Micos e afins

18
nov
20h18

Mico 150x150 Micos e afinsNão adianta. Salvo nas semanas em que há um turbilhão de acontecimentos polêmicos, as sextas parecem não combinar com muita coisa densa. E olha que nesse fim de semana tem o "aniversário" de uma semana de ocupação da Rocinha; um derramamento de óleo absurdo na costa do estado e muitas outras coisas que poderíamos discutir aqui. Nada disso. Falemos de micos.

Ainda embalado pelo último texto, aquele em que "defendo" a cantora-princesa-pobre-menina-rica Britney Spears dos olhares mais críticos - aqueles que teimam em julgar a moça só porque ela resolve usar colã-coladinho mesmo estando "ligeiramente" acima do peso, resolvi destacar aqui o contraponto de Britney. A cantora Beyoncé coube, sem muito esforço, dentro de um vestido de casamento que só agora - 3 anos depois do enlace dos pombinhos - é que apareceu na mídia.

A informação me chamou a atenção no site do MsN. Já faz muito tempo que Jay-Z e Beyoncé estão casados. Na época da festa nenhuma foto da cerimônia "super secreta" vazou para a imprensa. A pergunta é: Britney caberia no mesmo vestido?

Beyonce Micos e afins

E para não esquecer que o assunto é mico, esse vídeo é para fechar a sexta-feira provando que algumas horas a mais de vôo podem fazer toda a diferença...

tm.gkz.4bcf Micos e afins
St. Barts Plane Landing Fail

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Britney Spears… NO REFOUNDS!

16
nov
19h55

Britney Spears 150x150 Britney Spears... NO REFOUNDS!Não sou muito daquele tipo que joga pedra em artista. Talvez seja por isso, me vejo obrigado a defender Britney Spears hoje.

Claro que eu observei que ela ainda não está, digamos assim, tão enxuta como ela já foi. Digo "ainda não está" porque já ouvi gente de peso, especializada em celebridades, dizer que são tantos milhões de dólares investidos em tratamentos e regimes, que já chego a me perguntar: vamos ver Britney de volta aos 21 anos? Vamos colocar os dois pés no chão: dez anos se passaram desde a última vez que ela veio ao Brasil. Como exigir que tenhamos no palco a mesma mocinha do Disney Channel? O tempo é implacável e deixa suas marcas. Então não dá para reclamar que ela está gorda. Eu recomendaria, quando muito, apenas cuidado ao usar colãs. Mas quem pagou para ver Britney de perto, sabe que ela vai fazer 30 anos. Sabe que muita gente chega aos 30 anos muito bem torneada. Mas Britney não. Então não adianta reclamar.

Também ouvi muita gente dizer que não dá mais para ver Brtiney Spears fazendo playback em pleno show. Como diria Renato Russo, "pára o mundo que eu quero descer"! Como assim? Alguma vez a Britney já fez um show no Brasil sem playback? Se você me perguntar e eu te responder com franqueza, CLARO que eu prefiro que a cantora faça o que eu estou alí para assistir: alguém cantando! Mas não dá para pedir que se coloque no ingresso uma observação, destas de rodapé, do tipo: "Playback Concert". Ainda mais se levarmos em conta o tanto que ela dança no palco. Se eu que nem sou fã dela não me surpreendi, imagine quem admira a "princesa do pop"? Surpresa zero. Então, não consigo aceitar reclamação de um "show-CD" também. 

Britney Spears 02 Britney Spears... NO REFOUNDS!

Resumido, ela deu a volta por cima. Se considerarmos a quantidade de polêmicas e de problemas que já enfrentou, Britney é uma vencedora. Pouca gente - ou ninguém - conseguiria lotar a Apoteose depois de tantos altos e baixos, gordas e magras, tendo mais de 15 anos de estrada e 30 anos de idade. Quem foi ver Britney Spears - pelos novos hits contagiantes ou por nostalgia - viu o que já sabia que ia encotrar. Sem devoluções, reclamações ou trocas: era a mesma Britney da televisão.

