Uma doce “burrinha” Rebelde

30
nov
23h14

Burr Shreck 2 150x150 Uma doce burrinha RebeldeEla é desajeitada, ingênua e, as vezes, não há adjetivo melhor para descrevê-la senão rotulando a moça de "burrinha". Quem assiste a novela Rebelde já sabe que é da personagem Becky que estamos falando. Mas a "pouca inteligência" dela também pode ser explicada de outra forma. "A Becky tem a sua lógica própria." - descreve Lana Rhodes, a atriz que dá vida a sapeca Becky. Lembro me de um episódio em que Becky decidira emagrecer - como se fosse preciso - deixando alimentos calóricos de lado e tomando apenas sorvete. Não funcionou. 

O argumento de Lana - de que ter lógica própria não necessariamente significa falta de inteligência - me lembrou uma situação que vivi, certa vez, quando telefonava do Brasil para Lisboa em busca de hotéis. A telefonista de pronto me atendeu, com aquele belo sotaque português. Perguntei se havia apartamentos disponíveis para o período em que estaria em férias. A resposta foi que sim. Tinha apartamento standart e luxo. Calmamente a jovem recepcionista me disse que a diária para o apartamento simples estava na casa dos 150 euros. O apartamento luxo era mais caro: custava 180 euros. Não resisti e fiz a pergunta mais óbvia: qual a diferença entre os dois? A moça com a voz de surpresa por pergunta "tão elementar" me respondeu:

- Trinta euros, ora pois!

Aprendi nesse dia que a maldade que fazem com nossos amigos do velho continente se auto descreve muito bem assim: é mesmo uma maldade. Português não é burro. Português é direto, linear, sem a necessidade de tantas interpretações do que se fala, como nós, aqui no Brasil, estamos acostumados a fazer. O que eu perguntei foi exatamente isso, certo? Qual era diferença entre os dois apartamentos quando o assunto ainda era preço! Porque ela me responderia sobre conforto e amenidades dos apartamentos? Ela só respondeu o que eu perguntei! Será que nós não temos o hábito de desmerecer o raciocínio dos outros simplesmente porque ele não é igual ao nosso? A forma de se desenvolver um raciocínio é cultural? 

Lana Rhodes Uma doce burrinha Rebelde

No caso da bela Beck da novela Rebelde, posso suspeitar que sim. Foi esse caráter meio "perdido" da personagem que fez ela crescer tanto na trama. Mérito da Lana Rohdes que mostrou no programa de hoje que de "burrinha" não tem nada. Além de interpretar e ser a responsável direta pela personagem secundária ter virado quase primária na novela, a atriz mostrou que também tem outros talentos!


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Ivete Sangalo no “puxadinho carioca”

28
nov
00h06

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 28/11/2011 ÀS 15h19

Para quem não viu no ar, a entrevista com a baianíssima Ivete Sangalo.

POSTAGEM ORIGINAL:

Ivete ilustra 150x150 Ivete Sangalo no puxadinho carioca

O corredor é largo e bem iluminado. A medida que se avança os nomes impressos em pequenas placas nas portas vão mudando: assistentes, músicos, dançarinos. Mas o camarim mais disputado neste dia no HSBC Arena, no Rio de Janeiro, é o que tem apenas duas letras na porta: “IS”. É a baiana de 38 anos, nascida em Juazeiro, que todos querem ver.

Ivete Sangalo não tem uma mega estrutura de show à toa. Ela é uma mega-estrela. Gente que atinge um patamar tão elevado no mercado de celebridades do showbiss, que até o Madson Square Garden, em Nova York, parece ficar pequeno. Palco de medalhões como Elvis Presley e Frank Sinatra, Ivete também pós os pés lá. Os dela no palco. Os dos milhares de expectadores, absolutamente fora do chão com seu ritmo. É exatamente o show do Madson Square Garden que Ivete Sangalo transporta para o Rio agora.

