Como os brasileiros fazem

28
out
08h40

Bob Marley 150x150 Como os brasileiros fazemA resposta dele me fez pensar: Julian Marley, filho do ícone do Reggae, Bob Marley, não se fez de rogado quando pintou o assunto “maconha” no meio da entrevista. Disse, nas entrelinhas, o que todo mundo já sabe: que no Brasil se fuma maconha. “No Brasil faço como os brasileiros fazem” - respondeu ele, quando questionado como fazia para consumir a erva quando está em países - como o nosso - onde a droga é proibida.

A pergunta, no meio da entrevista que fiz com ele, semana passada, não foi à toa. Longe de primeiro perguntar se ele fazia uso da “cannabis sativa” preferi ir direto ao assunto. O diálogo era aberto. Para começar, Julian Marley explicou porque o uso da maconha é considerado normal para o Rastafari, movimento religioso que, ao contrário do que muita gente pensa, não foi criado na Jamaica.

Julian Marley Como os brasileiros fazem

Saída inteligente: Julian Marley “disse” sem necessariamente “dizer”. Sem apologia. / Foto: internet.

A situação me trouxe rapidamente à memória a entrevista que fiz com Marcelo D2, em Brasília, dentro de uma cela. Não só ele estava preso, como também toda sua banda, o “Planet Hemp”. Todos acusados de fazer apologia às drogas durante um show, no começo da década de 90. Na verdade eles haviam sido informados que, se entrassem no palco com músicas do álbum “Legalize” sairiam algemados. E foi assim que aconteceu. O que não se poderia imaginar é que a prisão foi um tiro que saiu pela culatra. O burburinho de Brasília ecoou para todo o mundo e fez os movimentos “pró-legalização” ganharem ainda mais visibilidade.

Já escrevi muito aqui no blog sobre descriminalização, legalização e liberação da maconha. Esse não é assunto novo. Mas percebo nessas entrevistas que faço que, a cada dia que passa, aumenta o número de seguidores desse tipo de teoria “pró-descriminalização”, o que é totalmente diferente - de acordo com estudiosos com o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - de liberação. De forma bem grosseira, o que FHC prega é que quando o consumo deixa de ser crime, se tira o usuário das páginas policias e o “transfere” para a esfera da saúde pública. Lembro-me de ter ouvido FHC dizer uma vez que “se tira o usuário da delegacia e o leva para o sistema de saúde.” A questão, senhor ex-presidente, é até que ponto nossa saúde pública - conbalida e doente - consegue absorver esse paciente.

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