Britney Spears em 2001:

Britney Spears em 2011:


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O disparo certo na hora certa

14
nov
20h34

Fotografia 150x150 O disparo certo na hora certaQuem conhece pelo menos um pouco de fotografia já deve ter ouvido falar de Henri Cartier Bresson. Foi ele o pai do conceito que virou premissa máxima do registro fotográfico no jornalismo: o “instante decisivo”. A expressão, criada por ele mesmo, define o momento exato em que o dedo tem que apertar o botão da câmera para registrar um momento único, do tipo que não se repete nem um segundo antes nem um segundo depois. É a foto perfeita.

Se o fotógrafo francês fosse vivo, talvez tivesse que admitir que a sua teoria para registros históricos e singulares, também fez discípulos em áreas que dificilmente poderiam ser comparadas com o trabalho delicado e sutil de uma fotografia. O secretário de segurança pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, certamente seria um Cartier Bresson “pós-moderno”. Mas o nosso “Bresson” da Guanabara não tira fotos. Apenas propicia os momentos certos para as fotos serem tiradas, as imagens serem captadas, e as impressões transmitidas.

Bresson O disparo certo na hora certa

O instante decisivo: nem um segundo antes, nem um segundo depois para a foto "perfeita". / Foto: Cartier Bresson.

A invasão da Rocinha foi mais um espetáculo de rara beleza que o carioca já estava há um ano sem ver. Depois do Complexo do Alemão, o povo queria de novo. Beltrame deu ao público o espetáculo esperado em grande estilo: caveirões, tanques do exércitos, helicópteros e todo o aparato que uma grande operação merece. Quase um filme de guerra com personagens e locações reais. A polícia já sabia que a Rocinha era um mato de onde não sairia mais coelho. Desde o momento em que a prisão do “Nem” foi o grade destaque - que fez até a gente esquecer que horas antes policiais foram presos ajudando traficantes a escaparem da comunidade - tudo foi muito bem administrado. A exaltação da honestidade dos policias que não aceitaram suborno para deixá-lo escapar; a sagacidade da Polícia Federal na ação; e a expectativa dos moradores de São Conrado com a ocupação: tudo foi um roteiro cinematográfico bem amarradinho, completo, que fez o carioca bater as mãos no peito e dizer o quanto tem orgulho de morar aqui.

Tenho que admitir: até aqui eu não faria nada diferente. O secretário Beltrame descobriu a pólvora quando percebeu que a grande sacada da UPP não é simplesmente a polícia entrar e ficar na comunidade, como eu mesmo acreditava no começo da empreitada. Hoje vejo que a entrada da Unidade de Polícia Pacificadora é mais: é quase um aviso de despejo dado com antecedência, avisando que os dias do tráfico na favela já estão contados.

Rocinha Nem O disparo certo na hora certa

Traficante "Nem" da Rocinha, minutos após sua prisão. / Foto: R7

Fazer isso frustrou uma minoria. Gente que - assim como eu - deduziu erroneamente que polícia entrar sem tiros em comunidade era sinônimo de “serviço dado”. Motivo? Reflexo talvez de uma realidade tão sovada que já fez de nós jornalistas quase que seres paranóicos em pensar que tudo dando certo demais é motivo para se ficar de orelha em pé. Em outras palavras, sintomas de que algo de suspeito poderia estar acontecendo para a polícia subir morro e não puxar sequer um gatilho.

O “secretário-Bresson” conseguiu fazer a coisa certa e com requintes de marqueteiro profissional. Soube orquestrar todo seu aparato para que invasões, como a do Alemão e da Rocinha, virassem um show para se ver na manhã de domingo comendo pipoca. Foi mais que simplesmente ver uma comunidade sendo tomada: foi fazer o “ufanismo” gritar em nossas veias, com lágrimas e aplausos. Um sentimento de orgulho de ser carioca quando a bandeira do Brasil foi erguida no alto do morro.

Beltrame O disparo certo na hora certa

Scretário Beltrame: um feito na Rocinha e preocupação com o futuro. / Foto: arquivo - R7

Toda essa análise que faço hoje não é só para o secretário ou para o governador se vangloriarem. Ela também serve para aguçarmos nosso senso crítico. É bom olhar para a Rocinha com orgulho. Mas também é bom olharmos para ela sem perdermos nossas referências do passado nem nossas ambições do futuro. Já ouvi deduções políticas de que Brizola também teria conseguido uma época de tranqüilidade no Rio de Janeiro fazendo uma espécie de “acordo informal” com o tráfico do tipo: “eu não subo o morro com a polícia, mas vocês também não descem”. Especulações políticas e criações à parte, a história mostra que, de fato, o Rio teve seus dias de paz exatamente como tem hoje. Por isso lhe pergunto: entende agora porque jornalista desconfia de tudo, por mais que o feito atual seja praticamente incontestável?