Ivete 3 Ivete Sangalo no puxadinho carioca

Ivete Sangalo: artista que mais vendeu DVD´s em todo o mundo no ano de 2007. / Foto: divulgação.

Chegamos à porta do tão esperado camarim. A produtora que nos acompanha dá dois leves toques na porta e anuncia já abrindo-a: “Ivete, é o Fábio, da Record.” Não era a primeira vez que estava com Ivete Sangalo. Já a tinha encontrado em um evento, aqui no Rio mesmo e já tinha gravado uma entrevista com ela em Brasília. Ivete tinha ido fazer show no aniversário da cidade. Mas não é por isso que Ivete é tão simpática. Simpatia e Ivete são nomes que parecem andar sempre juntos, naturalmente, sem forçar nada. Prova disso é que para me cumprimentar, larga os hashis que usava para comer finas lâminas de sashimi, embora um dos pratos preparados para o camarim tenha sido frango grelhado com ervas finas. Com um abraço peço desculpas por interromper o jantar. Ela pede desculpas por não ter respondido o tweet do dia anterior. Tinha mandado a mensagem dizendo que era eu que faria a entrevista com ela.

Ivete 2 Ivete Sangalo no puxadinho carioca

Figurino: "Tivemos cuidado em cada detalhe." - diz Ivete.

Bem informada e carinhosamente atenta a tudo, ela não se importa nem com o problema que nossa equipe acabara de detectar: por causa de alguma interferência, o microfone sem fio da câmera funciona mal. A única alternativa é trocar o aparelho por outro, que estava no carro, do lado de fora. “Vá lá, pegue o microfone, meu amigo. A gente te espera aqui. Enquanto isso eu e o Fábio fazemos um lanchinho, venha!” - disse ela com calma e com aquele sotaque gostoso de ouvir.

Quando o problema do microfone foi resolvido eu disse que não ia entrevistá-la. Tinha desistido. Ia só “bater um papo” gravando tudo. A produtora dela riu.

Mas fiz exatamente isso por aproximadamente 10 ou 15 minutos: nesse nosso “bate-papo-gravado”  Ivete falou sobre o filho, sobre estar sempre bem humorada para os fãs, sobre a turnê do novo show e sobre projetos para 2012. Entre esses projetos, o que muita gente já comentava: a vontade de ter mais um herdeiro!

Na verdade já estava para escrever sobre a Ivete Sangalo tem algum tempo, desde que a encontrei a última vez em um evento, que juro não me lembrar exatamente qual foi. Desde que me surpreendi com o fluxo de amigos cariocas que vi "migrando" para Nova York por causa do show,  percebi que o Brasil já tinha ficado pequeno para essa baianinha arretada. A entrevista que fiz este fim de semana vai ao ar no “Hoje em Dia - Rio” desta segunda-feira. Depois de exibida, eu a coloco aqui no “blog”. Mas o que fica gravado - e na gente - é o que as pessoas "passam". Não é preciso passar nem um dia com ela para perceber o que se passa só com o olhar. Ivete Sangalo não é uma estrela porque quer. É porque não ela não tinha escolha com tanto brilho.

 
 
 

 Ivete Sangalo no puxadinho carioca

 


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Como você gemeria?

25
nov
22h59

060409 pensamento 150x150 Como você gemeria?Talvez não exista maior intimidade entre as pessoas do que o simples ato de "gemer". Certo? Bom, a resposta vai depender do que você entende quando se fala em "gemido". Já parou para pensar? Gemer não necessariamente precisa remeter a pensamentos libidinosos. Há gemidos de dor, gemidos de medo; alguns até de susto! Mas faça um pequeno teste: a que a sua mente rapidamente te leva quando você escuta a palavra "gemido"?

A maior prova de que falar em gemido desperta justamente esse lado mais malicioso nas pessoas é um site que encontrei por acaso hoje. Ele estabelece um "Concurso de Gemidos" pela internet. É simples e rápido, embora eu não vá me dar ao trabalho de gemer por lá. Cada internauta entra e grava seu gemido. Os jurados escolhem o melhor. O vencedor vai ganhar um carro zero quilômetro para fazer o que quiser dele. Inclusive gemer dentro do veículo.

