Caros internautas, vamos parar de hipocrisia e falar a verdade. Como ser humano que sou, não poderia deixar de demonstrar aqui meu entendimento sobre o caso “Boris Casoy”. Eu conheço gente que não aparece na televisão e nem usa “lapela” (pequeno microfone preso ao terno usado em TVs) pendurada no peito, mas que todos os dias destila seu veneno falando mal de um irmão, parente ou amigo.

Pense comigo quantas vezes eu e você falamos de alguém em tom de calunia, ou simplesmente apontando o dedo como se fossemos juízes de nós mesmos. Deu repercussão porque foi com Bóris. Quanta gente nos descrimina, mas nem ficamos sabendo porque essa gente não usa ''lapela" para nós ouvirmos. Meus queridos, lembrem-se sempre: a boca fala do que está cheio o coração! '

 

 Coloque uma lapela em mim!

Foto por Divulgação

Não é um santo quem escreve aqui, nada disso, mas estou falando de humanidade, e isso falta muito nos meios cruéis de comunicação. Em televisão, o que se vê é um amontoado de gente, assim como aí perto de você, somos iguaizinhos. Você que me lê agora, sabia que eu faço cocô? Éhhh...

A TV cria uma força maléfica nas pessoas que não se seguram numa moral de berço e de humanidade. Existe muita gente em que a "lapela" ainda não vazou e que se vazasse você nem acreditaria. Gente que humilha companheiros de televisão, colegas de trabalho que suportam tudo para levar o pão para a família. Tem gente que não gosta de pobre, de andar no meio do povo. Tem gente que abraça o povo e depois o vomita ao chegar em seus lares.

Na política é assim, bando de podres e safados, salvo raras exceções. Gente que passa longe de ser um humano voltado ao bem. Bóris errou em pedir desculpas aos garis pela TV, deveria ter ido até eles, afim de conhecer a vida e o sofrimento desta gente que sempre se mostra muito humanitária. E estando junto deles, aí sim pedir a honra da desculpa, seria lindo. O que faltou no Boris? O que ele falou não é nada perto de tudo que a sociedade fala de si própria.

Respondam-me a essas questões, se quiser é claro:

Você já viu um negro com uma loira e questionou?

Deixaria sua filha se casar com um negro?

E se teu filho chegasse em casa apresentando a você, seu namorado novo?

Quando foi a última vez que você doou roupas suas, mas roupas boas hein, a um pobre?

Se sua filha dissesse ‘Mãe este é o homem da minha vida”, um gari, o que diria a ela?

Quando foi a última vez que você visitou um pobre, ou perto dele chegou?

Quando é que nós nos permitiremos assumir nossas diferenças e nossas discriminações, pois é fácil falar do Bóris. Eu mesmo estou longe de agradar a Jesus, sou um pecador em busca das minhas melhorias. Os habitantes deste planeta se separam mais e mais a cada dia, mas em breve seremos obrigados a nos unir, a nos amarmos.

Oh Deus, coloca uma ''lapela'' em cada um de nós e deixa vazar aquilo que somos ''fora do ar''. Você tem algum preconceito? Pergunte ao seu coração.

gari geraldo1 Coloque uma lapela em mim!

Foto por Suzana Vier

Boris não esta sozinho nessa, tem milhões no planeta sendo ''dois em um'', esquecendo-se de que a boca fala do que está cheio o coração. Muitos se esquecem de que o maior homem que já passou por aqui foi um ''gari'', mas um ''gari'' de almas, de esperança e amor, Jesus. Todos nós vivemos atrás de nossas ''cortinas".

Vivemos fingindo o tempo todo, nunca assumimos quem de verdade somos no caminho do bem.  Ser gari é a sobrevivência do brasileiro honesto, gente rica de tão simples que são.

Geralmente o lixo que produzimos, os outros catam ou resolvem para nós.

Lixo moral.

Lixo na política.

Lixo de marido ou esposa.

Lixo de pessoa.

Lixo de comportamento.

Lixo todo nós temos, inclusive eu. Vamos assumi-los para que melhoremos.

Vamos imaginar como seria se fosse colocado um microfone em vocês e que todos a partir dali pudessem ouvir seus pensamentos... Teria coragem?

O que faltou ao Boris foi humanidade. No dever de sua função, não errou apenas no profissional, mas muito mais no humano, no ser humano. Mas fora desse mundo de TV, há anônimos inflando seus peitos e destruindo vidas com suas palavras, pois as palavras têm poder, nós somos aquilo que falamos, sempre!

O tempo cuida de nos ensinar. Longe de julgar, não sou ninguém e nem tenho moral para isso, essas escritas são de um ser humano que também está em evolução. No coração do Boris, e eu o conheço bem, ficou a marca do erro, mas também do recomeço, todos erramos, aliás, eu conheço o Boris há mais de 15 anos, é um bom homem, tem uma vida simples, diferente de muita gente da TV.

Sua credibilidade profissional não pode ser comparada ao seu erro humano, ele gritou muito pelo Brasil enquanto muitos se calaram covardemente! Vai lá Boris, no cesto de lixo de sua casa vai passar um gari, o chame para um jantar, será o começo de uma mudança real. A desculpa não deve ser no ar, ela deve estar nas mudanças de atitudes estampadas no dia a dia.

Somos todos cercados por gente simples, humana, que nos faz sermos aquilo que somos. Eu já errei muito, inevitavelmente vou errar mais, e o único remédio para essas marcas que nós deixamos nos outros é a humildade de ir ao encontro daqueles que ferimos.

Geraldo

O filho da Olga, que também foi gari em um mercado, e com muito orgulho.

Ah uma última coisa...

“Todos nós somos garis de nós mesmos”. Produzimos nosso próprio lixo e depois descarregamos nas caçambas alheias...

Tchau.

E lembre-se: “O amor jamais te esquece”.

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