Voltando ao governo Cabral, o trabalho foi feito e "bem feito", eu diria. Mas não quer dizer que esteja concluído. Longe de querer parecer o pessimista de plantão, a “limpeza” feita aqui, não necessariamente significa a tranqüilidade de lá, da zona norte, da Baixada e dos outros municípios que ficam do outro lado da ponte “Rio-Niterói”. A bandidagem se move, migra e muda. E muda também seu jeito de agir. Acredito que o comércio de drogas pode ganhar novas facetas, novos mercados, até menos violência! Mas acho que dificilmente vai deixar de existir. Os países ditos “mais ricos” do mundo que o digam. Mas para se combater esse problema da migração da bandidagem no Rio, tenho que lamentar: ainda não vi nada efetivo ser apresentado até agora.

Se Henri Cartier Bresson fosse vivo essa seria a hora certa de se perguntar a ele: perder o instante decisivo também nessas áreas vizinhas é perder a chance de ficar bem na foto para sempre?

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Telemarketing: quem nunca passou por isso?

11
nov
20h39

A caminhada contra a distribuição dos Royalties do Petróleo foi assunto sério aqui no Rio de Janeiro. Mas isso não quer dizer que não possa haver diversão, alegria e momento de encontrar amigos. Um deles foi o ator da Record, nosso colega Bemvindo Siqueira. E desse encontro saiu uma descoberta: muito se engana quem pensa que nossos atores se restringem aos palcos do teatro ou às novelas. A produção também pode ser caseira, feita com a webcam mesmo, porque não? Veja que vídeo engraçadíssimo que o ator postou no YouTube!   E a pergunta que fica é: quem nunca passou por essa amolação do telemarketing justamente na hora errada?


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Quem precisa de polícia assim?

10
nov
01h26

Policia Bandida 150x150 Quem precisa de polícia assim?A polícia carioca não tem do que se evergonhar. Não tem porque simplesmente não sabe mais o que é isso. A definição de ter "vergonha" dispensa a ajuda do dicionário. O simples ato de se "envergonhar" está atrelado a fazer algo que seja amoral, imoral ou repreensível. Então como cobrar que alguém esteja envergonhado se não há o conceito que é mola-mestra para isso? Imoral, amoral e repreensível são palavras que não estão mais no conjunto universo dessas instituições. É como tentar convencer uma criança de que colocar o dedo no ventilador machuca, sendo que ela nem sabe o que é um ventilador.  

O episódio que vergonhosamente tivemos que repercutir nesta quarta-feira não mostra desmantelamento. Mostra total degeneração do conceito de "ser policial". Quando homens da nossa suposta "segurança pública" - que segurança? - se vendem para tirar traficantes de uma favela de um lado, enquanto seus próprios colegas, fardados ou não, estão subindo a comunidade do outro, é porque não existe mais nem amor próprio. 

Rocinha Quem precisa de polícia assim?

Traficantes presos pela PF após deixarem a Rocinha. / Foto: R7.

Não vou fazer o discurso do politicamente correto. Generalizar, por mais que pareça injusto, talvez seja um remédio, sabia? O sentimento coletivo de injustiça talvez fizesse uma limpeza de dentro pra fora, quando quem é "trigo" começaria a expulsar o que é "joio" dessas políciasE por favor, me ajude a continuar acreditando que há "trigo" dentro da nossa segurança pública que dê para se fazer bem mais que meia dúzia de pãezinhos franceses, sim?

