputados por crianças e adolescentes de todo o Brasil - ficou... vazio? A informação não é apenas um dado que os organizadores teimam em desmentir. É um fato comprovado por quem foi e por quem não foi, como eu. Era só passar pelas redondezas do Estádio Engenhão ontem à noite.

Faltando cerca de 2 horas para o show começar, foi possível ver cambistas com uma farta oferta de ingressos de “Pista” e também de “Pista Premium” nas entradas, tentando desesperadamente “desovar” o que tinham em mãos. E não era pouca coisa: um deles tinha um maço que, numa conta muito de olho, ultrapassava facilmente as 50 unidades. Para se ter uma idéia, vi gente que comprou, com antecedência, os ingressos mais baratos e na hora preferiu literalmente jogar fora, para comprar a tal “Pista Premium” que, na hora, era vendida a 50 reais cada, pelos tais atravessadores. Na “Pista” comum, o disparate era maior: 30 reais por ingresso!

 

 

justin bieber brasil 2011 Justin Bieber: preço de banana

Justin Bieber: show vazio e ingressos baratos com cambistas, para revolta de quem pagou caro. / Foto: divulgação.

A pergunta que fica é: o que acontece com nossos eventos no Rio de Janeiro que, quando as vendas começam pela internet, não passam nem 15 minutos e tudo fica esgotado e na hora do show sobrem ingressos a preço de banana? Na internet a regra era clara: foram vendidos apenas 4 ingressos por CPF. Então a dedução é lógica: ou este cambista que tinha 50 ingressos comprou usando 12 documentos diferentes - supondo que tenha conseguido fazer 12 transações comerciais pela internet em menos de 15 minutos - ou os ingressos chegaram às mãos dele por outros meios...

Quem perde com tudo isso? Quem perde sou eu, você, ou os fãs que gostam tanto de Justin Bieber que viajam de qualquer lugar do Brasil para ver o famoso astro teen. O curioso é que isso aconteceu no show da Madonna, se repete no futebol, no Rock in Rio e já começou a acontecer para o show da Britney Spears, que será em novembro!

show justin bieber rj 2011 Justin Bieber: preço de banana

Tem algo de podre no reino da promoção de eventos grandiosos no Rio de Janeiro.

Felizes são aqueles que podem pagar quase 500 reais em um ingresso VIP, com antecedência, para ver Justin Bieber de perto. Imagine uma família que tenha 2 filhos...

Como ser fã não é fator que escolhe classe social, o melhor foi o que fizeram as mães de 46 crianças e adolescentes que, além de comprarem os ingressos mais caros dessa forma, pela internet, ainda puderam alugar um ônibus para levar todo mundo ao show. Essa eu fui registrar de perto e ri muito! Quando o assunto é ingressos, aí não: a gente ri para não chorar.


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O Justin Bieber vale tudo isso?

5
out
14h42

justi 02 150x126 O Justin Bieber vale tudo isso?São pouco mais de 2 horas da tarde. Pela televisão acompanho a correria de fãs em busca de um lugar bem perto do palco. São meninas e meninos, fãs do astro teen que já é considerado revelação do século. Gente que faz todo e qualquer esforço para ver Justin Bieber de perto.

Uma destas meninas se espremia antes mesmo dos portões serem abertos. Ainda na porta do hotel Copacabana Palace, nossa equipe de reportagem descobre um caso curioso: uma adolescente, de 16 anos, que saiu escondida de casa, em São Paulo e veio para o Rio de Janeiro de ônibus para ver o show. Os dois shows, diga-se de passagem! Pode parecer uma atitude estranha, inusitada, já que as apresentações também acontecem em São Paulo, certo? Para quem é fã, nada de errado nisso. A meta - antes de deixar pais e familiares desesperados - era assitir todos os show nas duas capitais!

justin bieber gomez copter couple rio O Justin Bieber vale tudo isso?

Longe dos fãs: Justin Bieber curte o Rio de Janeiro em passeio de helicóptero ao lado da namorada. / Foto: R7.

 Isso é normal? - Os psicólogos não condenam. Ter admiração, ser fã de um astro ou cantor não é considerado nenhum distúrbio. Se bem conduzido pode ser até saudável: deselvolve valorização do trabalho de um artista. Isso sem contar no amadurecimento que traçar planos e estratégias logísticas para ver o astro acaba envolvendo. Só é preciso prestar a atenção para os excessos.

Hoje minha tarefa é parecida com a dos fãs: vou acompanhar um grupo de 40 crianças e adolescentes cujos pais fretaram um ônibus para levar todo mundo ao show. Todos são sair do bairro de São Conrado, na zona sul carioca no meio da tarde. Acho a iniciativa bacana. Quem pode pagar certamente prefere  a segurança de um ônibus fretado que o risco das ruas.

Se isso tudo vale à pena, vou descobrir logo mais. Só posso dizer que não posso atirar pedras. Meus amigos contemporâneos de adolescência sabem que já fizemos peripécias parecidas. O negócio é descobrirem por causa de quem, né?

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