Detalhe: o site só não diz absolutamente nada sobre que tipo de gemido que deve concorrer! Diz pura e simplesmente "gemido". Mas veja só o resultado: clique aqui

Gemidos página 1024x575 Como você gemeria?

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Praia ao alho e óleo

23
nov
19h42

Petróleo 3 150x150 Praia ao alho e óleoAs vezes me parece que o Rio de Janeiro tem um "inferno-astral" para encarar a cada verão que chega. É quase uma tradição: quando não é a dengue, como ocorreu em 2009, são ataques criminosos, como se viu às vésperas do verão de 2010. Agora, como a "Lei de Murph" parece se reinventar, o problema ganha outro nome: "petróleo".   

As informações estavam estampadas na edição de hoje da "Veja - Rio". As praias do Rio de Janeiro podem ser atingidas pelo vazamento de óleo provocado pela Chevron, na Bacia de Campos. E o prazo para que isso acontece é mínimo: duas semanas! Não se  trata de alarmismo de ambientalistas ou dados provenientes do "Greenpeace". A informação foi dada, segundo o site, pelo secretário de ambiente do estado, Carlos Minc.

Segundo o secretário, dois terços do óleo derramado ainda não chegaram a superfície. Onde ele está? Onde nossos olhos ainda não podem enxergar: impregnado nas rochas. Todo esse petróleo pode demorar ainda de três a quatro dias para aflorar. Entre as praias com maior risco estão as de Angra dos Reis e as praias de Búzios. Nossos vizinhos do Espírito Santo e de São Paulo também podem ser atingidos por essa mancha negra.

Praia Rio Praia ao alho e óleo

Praias do Rio de Janeiro: será que a mancha chega aqui? / Foto: Veja.

Como a natureza é curiosa temperando cada momento político do nosos estado, não? Tudo isso acontecendo justamente no momento em que mais se discute a divisão dos chamados "Royalties" do pré-sal. Para quem luta para dividir, fatiar essa bolada, que tal dividir também toneladas e toneladas de óleo que vaiajam pelo litoral brasileiro como bolas de piche?

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Mc extorsão… sem catchup, por favor!

21
nov
20h33

Fritas 150x150 Mc extorsão... sem catchup, por favor!- A senhora que é a gerente?

Pergunta o homem com uniforme da guarda municipal, já debruçando os braços sobre o balcão da lanchonete estilo “fast-food” na Avenida Suburbana, zona norte carioca. A atendente, simpática e sorridente, responde:

- Sim, sou eu mesma. Posso ajudar?

O homem, com um bloco de multas saindo para fora de um dos bolsos, quase que como alguém que quer intimidar, responde muito seguro de si:

- Na verdade pode sim. A senhora sabe que sou guarda municipal, certo? E sabe também que para entrar aqui e comer, muitos clientes acabam deixando o carro lá fora, estacionado em lugar proibido, coisa passível de uma multa, né?

A gerente olha com cara de quem já viu aquele filme e diz:

- Sim, acredito que isso muitas vezes deva realmente acontecer. A lanchonete fica cheia e não há lugar para parar.

O suposto homem "pago para manter a ordem e a moral" dá o tiro certeiro:

- O que eu gostaria de saber é se a senhora não poderia...

Antes mesmo que ele consiga concluir a frase derradeira, ela responde já quase levantando a voz:

- Olha, eu sei exatamente o que o senhor está querendo e vou logo dizendo que eu não estou autorizada a te dar nada. Não é bagunçado assim não!

Ele ainda se sente no direito de retrucar e afronta a moça com uma autoridade ímpar:

- Mas a PM ganha, né?

A gerente, que não é boba nem nada, dispara rápido:

- A PM ganha porque se acontece algum problema aqui dentro da loja, como um mal comportamento de algum cliente ou mesmo um assalto, vai ser a Polícia Militar quem vai resolver o problema e encaminhar o caso para a delegacia. A Guarda Municipal não!

