Os senadores Aécio Neves e Antonio Anastasia, ambos do PSDB de Minas Gerais, estão entre os 71 parlamentares (24 do Senado), que serão investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir do conteúdo da delação da Odebrecht feita no âmbito da Operação Lava Jato.

Nesse quesito senadores delatados pela empreiteira, no qual aparece praticamente um terço do Senado, Minas só perdeu para São Paulo, que teve todos os seus três representantes mencionados: Aloysio Nunes (PSDB), atual ministro de Relações Exteriores; José Serra (PSDB) e Marta Suplicy (PMDB).

A autorização para abertura de inquérito contra todos eles foi concedida pelo relator do caso no STF, ministro Edson Fachin após pedido feito pela Procuradoria Geral da República (PGR).

No caso dos senadores mineiros, eles deverão responder criminalmente pelos crimes de corrupção ativa, passiva e de lavagem de dinheiro. Contra Aécio, Fachin autorizou a abertura do maior número de inquéritos: cinco.

Aécio é presidente do PSDB e assim como Anastasia, ex-governador de Minas. Anastasia foi o relator do processo de impeachment contra a então presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado.

Outros nomes

No tocante a Minas, além dos dois tucanos, a relação traz ainda os nomes do deputado federal Dimas Fabiano Toledo (PP) e de outros dois mineiros menos conhecidos do grande público: o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig),Oswaldo Borges da Costa, e o publicitário Paulo Vasconcelos, ambos ligadíssimos a Aécio.

Oswaldo Borges da Costa e Aécio são inclusive aparentados. Costa é casado com a filha do banqueiro Gilberto de Andrade Faria (falecido em 2008) que foi padrasto de Aécio. Ele foi nomeado por Aécio, então governador de Minas, para presidir a Codemig, uma das mais cobiçadas e estratégicas empresas estatais mineiras, sobretudo por sua atuação no rentável setor de mineração, e se tornou uma espécie de tesoureiro do ex-governador.

Paulo Vasconcelos foi o marqueteiro responsável pela campanha presidencial de Aécio em 2014, quando o tucano foi derrotado por Dilma.

Ao todo, Fachin autorizou a abertura de inquéritos contra 98 pessoas. Além dos 29 senadores e dos 42 deputados, que incluem o comando do Congresso, a lista dos que serão processados no Supremo traz ainda três governadores, um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), nove ministros do governo Temer. , além de 200 outros alvos encaminhados a instâncias inferiores.

Há outras duas relações de nomes: uma de autoridades com foro especial que foi enviada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) da qual constam nove governadores, e outra com cerca de 200 pessoas sem foro, remetida para instâncias inferiores da justiça.

Outro lado

O senador Aécio Neves considera importante o fim do sigilo sobre o conteúdo das delações, iniciativa solicitada por ele ao ministro Edson Fachin na semana passada, e considera que assim será possível desmascarar as mentiras e demonstrar a absoluta correção de sua conduta.

A assessoria de imprensa do senador Antonio Anastasia informou que: "Em toda sua trajetória, Anastasia nunca tratou de qualquer assunto ilícito com ninguém".

Já Dimas Fabiano afirmou que "jamais manteve contato com qualquer executivo da Odebrecht, não tendo sido destinatário de recursos alegadamente doados ou disponibilizados pela referida empresa.

A eventual utilização do nome do seu nome por terceiros com propósitos espúrios – seja para solicitar recursos, seja para obter benefícios em delação – é prática absolutamente irresponsável e criminosa".

Oswaldo Borges da Costa e Paulo Vasconcelos não se manifestaram.