Se você for policial, seja militar ou civil - e for honesto - por favor concorde comigo. Talvez seja preciso chegar ao fundo do poço em nossa auto-estima para em seguida voltar a subir. Acredite: nesse momento é preciso escrever exatamente assim, de forma dura e inflexível, mesmo sendo sobre instituições que respeito tanto. Tenho colegas, amigos, pessoas da família; gente honrada e honesta que faz parte desse mesmo aparelho de segurança píublica. Cresci vendo meu tio, policial militar aposentado, honrando e ensinando a honrar sua farda. Tarefa feita com tanto afinco, mas tanto afinco, que fez de um dos filhos dele outro policial militar na família. Portanto não se sinta melindrado: também dói em mim. Mas a terapia que sugiro agora já tem que ser de choque mesmo.

Talvez o pecado da generalização seja o purgatório para uma polícia que está desmoralizada.

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Cinegrafista morto: até onde a reportagem deve ir?

7
nov
18h51

bala fuzil 150x150 Cinegrafista morto: até onde a reportagem deve ir?Lembro-me bem daquele rosto fino e com ar de compenetrado atrás da câmera. Gelson Domingos estava aflito naquele dia. E não era preocupação apenas em fazer a melhor imagem no estúdio. Por causa de problemas na coluna, Gelson havia recebido orientação médica para que se afastasse das ruas por alguns dias. Dentro do nosso cenário, o peso da câmera era responsabilidade do tripé e não apenas do ombro experiente do cinegrafista. Lá se vão 5 anos desde que conheci Gelson assim, no estúdio, quando o “RJ Record” ainda dava seus primeiros passos.

Gelson passou a vida inteira capturando imagens. Ironia do destino, a sua própria, gravada com a câmera que segurava quando caiu no chão, registrou seus últimos minutos de vida. A polícia julgava que a situação na comunidade já estava contida depois de um intenso confronto com traficantes. De posse dessa informação, policias autorizaram a entrada da imprensa. Meu colega entrou na favela para nunca mais sair. Mas a culpa não é da PM. Gelson não dependia de um “câmbio-positivo-operante” para buscar suas melhores imagens. O que o impulsionava era um revestimento psicológico inconsciente de que a melhor imagem vale certos sacrifícios. O profissional só não imaginou que esse custo, desta vez, seria sua própria vida.

Gelson Domingos Cinegrafista morto: até onde a reportagem deve ir?

Gelson Domingos: um herói morto em cobate motivado por quem? / Foto: R7.

A morte dele, com um tiro de fuzil no peito, quando acompanhava uma operação policial na comunidade de Antares, zona oeste do Rio de Janeiro, deixa mais que saudades: deixa a polêmica sobre até onde se deve ir em situações extremas de coberturas jornalísticas.

Durante o velório de Gelson ouvi idéias diversas. Desde um movimento em massa contra a TV Bandeirantes, até um manifesto para que repórteres e cinegrafistas que transitem em áreas de conflito possam usar coletes mas seguros, que resistam à tiros de fuzil, como os que só são autorizados para integrantes das forças armadas. Mas a culpa também não é da falta do “colete certo na hora certa”. Fortalecer “escudos” faz somente com que bandidos também fortaleçam seus ataques. É como aquela velha e retórica discussão sobre a mudança da maioridade penal: tornar um adolescente de 16 anos responsável criminalmente por seus atos, não faria com que traficantes procurassem novos “súditos” em idades ainda mais tenras? Acredito que o mesmo vale para acreditar que direito a usar colete a prova de fuzil vai resolver alguma coisa. Daí traficante passa a atacar, não mais com fuzil, mas sim com bazuca. É o cachorro correndo atrás do próprio rabo...

A mudança não está na lei. Ela está nas nossas cabeças. Jornalistas e cinegrafistas não são pressionados por redações e chefia para tirarem suas vidas. Não há quem em “sã” consciência prefira morrer como herói da televisão do que ser um covarde vivo. Isso é lenda urbana. Na Record, por exemplo, a entrada ou não em locais de risco é facultada a equipe de externa, embora a orientação seja sempre não arriscar quando o risco for iminente. E isso não é uma forma de deixar a responsabilidade na mão de quem está lá, “in- loco”, para se ver livre do problema não! É uma forma de se assumir que essa é uma avaliação única e exclusiva de quem esta vendo o conflito de perto. Conheço repórteres da casa que dizem simplesmente "não" e são respeitados.

Choro repórter Cinegrafista morto: até onde a reportagem deve ir?

