orelhadeabano Tem orelhas de abano? Colar não adianta nada; saiba o que fazerComo já disse para vocês em outro post, eu vou me casar em breve. Então, dia desses batendo um papo com os fotógrafos que farão meu casamento, a Tati e o Leando Donato, eles me contaram diversas histórias engraçadas. Uma delas eu fiquei chocadíssima e resolvi compartilhar porque tem a ver com o nosso tema: saúde!

Gente, eles me disseram que estavam acompanhando o making off da noiva (maquiagem e cabelo) quando a menina resolveu colar suas orelhas com superbonder, por sugestão da cabeleireira. Parece que a noiva "tinha orelhas de abano" e gostaria de usar um penteado preso!  PASMEM!

Poxa, mas será que ela não correu nenhum risco? Bom, mas para saber mais sobre orelhas de abano e compartilhar com quem se interessar, conversei com a cirurgiã plástica Pamela Daniela Massuia, membro da SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica sobre o tema).

Para começar, a noiva agiu mal, de acordo com a especialista:

— Não existe um tratamento que não seja cirúrgico resolutivo para as orelhas proeminentes. O uso de faixas pelas mães nos bebês pode prejudicar a cartilagem da orelha se não usadas adequadamente como as tiaras nas meninas. Porém seu uso diário não impede o desenvolvimento desta característica. Assim como o uso de fitas adesivas ou colas, massagens locais , como métodos adaptativos e não permanentes, não tratam a condição, e podem, inclusive, causar danos como alergias, fissuras e irritabilidade na pele.

As orelhas de abano têm origem genética e acometem cerca de 2 a 5% da população, em ambos os sexos. De acordo com Pamela,  aproximadamente 60% dos casos podem ser diagnosticados ao nascimento, o restante durante a primeira infância.

— Frequentemente ambas as orelhas, de forma simétrica ou não, mas há casos que somente uma é afetada.

Como apenas a cirurgia otoplastia pode resolver o problema, a cirurgiã plástica orienta que a idade ideal para a operação é durante o período pré-escolar entre os 6 e 7 anos.

— Quando a orelha já apresenta seu desenvolvimento completo , e a criança já participa mais ativamente do processo da preparação cirúrgica. Nesta fase, a criança ainda está no começo de seu período escolar e podemos assim, evitar um maior constrangimento dela devido a esta característica.

Pamela ainda explica que o  preparo para a cirurgia é simples, basta um exame "hemograma e coagulograma completo".

— A cirurgia em crianças realizamos com anestesia geral, e a partir de 12 anos, ou da colaboração do paciente com anestesia local. O procedimento é rápido, cerca de 40 minutos a 1 hora e meia, e o paciente pode receber alta no mesmo dia da cirurgia. Os cuidados pós operatórios são com a limpeza do local cirúrgico e o uso de faixa modeladora por um período que pode variar de 15 até 40 dias de acordo com a experiência e prática do cirurgião. A recuperação geralmente é rápida, o paciente poderá retornar ao trabalho na mesma semana do procedimento. Como qualquer procedimento cirúrgico, podemos ter complicações como hematomas, infecção da ferida ou deiscência de sutura [ abertura dos pontos].

SUS oferece a cirurgia

Em consultório, o custo do procedimento em consultório particular varia de acordo com o cirurgião, de R$ 3.500 até R$ 8.000.

O SUS (Sistema Único de Saúde) realiza o procedimento sem custo aos pacientes. Porém, o pedido médico deve ser encaminhado pelo médico clinico do posto de saúde para avaliação com o serviço de cirurgia plástica credenciado no SUS, após avaliação o paciente entra numa fila de espera, que poderá variar, de acordo com o serviço, até mais de um ano.

Atenção!!

Independentemente da idade ou de onde o paciente irá realizar o procedimento, a operação deve ser realizado por um médico credenciado, especializado, capacitado para o procedimento.