Tartaruga Mc extorsão... sem catchup, por favor!

Nessa hora o gole que eu dava no refrigerante "zero" pesou-me como se essa única golada tivesse, sozinha, todas as 2500 calorias diárias recomendadas para uma alimentação sadia. E desceu rasgando ao ouvir o restante da moça:

- O patrão já avisou: lanche só para policiais militares que vem aqui pedir!

Pronto! Como se não bastasse o soco na boca do estômago que parecia ter levado, eu ainda tive que levar uma rasteira extra. Então aquela prática era muito mais comum do que eu imaginava inclusive trocando apenas os personagens e as suas fardas?

- Mas espera aí, eu...

Tentou ele mais uma vez inutilmente concluir. Ela não baixou guarda para o guarda:

- Não tem mais nem menos! Vocês já sabem, poxa! Guarda Municipal só pode pedir em dia de jogo, porque aí todas as redondezas ficam lotadas por causa do estádio aqui perto. Mas não sendo jogo... não adianta!”

A partir desse momento o Guarda Municipal parece se lembrar do peso de sua farda. Rapidamente olha para todo o balcão. Há clientes, funcionários, crianças: todos olhando e ouvindo o surreal diálogo. Alguns perplexos como eu, outros nem tanto. Daí para frente não sei mais o que é conversado. Motivo? Ele baixa a voz e fala como quem sussurra palavras de amor no ouvido da amada. Só vejo quando a gerente - revoltada com a situação - pega nervosamente uma embalagem pequena de batatas fritas e um copo de refrigerante. Ela entrega tudo ao tal homem que, a essa altura do campeonato, não tinha moral que valesse mais que as murchas batatinhas no pacote.

Mas murchas e caídas só mesmo as batatas, viu? Ele não! Inflado por um sentimento inexplicável de “me dei bem hoje”, ele segura seu lanche, caminha em direção à porta e segue sua vida.

Ninguém que estava no balcão sequer se olhou. Nenhum músculo se moveu no semblante de qualquer um dos outros funcionários.  Repito que ficou muito claro que esse tipo de extorsão era mais comum do que jamais se poderia imaginar. Sem medo, sem olhar envergonhado e com refrigerante sabor "impunidade" na mão, o que vi foi apenas um suposto Guarda Municipal que, com uma mão no pacote “delivery” e a boca cheia de batatas, ainda saiu sorrindo.

Eu que pago impostos e fui obrigado a assistir tudo isso de camarote, fiquei sem reação. Me senti exatamente que nem o garoto propaganda da deliciosa rede: um verdadeiro palhaço.

Ronald Mc extorsão... sem catchup, por favor!

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Micos e afins

18
nov
20h18

Mico 150x150 Micos e afinsNão adianta. Salvo nas semanas em que há um turbilhão de acontecimentos polêmicos, as sextas parecem não combinar com muita coisa densa. E olha que nesse fim de semana tem o "aniversário" de uma semana de ocupação da Rocinha; um derramamento de óleo absurdo na costa do estado e muitas outras coisas que poderíamos discutir aqui. Nada disso. Falemos de micos.

Ainda embalado pelo último texto, aquele em que "defendo" a cantora-princesa-pobre-menina-rica Britney Spears dos olhares mais críticos - aqueles que teimam em julgar a moça só porque ela resolve usar colã-coladinho mesmo estando "ligeiramente" acima do peso, resolvi destacar aqui o contraponto de Britney. A cantora Beyoncé coube, sem muito esforço, dentro de um vestido de casamento que só agora - 3 anos depois do enlace dos pombinhos - é que apareceu na mídia.

A informação me chamou a atenção no site do MsN. Já faz muito tempo que Jay-Z e Beyoncé estão casados. Na época da festa nenhuma foto da cerimônia "super secreta" vazou para a imprensa. A pergunta é: Britney caberia no mesmo vestido?

