A floresta inteira…
É um paradoxo. O fim sempre é um novo começo. O término do Hoje m Dia - Rio" nos abre novas possibilidades mas também nos faz sentir saudades. Era um programa que já tinha virado o nosso "xodozinho". Não é preciso pensar muito para poder dizer, sem medo de errar, que foi um dos projetos mais bacanas em que já trabalhei.
Enquanto todo apresentador pensa em ser um apresentador de rede - quem não gosta da idéia? - é engraçado como fazer programa regional também me deixa feliz. Acho que eu tenho jeito de quem gosta de conversar na cozinha e não na sala. Gosto de responder os e-mails de quem nos assiste; gosto de "conversar" o Twitter inteiro e ainda curto muito descobrir pelo Facebook o que as pessoas querem ver na televisão.
Acho que o "puxadinho carioca" para mim foi isso: a chance de mostrar que quem falava de polícia, cobrava das autoridades e exigia mudanças, também poderia devolver ao Rio o que suas mazelas tiravam da cidade, furtivamente, todos os dias: a auto-estima. Era a hora de mostrar o lado "doce" do Rio de Janeiro depois de provar o lado "amargo" da nossa babilônia pós-moderna. Uma sacada da nossa diretora, Vanessa Andrade, que antes de mais nada queria manter o formato original do "label" nacional, "Hoje em Dia".
Foi no "puxadinho carioca" que aprendi a ver uma "fatia" do Rio de Janeiro que estava longe do meu objeto de estudo no antigo projeto, que também amava apresentar. Eu passara a ver o lado da cidade mais para "Rio-cartão-postal", sem me fastar do totalmente do chamado "hard-news". E foi dele, do RJ Record - jornalistico que apresentava antes do Hoje em Dia - que me veio uma explicação para essas mudanças: eu também tive que abrir mão dele um dia para abraçar um novo projeto. E a vida da gente pode ser mais cíclica do que pensamos. Minha maior preocupação na época era imaginar como seria o novo desafio ao lado da Mariana Leão.
Para o futuro há projetos. Pode ser uma nova linha de reportagens, um novo programa, ou voltar para onde vim, o hard-news "nú e cru". A Record não pára de crescer e tem a saudável idéia fixa de liderança. E isso não é discurso ideológico da empresa. Isso é minha percepção lógica, que não depende nem de estar dentro dela para ver.
É sempre bom não perdermos de vista que antes de sermos de qualquer programa, somos de televisão.
Programas entram no ar, saem do ar. Não foi o primeiro e provavelmente não será o último a ter o seu "início-meio-fim". Alguns por mais tempo outros não. Mas há um propósito em tudo.
É aquela história de nunca se pensar apenas em uma árvore e sim na floresta inteira.

















