garganta1 Sua garganta inflama facilmente? Talvez extrair as amígdalas seja a solução

Por Eligia Aquino Cesar

Sempre fui uma criança tagarela (e continuei assim depois de adulta... hahahaha). Por isso, quando ficava quietinha, amuada, febril, minha mãe já matava a charada: garganta inflamada. Perdi as contas de quantas injeções de Benzetacil tomei e do número de antibióticos que engoli para que sarasse e me livrasse das dores fortíssimas que sentia. Foi assim até os 19 anos, quando me submeti à cirurgia de extração das amígdalas e vi minha vida mudar para muito melhor. Se você conhece alguém com um histórico parecido com este e que morre de medo de operar, este post vai te ajudar (bastante!!!).

Você deve estar se perguntando por qual razão eu não tinha feito a cirurgia antes, ainda na infância. Simples: não havia consenso médico nos anos 80 sobre a eficácia do procedimento. Alguns otorrinos aconselhavam a fazer a operação, outros diziam que era perigoso, que eu ficaria mais doente ainda e diversas coisas nesse sentido. Na dúvida, meus pais resolveram não arriscar.

Segundo o otorrinolaringologista, Alfredo Lara, do hospital Cema, este cenário mudou nos anos 90. Ele explica que, a partir desta década, o diagnóstico médico deixou de ser baseado apenas na opinião do especialista e passou a levar em consideração evidências e estudos populacionais em grande escala, o que mostrou que a cirurgia de extração das amígdalas é uma ótima alternativa em casos específicos.

Lara destaca ainda que há histórias envolvendo a questão que devem ser elucidadas.

— O principal mito é em relação a imunidade, dizendo que extrair as amígdalas seria prejudicial. Isto não existe! Outras células de defesa da boca vão passar a fazer a função da amígdala extraída, que é ajudar a manter germes e bactérias longe de locais em que possam causar infecções.

Para saber se o paciente tem perfil para cirurgia, alguns fatores são preponderantes. O primeiro deles é a idade: a partir de um ano e meio. Já os outros, como explica Lara, são ligados diretamente aos episódios nos quais a doença ocorre (eu, por exemplo, me encaixava no primeiro e no quarto casos da descrição abaixo).

— Números repetidos de infecções — seis em um ano, cinco em um semestre, quatro em dois anos consecutivos ou três em três ou mais anos seguidos — respiração bucal (que é quando a pessoa respira pela boca), amígdalas assimétricas e abscessos (cavidade com pus) são indicações para a extração das amígdalas.
garganta2 Sua garganta inflama facilmente? Talvez extrair as amígdalas seja a solução

O otorrino fala ainda sobre uma queixa comum entre muitos pacientes operados: o fato de ainda sentirem dor de garganta após a cirurgia.

— As amígdalas são órgãos que estão na faringe. A pessoa que as extrai pode ter faringite, resfriado, dor na garganta, mas amigdalite nunca mais. Costumo dizer que amígdala é mais ou menos igual vesícula, dente do siso e unha do dedinho: não serve para nada, mas quando incomoda, atormenta demais!

Espero que o post tenha dado uma luz no fim do túnel de quem sofre com dores na garganta. No meu caso, a cirurgia foi uma benção, procure um otorrino e peça a opinião dele sobre a sua situação. Um beijo e até a próxima! icon wink Sua garganta inflama facilmente? Talvez extrair as amígdalas seja a solução

* A jornalista Eligia Aquino Cesar assume o blog interinamente durante as férias da colega Vanessa Sulina