Repórter da Bandeirantes chora ao ver companheiro morto. / Foto: "O Dia".

O que moveu o Gelson não foi apenas "paixão pelo ofício". O risco não depende dessa relação afetuosa pelo trabalho. Ele também aparece quando nós, repórteres que estamos na chamada “hora do vamos ver”, nos sentirmos mais encorajados em busca de um reconhecimento profissional por bravura. Quem já fez reportagem de rua sabe que temos colegas “kamikazes” que, por conta de seu perfil destemido, “forçam” uma entrada em massa de repórteres em locais que deveriam ser evitados. Eu já vi isso acontecer. É o retrato de uma competição tão predatória, que vale o risco ao bem mais precioso que é a vida. “Se eu não entrar, o cinegrafista da outra emissora entra e grava tudo.” - ouvi certa vez de um repórter cinematográfico com quem trabalhei. A culpa está mais em nossas cabeças do que em supostas determinações ou diretrizes editoriais. Redação alguma prefere ter a melhor imagem em troca da pior notícia de um integrante da equipe baleado. A concorrência nada sadia em busca do melhor furo e a competição pelo melhor ângulo, é que faz com que os fins justifiquem os meios.

O Gelson foi vítima de arma muito mais mortífera e perfurante que uma bala de fuzil: a disputa devastadora e agressiva que existe entre nós mesmos, nas ruas. Minhas conclusões terminam com um “até logo” aos demagogos de plantão que vão garantir que sem esses “heróis” jamais saberíamos o que acontece lá dentro de uma comunidade. Desculpe, mas não consigo concordar. Não quero um “Gelson-herói” morto. O que não protege e nem trás o querido e amado Gelson de volta é blindagem da demagogia.

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Samba suor e… tiros

4
nov
12h32

pandeiro 2 Samba suor e... tirosNossa cidade é realmente uma teia de contrastes. Coisa que sambista faz virar poesia na passarela. Mas hoje, nem precisou da Marques de Sapucaí para se perceber isso. Não era no samba-enredo: era na tela da televisão mesmo.

O mestre Ciça, da Grande Rio foi o primeiro a perceber, enquanto ainda encerrávamos o programa de hoje com muita música. Logo que entrou o Balanço Geral, na sequência, com meu amigo Wagner Montes, o sambista - medalhão na escola, diga-se de passagem - logo comentou: "Enquanto a gente está aqui, cantando, o caveirão está 'comendo' em Bangu".

E era exatamente isso o que víamos: o programa acabou e assistíamos pela televisão, quase que incrédulos, o caso de bandidos que fugiam da polícia e invadiram uma escola pública na Vila Aliança, em Bangu, Zona Oeste da cidade.

 

bateria Samba suor e... tiros

Bateria da "Grande Rio": superação depois de carnaval prejudicado por incêndio. / Foto: R7.

O Rio é assim, uma mistura, uma mescla de samba e choro, alegria e tensão. Trocadilho que os sambistas não perderam, aproveitando o enredo da escola deste ano que diz "Eu Acredito Em Você. E você?"

A pergunta que fica é: e você? Acredita no Rio de Janeiro com menos desse tipo de confronto?

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Ao pó em 5 segundos

3
nov
00h42

Brasília definitivamente deve ter problemas com seus hotéis. Só os abandonados, embargados ou falidos, diga-se de passagem. A demolição de dois dos mais antigos da cidade, neste feriado, elevou para quatro o número de hotéis que agora, só existem em fotografias da capital federal.

O Hotel das Nações e o Hotel Alvorada eram alguns "últimos" dos "primeiros" construídos em Brasília, ainda na década de 60, pouco depois da inauguração da cidade. Agora, eles foram destruídos como parte das obras de ampliação e modernização do parque hoteleiro de Brasília. Tudo visando a Copa de 2014.

Mas fazendo uma cronologia inversa, não faz muito tempo que o brasiliense viu um outro hotel também desaparecer. O esqueleto do que seria o "Hotel Phenicia", - segundo hotel de uma mesma empresa brasiliense - deixava o Setor Hoteleiro Norte da cidade feio há 17 anos. Era um mostro abandonado por causa de brigas entre herdeiros do prédio.

