As “PAN-cadas” de Guadalajara
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 18/10/2011 às 18h47
É como acordar, tomar um banho ou escovar os dentes. Tudo na vida é uma questão de hábito. Com essa máquina de sonhos chamada televisão não poderia ser diferente: nós, telespectadores, estamos “acostumados” com o que vemos. Lembro-me bem que a Band era “o canal do esporte”. Já era uma quebra de hegemonia na época. Hoje a transmissão do Pan de Guadalajara é mais uma prova de que certos hábitos podem mudar.
Percebi comentários positivos e negativos em relação à transmissão dos jogos. E não vou nem entrar aqui no mérito qualitativo de nossos estúdios, profissionais ou imagens. Isso, felizmente, tem sido motivo esmagador de elogios. O comentário que me chama a atenção é outro. Alguém dizia, hoje no Twitter, que o Pan parecia estar “apagadinho”. Logo na seqüência alguém repercutiu: “é porque não é na Globo.”
Tenho que concordar. Muito antes de trabalhar em televisão, percebia isso: só parecia ter repercussão e vulto o que era veiculado pela emissora supostamente dominante. Nada que mereça tanto questionamento nas décadas de 70 e 80, afinal, também nasci e cresci em tempos em que havia pouca opção de escolha. Hoje essa “opção”, que tanto se clamou no mercado televisivo, existe.
O Pan não está “apagadinho”. O “Pan” pode "parecer apagadinho” para quem insiste em uma inflexibilidade televisiva, como se tudo só pairasse ao redor de uma emissora platinada.
Quando era repórter de política, circulando pelos corredores do Congresso Nacional ou dos ministérios, em Brasília, cansei de ver coletivas que não começavam nunca no horário marcado: elas começavam apenas quando uma única emissora - a que interessava - chegava! Era uma situação praticamente humilhante para os jornalistas que não tinham a “sorte” de ter a carteira assinada pela detentora ímpar de tanta moral e autoridade.
O motivo de toda essa “conversa” aqui no blog é simples: mudança. Os tempos mudaram e a Record hoje prova que consegue fazer igual - ou até melhor - inclusive tendo profissionais que já fizeram coberturas similares aqui ou em outros canais. É uma fórmula simples: assistir e comprovar. Sei que a grande maioria já percebeu isso. E percebeu não porque essa maioria seja entusiasta de emissora “A”, “B” ou “C”. O telespectador torce para times e não para emissoras. Quando o assunto é televisão não existe torcida e sim preferência. O telespectador - assim como eu - gosta de concorrência e sabe que sai ganhando com isso independentemente de qual canal tenha que dedilhar no controle remoto. Quem assiste quer qualidade e não número de canal.
Meu relato não é uma defesa à Record, um ataque à Globo, ou um saudosismo em relação à Bandeirantes. Nem pense nisso. Estou falando de algo maior. Estou falando da capacidade singular que temos de simplesmente experimentar. Esse não é o primeiro evento esportivo que a Record exibe com exclusividade. Há muitos outros que não são dela. Isso sempre vai existir assim como existem “viúvas” da concorrência, que acham tudo que não é no “plim-plim” não é bom.
Mudar hábitos é difícil mesmo, não se sinta culpado. É a intrigante “quebra de paradigmas”.
POSTAGEM ORIGINAL:
Tudo é preparado para não haver erros. Imprevisto é uma palavra que não pode existir na logística, na organização e na competição durante qualquer evento esportivo. Mas nem sempre as coisas funcionam tão bem na prática como reza a teoria. Quando o elemento humano entra em cena, na hora do embate por medalhas, é a hora em que tudo - absolutamente TUDO - pode acontecer.
No Pan de Guadalajara não poderia ser diferente. Na estréia da seleção feminina de vôlei do Brasil - contra a República Dominicana - não foi apenas a dificuldade em fechar o jogo que chamou a atenção na quadra: a "batida de cabeça" entre as atletas brasileiras Jaqueline e Fabi, acabou ganhando muito mais repercussão que a a própria disputa. As duas tentavam salvar uma bola quando acabaram "colidindo". Jaqueline perdeu os sentidos e precisou ser retirada do estádio de maca rumo ao hospital. Parecia que era algo leve, mas não foi. A jogadora teve fratura cervical e concussão cerebral. Em outras palavras, ela teve uma "micro-rachadura" no crânio. Algo leve para matar, mas relevante demais para não exigir observação e cuidados médicos fora da quadra. Esse foi o primeiro acidente sério nos jogos, que tem cobertura exclusiva da Record. Veja o momento exato do impacto, na narração do meu amigo Maurício Torres.
Outra "Pan-cada" no Pan-Americano de Guadalajara veio sob duas rodas. Foi durante a eliminatória da prova de perseguição do ciclismo. O acidente - asism como o nosso, no vôlei - envolveu dois atletas de um mesmo país. O quarteto mexicano acabou sendo notícia antes mesmo da prova terminar. O atleta Cristian Alejandro Medina, terceiro do grupo, foi atropelado - isso mesmo, eu disse a-t-r-o-p-e-l-a-d-o em plena prova - por um de seus parceiros. Ele precisou de atendimento médico ainda na pista do velódromo, em Tlaquepaque.
O próprio Medina foi o causador do incidente, ao tocar com o pneu dianteiro de sua bicicleta no pneu traseiro de seu companheiro, à frente. Ao cair, ele fez o parceiro que vinha logo atrás, Edibaldo Maldonado, também perder o equilíbrio e ir ao chão, passando com seu equipamento sobre as costas de Medina. Veja como tudo aconteceu:
Em meio a esses dois casos que movimentaram mais as equipes médicas de Guadalajara que os proprios atletas, lembrei-me do celeiro de incidentes e trapalhadas que jogos, como os Pan-Americanos ou Olímpicos mesmo, já nos proporcionaram pela televisão. Numa coletânea bem ao estilo "cassetadas" a gente consegue até rir do que, na hora, e principalmente para os atletas, é motivo de tristeza e lágrimas. Veja isso:
E como não poderia ficar de fora, é como diz o ditado que costume levar ao pé-da-letra em minha vida pessoal e profissional: "ria de você mesmo antes que os outros riam". A minha "Pan-cada" Foi quando eu e a Fabiana Panachão, apresentamos os boletins da Olimpíada de inverno de Vancouver, em fevereiro de 2010. Cansados de apenas mostrar e comentar, resolvemos participar! Vale relembrar, direto do nosso túnel do tempo - e de gelo - o que passamos quando mal conseguimos ficar de pé sob duas lâminas de aço:











