enxaqueca Enxaqueca não é dor de cabeça. Fadiga, mudança de humor e até bocejos podem ser sinais da doençaEu sofro de enxaqueca desde que me conheço como gente (e já faz tempo). E se tem uma coisa que aprendi na própria prática é que não é a mesma coisa que dor de cabeça. Os sintomas vão muito além e são bem piores (vai por mim).

Já perdi as contas de quantas vezes durante minhas crises eu já ouvi: “Toma um remédio que passa”. Ou mesmo chegar no hospital com tanta dor que você tem vontade de tacar a cabeça na parede e, mesmo assim, ter zero prioridade de atendimento. Muitos acham que o problema é bem menos do que ele efetivamente é!

Apesar de muita gente não saber, a enxaqueca é uma doença neurológica que merece muita atenção. Aliás, é a quinta maior causa de incapacidade no mundo, segundo explicou a neurologista Thais Villa, chefe do setor de cefaleia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e diretora clínica da Headache Center Brasil. Segundo a médica, no Brasil, 25% da população que sofre com a doença têm incapacidade de moderada à grave.

De uma maneira simples, a enxaqueca é de caracterizada por uma disfunção cerebral de base genética. Se seus pais sofrem do problema, você terá também. Esse é meu caso: minha mãe tem e meu pai (falecido) tinha a doença.

A doença é mais prevalente no sexo feminino, especialmente nas mulheres na faixa etária fértil.

Enxaqueca X dor de cabeça

Thais explica as diferenças básicas entre enxaqueca e uma dor de cabeça tensional.

Quais são os sintomas:

- Enxaqueca: a dor é de apenas de um lado da cabeça; é pulsante; a intensidade vai de moderada à forte; se agrava com atividade física; provoca náuseas ou vômitos; intolerância à luz, barulho ou ao cheiro forte; a pessoa pode ter até aura [distúrbios visuais].

- Dor de cabeça: acomete os dois lados da cabeça; é de intensidade fraca a moderada; não piora com atividade física; não provoca náuseas ou vômitos. Os gatilhos são: cansaço, dormir mal, jejum prolongado e estresse.

Quais os gatilhos?

- Enxaqueca: estresse, ansiedade, mudanças hormonais, privação ou excesso de sono, jejum, exercício físico, fatores ambientais, dieta, álcool. São esses alguns dos fatores que podem desencadear a enxaqueca.

A crise ocorre por um desses estímulos, pois o “cérebro interpreta aquilo como uma agressão e começa a dor”. Lembrando que os gatilhos não são causas da doença. Esse é um erro muito comum", explica Thais.

- Dor de cabeça: cansaço, dormir mal, jejum prolongado e estresse.

Como qualquer outro problema de saúde, a emxaqueca dá sinais que está por vir, como por exemplo, fadiga, mudança de humor (irritabilidade, ansiedade e tristeza), dificuldade de concentração, intolerância à luz ou som, bocejos repetidos, mudanças no apetite, sonolência. Há também sintomas associados como tontura, alterações no sono, do humor, do apetite e até alterações gastrointestinais, como diarreia e intestino preso.

Há tratamento, sim!

Segundo Thais, o diagnóstico da enxaqueca é clínico, ou seja, “não há necessidade de nenhum tipo de exame”. O médico vai conversar com o paciente durante a consulta para dar o diagnosticar.

— Geralmente, os exames de quem tem enxaqueca dão todos normais.

Apesar de não ter cura, é possível sim tratar a enxaqueca. Há diversos tipos, desde medicamentos até terapias com psicólogos e fisioterapia. Cada caso exige o seu.

No caso da medicação, ela é utilizada diariamente, de forma contínua e no mínimo por seis meses. Após três meses de uso, é possível reduzir em 50% a frequência das crises, segundo Thais.

cefaly 300x231 Enxaqueca não é dor de cabeça. Fadiga, mudança de humor e até bocejos podem ser sinais da doençaAlém da medicação, há diversas outras maneiras de ajudar no tratamento. Uma das mais modernas é a neuroestimulação em que um aparelhinho (ver foto ao lado) colocado na cabeça gera pequenos impulsos elétricos ao nervo trigêmeo, principal causador da dor de cabeça, alterando a forma que a dor é assimilada. O equipamento deve ser utilizado 20 minutos por dia para combater as dores.

O aparelho Cefaly pode auxiliar o tratamento de pacientes que já utilizam remédios. Mas também pessoas que não podem utilizar medicação, como gestantes, mulheres que estão amamentando etc. É recomendado para que tem crises leves ou moderadas, disse Thais.

Depois de ter tido fôlego de ler esse texto até o final, não deixe de procurar ajuda de um BOM neurologista.

Eu já agendei o meu.