O último deles - ou primeiro - foi implodido em 2007. Tratava-se de outro hotel que nunca foi terminado. Ele ficava na margem do Lago Paranoá e - de acordo com as informações da época - estava totalmente fora do gabarito de construções em Brasília, desde sua altura até localização, que não permitia prédios para esta finalidade. Foram 20 anos de confusão na justiça para que tudo fosse derrubado em poucos segundos.

No meio dos condenados uma redenção: o "Brasília Palace Hotel" teve um destino diferente. Ele foi o primeiro hotel de Brasília, construído em 1958, e teve suas atividades suspensas em 1978 depois de um incêndio. Só escapou da dinamite em seus alicerces porque recentemente foi comprado por uma das maiores redes hoteleiras do Distrito Federal. Foi novamente inaugurado e hoje é um dos mais modernos de Brasília.

Esse vídeo abaixo, da década de 90, mostra bem para quais finalidades o prédio abandonado acabou sendo útil para os jovens brasilienses.

O curioso é pensar: para uma cidade que tem apenas 51 de idade, não é confusão demais com hotéis que acabam virando pó?

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Hipocrisia: um câncer para quem julga?

31
out
13h17

hipocrisia Hipocrisia: um câncer para quem julga?Existe uma diferença entre o que é "discurso institucional" e o que são "ações práticas" na vida da gente. É aquela velha história do "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço". Quem tem filhos sabe bem disso: nem sempre o que se ensina na teoria é o que os próprios pais conseguem fazer, executar, na prática. É do ser humano tentar ser "politicamente correto" o tempo todo.

O ex-presidente Lula vive hoje exatamente este contraponto de idéias sobre o tratamento de seu câncer na laringe, diagnosticado este fim de semana. Fazer o que disse quando era presidente ou fazer o que todos fazem?

Lembro-me bem que, quando ainda era "paciente" do Palácio do Planalto, Lula disse para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que o tratamento de câncer no Brasil é o melhor do mundo. Mal poderia ele imaginar que seria personagem de uma história onde ele é o protagonista. O câncer na laringe do ex-presidente da república é mais que um problema perto das cordas vocais. É um problema que vira "calacanhar de Aquiles" para um homem público, acostumado a ser cobrado por tudo o que diz. O torneiro mecânico que se tornou presidente deveria voltar as origens e se tratar na saúde pública brasileira ou deveria seguir se tratando no hospital particular mais conhecido e mais caro do Brasil? Não demorou muito e a discussão foi parar na internet.

No dicionário a explicação é bem simples: a palavra hipócrita - vindo de hypocrisis, no latin - define aquele que finge ter crenças, virtudes, idéias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. E foi esse termo o mais usado para descrever o presidente Lula depois desse caso em fóruns, salas de bate-papo e redes de relacionamento.

Lula hospital Hipocrisia: um câncer para quem julga?

Lula chega ao hospital particular, em São Paulo, para sessão de quimioterapia. / Foto: R7.

É interessante como o juízo do que é ou não hipocrisia nos outros, acaba revelando a nossa hipocrisia. O ex-presidente Lula não mentiu: o tratamento público para câncer, no nosso país, apesar de todas as mazelas que enfrenta, ainda consegue ser referência mundial. Percebi isso, na prática, quando em Brasília fui diretor voluntário da Abrace, instituição que apoia pacientes infanto-juvenis e familiares destes menores, quando submetidos a quimioterapia, por exemplo. Só que ter o melhor tratamento para um mal não significa que o acesso a ele seja fácil. Um país pode ser larga referência no combate ao câncer sem necessariamente ter portas tão "largas" para quem precisa entrar nessa realidade de se tratar sem gastar nada. O presidente Lula sabe disso e, claro, não lembrou desse "pequeno detalhe" na conversa co o colega norte-americano.

