lcstrip 95775 0 full Volvo acena para a Tesla: Estou chegando

Está cada vez mais evidente que a eletricidade é o combustível do futuro para a indústria automobilística, e não apenas como alimento para os motores, mas como negócio. Nos últimos dias, a direção-geral da Volvo anunciou, em sua sede na Suécia, que a empresa só fabricará veículos eletrificados a partir de 2019.

Parece uma notícia banal, mas não é: atualmente quase toda a gama de modelos da marca é a combustão, com algumas versões híbridas do tipo plug-in, em que se pode abastecer na tomada para rodar alguns quilômetros em modo 100% elétrico.

No mundo do business, a Volvo mandou claramente um recado à Tesla: "Estou chegando". E sobram motivos para uma mudança de rumo. Em abril deste ano, a fábrica de carros elétricos do bilionário Elon Musk superou a Ford em valor de mercado, sendo avaliada em nada menos que US$ 49 bilhões (R$ 153 bi).

Na ocasião, cheguei a fazer a seguinte provocação: será que a Tesla vale mais do que a Ford e a GM? Tecnicamente, seus papéis superaram os da Ford. Mas teria a Tesla força suficiente para confirmar tamanho sucesso?

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Voltando à Volvo, muita coisa aconteceu nesta década. Após ser vendida pela Ford à chinesa Geely, em março de 2010, a montadora passou por uma espécie de entressafra. Pouco a pouco, foi renovando sua linha e retirando dos carros as heranças da "era Ford".

Mas como negócio, a fabricante, que sempre foi referência em segurança, tendo sido pioneira no desenvolvimento de vários sistemas anticolisão, estava perdida. Agora, com esta mudança radical de direção, a empresa parece ter encontrado um novo caminho nas mãos dos chineses.

Se considerarmos que a Tesla sequer gerou lucro até o momento, as possibilidades da Volvo são imensuráveis. Em 2016, a fábrica de carros elétricos de Elon Musk acumulou prejuízo de US$ 746 milhões. Sua média mensal em todos os mercados é de 8 mil carros.

No ano passado, a Ford vendeu 6,6 milhões de veículos no mundo, e registrou lucro de US$ 10,4 bilhões. No mesmo período, a GM emplacou cerca de 250 mil veículos por mês só nos Estados Unidos.

E a Volvo? Vendeu 534,3 mil modelos no mundo em 2016, 6,2% mais que em 2015.

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Tudo isso para dizer que a Volvo não apenas dá um sinal à Tesla (de que será sua rival direta nos próximos anos), como propõe uma quebra de paradigma para toda a indústria automobilística. Será o momento de mudar a direção, abandonar definitivamente o petróleo e partir para um desenvolvimento ainda mais intenso de veículos eletrificados?

Este parece ser um caminho irreversível que mudará o cenário automobilístico já na próxima década. Basta observar que o grupo Volkswagen anunciou no fim de 2016 que planeja vender 1 milhão de carros elétricos até 2025.

Diogo de Oliveira, editor

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