Beyonce Micos e afins

E para não esquecer que o assunto é mico, esse vídeo é para fechar a sexta-feira provando que algumas horas a mais de vôo podem fazer toda a diferença...

tm.gkz.4bcf Micos e afins
St. Barts Plane Landing Fail

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Britney Spears… NO REFOUNDS!

16
nov
19h55

Britney Spears 150x150 Britney Spears... NO REFOUNDS!Não sou muito daquele tipo que joga pedra em artista. Talvez seja por isso, me vejo obrigado a defender Britney Spears hoje.

Claro que eu observei que ela ainda não está, digamos assim, tão enxuta como ela já foi. Digo "ainda não está" porque já ouvi gente de peso, especializada em celebridades, dizer que são tantos milhões de dólares investidos em tratamentos e regimes, que já chego a me perguntar: vamos ver Britney de volta aos 21 anos? Vamos colocar os dois pés no chão: dez anos se passaram desde a última vez que ela veio ao Brasil. Como exigir que tenhamos no palco a mesma mocinha do Disney Channel? O tempo é implacável e deixa suas marcas. Então não dá para reclamar que ela está gorda. Eu recomendaria, quando muito, apenas cuidado ao usar colãs. Mas quem pagou para ver Britney de perto, sabe que ela vai fazer 30 anos. Sabe que muita gente chega aos 30 anos muito bem torneada. Mas Britney não. Então não adianta reclamar.

Também ouvi muita gente dizer que não dá mais para ver Brtiney Spears fazendo playback em pleno show. Como diria Renato Russo, "pára o mundo que eu quero descer"! Como assim? Alguma vez a Britney já fez um show no Brasil sem playback? Se você me perguntar e eu te responder com franqueza, CLARO que eu prefiro que a cantora faça o que eu estou alí para assistir: alguém cantando! Mas não dá para pedir que se coloque no ingresso uma observação, destas de rodapé, do tipo: "Playback Concert". Ainda mais se levarmos em conta o tanto que ela dança no palco. Se eu que nem sou fã dela não me surpreendi, imagine quem admira a "princesa do pop"? Surpresa zero. Então, não consigo aceitar reclamação de um "show-CD" também. 

Britney Spears 02 Britney Spears... NO REFOUNDS!

Resumido, ela deu a volta por cima. Se considerarmos a quantidade de polêmicas e de problemas que já enfrentou, Britney é uma vencedora. Pouca gente - ou ninguém - conseguiria lotar a Apoteose depois de tantos altos e baixos, gordas e magras, tendo mais de 15 anos de estrada e 30 anos de idade. Quem foi ver Britney Spears - pelos novos hits contagiantes ou por nostalgia - viu o que já sabia que ia encotrar. Sem devoluções, reclamações ou trocas: era a mesma Britney da televisão.

Britney Spears em 2001:

Britney Spears em 2011:


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O disparo certo na hora certa

14
nov
20h34

Fotografia 150x150 O disparo certo na hora certaQuem conhece pelo menos um pouco de fotografia já deve ter ouvido falar de Henri Cartier Bresson. Foi ele o pai do conceito que virou premissa máxima do registro fotográfico no jornalismo: o “instante decisivo”. A expressão, criada por ele mesmo, define o momento exato em que o dedo tem que apertar o botão da câmera para registrar um momento único, do tipo que não se repete nem um segundo antes nem um segundo depois. É a foto perfeita.

Se o fotógrafo francês fosse vivo, talvez tivesse que admitir que a sua teoria para registros históricos e singulares, também fez discípulos em áreas que dificilmente poderiam ser comparadas com o trabalho delicado e sutil de uma fotografia. O secretário de segurança pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, certamente seria um Cartier Bresson “pós-moderno”. Mas o nosso “Bresson” da Guanabara não tira fotos. Apenas propicia os momentos certos para as fotos serem tiradas, as imagens serem captadas, e as impressões transmitidas.

Bresson O disparo certo na hora certa

O instante decisivo: nem um segundo antes, nem um segundo depois para a foto "perfeita". / Foto: Cartier Bresson.