Não acho que Lula tenha que por "obrigação moral" se tratar pelo SUS. E não estou dizendo isso apenas pelo prestígio alcançado em sua trajetória política: prestígio não regride tumor de ninguém. Mas é público e notório que, quem tem condições, não se submete a essa porta - tão estreita - de entrada na saúde pública em nosso país. Quem tem dinheiro procura sempre o "melhor", mesmo que o melhor, nesse caso do ex-presidente, não seja o tratamento e sim o conforto de um hospital de luxo. Duvido que se fosse caso terminal, como aconteceu com o ex-presidente Tancredo Neves, Lula já não estaria no Hospital das Clínicas - onde Tancredo morreu - e não no Sírio Libanês. Você faria escolha diferente apenas para reerguer bandeira levantada na época em que era presidente? Cobrar algo do contrário é que me parece sim hipocrisia.

Tancredo Neves Hipocrisia: um câncer para quem julga?

Tancredo Neves: tratamento "politicamente correto" em hospital público? / Foto: internet.

Nossa saúde pública não funciona. Vivemos um gargalo - físico e moral - que afugenta quem pode pagar um plano de saúde. Mas nem sempre podemos fazer escolhas apenas levando em conta o critério financeiro. Constantemente digo à colegas e amigos: houve um acidente, caso de politraumatismo, me levem direto para um hospital como o Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. Talvez não morra na fila por ser apresentador de televisão (outra hipocrisia, diga-se de passagem, num país em que trabalhar em televisão cria o imaginário popular de que somos cidadãos merecedores de privilégios), mas é fato que o melhor centro cirúrgico para este tipo de caso está na rede oficial e não apenas onde aceitam minha carteirinha da Unimed.

A escolha de Lula não é nenhuma "Escolha de Sofia". A hipocrisia talvez seja mais nossa. Uma espécie de sentimento em catarse, legítimo de quem busca saúde igualitária para todos, mas que faz com que o câncer de um ex-presidente, vire motivo para uma cruxifcação do mesmo, ainda vivo.  Essa hipocrisia talvez não seja o câncer dele, e sim o nosso.

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Como os brasileiros fazem

28
out
08h40

Bob Marley 150x150 Como os brasileiros fazemA resposta dele me fez pensar: Julian Marley, filho do ícone do Reggae, Bob Marley, não se fez de rogado quando pintou o assunto “maconha” no meio da entrevista. Disse, nas entrelinhas, o que todo mundo já sabe: que no Brasil se fuma maconha. “No Brasil faço como os brasileiros fazem” - respondeu ele, quando questionado como fazia para consumir a erva quando está em países - como o nosso - onde a droga é proibida.

A pergunta, no meio da entrevista que fiz com ele, semana passada, não foi à toa. Longe de primeiro perguntar se ele fazia uso da “cannabis sativa” preferi ir direto ao assunto. O diálogo era aberto. Para começar, Julian Marley explicou porque o uso da maconha é considerado normal para o Rastafari, movimento religioso que, ao contrário do que muita gente pensa, não foi criado na Jamaica.

Julian Marley Como os brasileiros fazem

Saída inteligente: Julian Marley “disse” sem necessariamente “dizer”. Sem apologia. / Foto: internet.

A situação me trouxe rapidamente à memória a entrevista que fiz com Marcelo D2, em Brasília, dentro de uma cela. Não só ele estava preso, como também toda sua banda, o “Planet Hemp”. Todos acusados de fazer apologia às drogas durante um show, no começo da década de 90. Na verdade eles haviam sido informados que, se entrassem no palco com músicas do álbum “Legalize” sairiam algemados. E foi assim que aconteceu. O que não se poderia imaginar é que a prisão foi um tiro que saiu pela culatra. O burburinho de Brasília ecoou para todo o mundo e fez os movimentos “pró-legalização” ganharem ainda mais visibilidade.

Já escrevi muito aqui no blog sobre descriminalização, legalização e liberação da maconha. Esse não é assunto novo. Mas percebo nessas entrevistas que faço que, a cada dia que passa, aumenta o número de seguidores desse tipo de teoria “pró-descriminalização”, o que é totalmente diferente - de acordo com estudiosos com o próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - de liberação. De forma bem grosseira, o que FHC prega é que quando o consumo deixa de ser crime, se tira o usuário das páginas policias e o “transfere” para a esfera da saúde pública. Lembro-me de ter ouvido FHC dizer uma vez que “se tira o usuário da delegacia e o leva para o sistema de saúde.” A questão, senhor ex-presidente, é até que ponto nossa saúde pública - conbalida e doente - consegue absorver esse paciente.

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