Setor aéreo: fora do ar?
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 22/12/2010 às 11h02
Por fim o bom senso prevaleceu. Não sei dizer se foi em relação ao respeito ao passageiro ou se foi mesmo no bolso o maior medo: o Tribunal Superior do Trabalho já tinha definido multa de 100 mil reais por dia, caso o sistema aéreo do país não mantivesse 80% de sua capacidade em pleno funcionamento.
O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores no Setor Aéreo, Uébio José da Silva, disse foi foi respeito ao passageiro. Mas todo mundo sabe que, se a greve saísse agora, além de infernizar a vida de quem precisa voar ainda seria um tiro-no-pé dos próprios funcionários do setor, fechando as portas para futuras negociações.
Só entre a gente aqui no blog? Óbvio que essa greve não ia sair. Os sindicatos estaduais já sabiam disso. O comentário geral entre dirigentes que ouvi ontem davam conta que a meta era "assustar" até o último minuto para depois, hoje, abrir mão do movimento. Um deles - que não vou dizer o nome - chegou a fazer uma comparação ao telefone: disse que com um presidente que era sindicalista - Lula - todo mundo já tinha aprendido que negociação era assim mesmo. "Tinha que ameaçar greve e negociar sempre pedindo mais para ganhar o justo. Se pedir o justo os patrões dão menos." - me disse a fonte de Brasília. Por isso todos tinham que manter firme a postura do "vamos cruzar os braços". Tudo para não perder forças.
Resumindo? Quem trabalha no setor aéreo conseguiu passar de vilão à mocinho numa tática de marketing muito bem articulada. Pelo menos não perdeu a chance de mostrar respeito ao seu maior cliente sem repetir o fiasco de movimentos similares, na mesma época, em anos anteriores.
Céu de brigadeiro... mesmo sem aumento.
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POSTAGEM ORIGINAL:
Eu não sou do setor aéreo. Não sou funcionário, não sou dono de empresa de aviação. Sou apenas passageiro que, como tantos outros, quer o básico: comprar passagem e chegar! A idéia de início de greve dos aeroviário, amanhã, quinta-feira, me causa urticárias.
Que fique bem claro que minha opinião não tem nada a ver com a reivindicação de 13% de aumento dos possíveis grevistas. Acho até que, como citei acima, empresas aéreas que cobram até 1 mil reais numa ponte-aérea entre cidades quase "vizinhas" com Rio e São Paulo, podem sim remunerar melhor e oferecer escalas de trabalho mais dignas. Quando pego ponte-aérea escuto cada história...
Mas vamos combinar: não me peçam para acreditar que essa é a melhor época do ano para cruzar os braços. A argumentação de que o "barulho" precisa ser feito justamente quando as pessoas mais voam, me parece uma afronta, um assinte não só aos passageiros frequentes. Acho que isso é um "tapa na cara" do viajante eventual. Aquele que junta dinheiro o anto todo - ou parcela a passagem à perder de vista - só para passar as férias ou as festas de fim de ano junto com a família.
Quem é do setor sabe que há outros alvos e alternativas. Exemplo? Fácil: seria pressão muito maior parar, por um dia, a ponte-aérea entre Rio e São Paulo, do que complicar a vida de passageiros de todo o Brasil. Dados da própria Infraero (2009) mostram que a maior renda per-capta do país circula justamente nesta rota: políticos, empresários, formadores de opinião de maneira geral. Agora, atrapalhar a "dona Maria" que só quer passar o Natal em Fortaleza, com a família que não vê há 10 anos? Isso não me parece justo.
Se o meu apelo não mudar nada nesse cenário - que não é céu de brigadeiro - vou lembrar ainda aos amigos do setor que, além dos atrasos por causa do piquete, hoje cedo no Santos Dumont; ainda há atrasos comendo solto no aeroporto internacional Tom Jobim. Motivo: muitos passageiros não conseguem embarcar para o exterior por causa da nevasca na Europa que já fecha vários aeroportos. Mas aí é coisa da natureza, o que não temos como controlar. Se a greve ainda vier à reboque nesse momento, o clima, mesmo com tanta neve, pode é esquentar.
Espero que o bom-senso decole... e rápido.