A invasão da Rocinha foi mais um espetáculo de rara beleza que o carioca já estava há um ano sem ver. Depois do Complexo do Alemão, o povo queria de novo. Beltrame deu ao público o espetáculo esperado em grande estilo: caveirões, tanques do exércitos, helicópteros e todo o aparato que uma grande operação merece. Quase um filme de guerra com personagens e locações reais. A polícia já sabia que a Rocinha era um mato de onde não sairia mais coelho. Desde o momento em que a prisão do “Nem” foi o grade destaque - que fez até a gente esquecer que horas antes policiais foram presos ajudando traficantes a escaparem da comunidade - tudo foi muito bem administrado. A exaltação da honestidade dos policias que não aceitaram suborno para deixá-lo escapar; a sagacidade da Polícia Federal na ação; e a expectativa dos moradores de São Conrado com a ocupação: tudo foi um roteiro cinematográfico bem amarradinho, completo, que fez o carioca bater as mãos no peito e dizer o quanto tem orgulho de morar aqui.

Tenho que admitir: até aqui eu não faria nada diferente. O secretário Beltrame descobriu a pólvora quando percebeu que a grande sacada da UPP não é simplesmente a polícia entrar e ficar na comunidade, como eu mesmo acreditava no começo da empreitada. Hoje vejo que a entrada da Unidade de Polícia Pacificadora é mais: é quase um aviso de despejo dado com antecedência, avisando que os dias do tráfico na favela já estão contados.

Rocinha Nem O disparo certo na hora certa

Traficante "Nem" da Rocinha, minutos após sua prisão. / Foto: R7

Fazer isso frustrou uma minoria. Gente que - assim como eu - deduziu erroneamente que polícia entrar sem tiros em comunidade era sinônimo de “serviço dado”. Motivo? Reflexo talvez de uma realidade tão sovada que já fez de nós jornalistas quase que seres paranóicos em pensar que tudo dando certo demais é motivo para se ficar de orelha em pé. Em outras palavras, sintomas de que algo de suspeito poderia estar acontecendo para a polícia subir morro e não puxar sequer um gatilho.

O “secretário-Bresson” conseguiu fazer a coisa certa e com requintes de marqueteiro profissional. Soube orquestrar todo seu aparato para que invasões, como a do Alemão e da Rocinha, virassem um show para se ver na manhã de domingo comendo pipoca. Foi mais que simplesmente ver uma comunidade sendo tomada: foi fazer o “ufanismo” gritar em nossas veias, com lágrimas e aplausos. Um sentimento de orgulho de ser carioca quando a bandeira do Brasil foi erguida no alto do morro.

Beltrame O disparo certo na hora certa

Scretário Beltrame: um feito na Rocinha e preocupação com o futuro. / Foto: arquivo - R7

Toda essa análise que faço hoje não é só para o secretário ou para o governador se vangloriarem. Ela também serve para aguçarmos nosso senso crítico. É bom olhar para a Rocinha com orgulho. Mas também é bom olharmos para ela sem perdermos nossas referências do passado nem nossas ambições do futuro. Já ouvi deduções políticas de que Brizola também teria conseguido uma época de tranqüilidade no Rio de Janeiro fazendo uma espécie de “acordo informal” com o tráfico do tipo: “eu não subo o morro com a polícia, mas vocês também não descem”. Especulações políticas e criações à parte, a história mostra que, de fato, o Rio teve seus dias de paz exatamente como tem hoje. Por isso lhe pergunto: entende agora porque jornalista desconfia de tudo, por mais que o feito atual seja praticamente incontestável?

Voltando ao governo Cabral, o trabalho foi feito e "bem feito", eu diria. Mas não quer dizer que esteja concluído. Longe de querer parecer o pessimista de plantão, a “limpeza” feita aqui, não necessariamente significa a tranqüilidade de lá, da zona norte, da Baixada e dos outros municípios que ficam do outro lado da ponte “Rio-Niterói”. A bandidagem se move, migra e muda. E muda também seu jeito de agir. Acredito que o comércio de drogas pode ganhar novas facetas, novos mercados, até menos violência! Mas acho que dificilmente vai deixar de existir. Os países ditos “mais ricos” do mundo que o digam. Mas para se combater esse problema da migração da bandidagem no Rio, tenho que lamentar: ainda não vi nada efetivo ser apresentado até agora.

Se Henri Cartier Bresson fosse vivo essa seria a hora certa de se perguntar a ele: perder o instante decisivo também nessas áreas vizinhas é perder a chance de ficar bem na foto para sempre?

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Telemarketing: quem nunca passou por isso?

11
nov
20h39

A caminhada contra a distribuição dos Royalties do Petróleo foi assunto sério aqui no Rio de Janeiro. Mas isso não quer dizer que não possa haver diversão, alegria e momento de encontrar amigos. Um deles foi o ator da Record, nosso colega Bemvindo Siqueira. E desse encontro saiu uma descoberta: muito se engana quem pensa que nossos atores se restringem aos palcos do teatro ou às novelas. A produção também pode ser caseira, feita com a webcam mesmo, porque não? Veja que vídeo engraçadíssimo que o ator postou no YouTube!   E a pergunta que fica é: quem nunca passou por essa amolação do telemarketing justamente na hora errada?


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Quem precisa de polícia assim?

10
nov
01h26

Policia Bandida 150x150 Quem precisa de polícia assim?A polícia carioca não tem do que se evergonhar. Não tem porque simplesmente não sabe mais o que é isso. A definição de ter "vergonha" dispensa a ajuda do dicionário. O simples ato de se "envergonhar" está atrelado a fazer algo que seja amoral, imoral ou repreensível. Então como cobrar que alguém esteja envergonhado se não há o conceito que é mola-mestra para isso? Imoral, amoral e repreensível são palavras que não estão mais no conjunto universo dessas instituições. É como tentar convencer uma criança de que colocar o dedo no ventilador machuca, sendo que ela nem sabe o que é um ventilador.  

O episódio que vergonhosamente tivemos que repercutir nesta quarta-feira não mostra desmantelamento. Mostra total degeneração do conceito de "ser policial". Quando homens da nossa suposta "segurança pública" - que segurança? - se vendem para tirar traficantes de uma favela de um lado, enquanto seus próprios colegas, fardados ou não, estão subindo a comunidade do outro, é porque não existe mais nem amor próprio. 

Rocinha Quem precisa de polícia assim?

Traficantes presos pela PF após deixarem a Rocinha. / Foto: R7.

Não vou fazer o discurso do politicamente correto. Generalizar, por mais que pareça injusto, talvez seja um remédio, sabia? O sentimento coletivo de injustiça talvez fizesse uma limpeza de dentro pra fora, quando quem é "trigo" começaria a expulsar o que é "joio" dessas políciasE por favor, me ajude a continuar acreditando que há "trigo" dentro da nossa segurança pública que dê para se fazer bem mais que meia dúzia de pãezinhos franceses, sim?

Se você for policial, seja militar ou civil - e for honesto - por favor concorde comigo. Talvez seja preciso chegar ao fundo do poço em nossa auto-estima para em seguida voltar a subir. Acredite: nesse momento é preciso escrever exatamente assim, de forma dura e inflexível, mesmo sendo sobre instituições que respeito tanto. Tenho colegas, amigos, pessoas da família; gente honrada e honesta que faz parte desse mesmo aparelho de segurança píublica. Cresci vendo meu tio, policial militar aposentado, honrando e ensinando a honrar sua farda. Tarefa feita com tanto afinco, mas tanto afinco, que fez de um dos filhos dele outro policial militar na família. Portanto não se sinta melindrado: também dói em mim. Mas a terapia que sugiro agora já tem que ser de choque mesmo.

Talvez o pecado da generalização seja o purgatório para uma polícia que está desmoralizada.

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