O senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) pediu na noite desta terça-feira (27) ao Supremo Tribunal Federal (STF) permissão para manter contato com a irmã, Andrea Neves, libertada da prisão na semana passada por decisão da 1ª Turma do STF.

Andrea foi posta em prisão domiciliar no último dia 22 em substituição à prisão preventiva em regime fechado à qual estava submetida. Entre outras medidas cautelares, a Corte determinou que ela fizesse uso de tornozeleira eletrônica e a proibiu de entrar em contato com qualquer um dos outros investigados no processo, incluindo o irmão Aécio.

“A proibição de irmãos se comunicarem, especialmente no atual estágio do feito — já foi oferecida denúncia, inexistindo qualquer risco às investigações —, além de não se mostrar mais necessária, termina por violar direito natural do contato familiar, implicando em ofensa à própria dignidade da pessoa humana, princípio matriz da Constituição Federal”, argumentam os advogados do senador tucano na petição que endereçaram ao STF.

Além de Aécio e Andrea, são investigados no mesmo processo o primo deles, Frederico Pacheco, e Mendherson Souza, ex-assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Todos foram denunciados por envolvimento em corrupção passiva, em decorrência da delação premiada de executivos da empresa JBS.

Andrea foi presa em 18 de maio, na Operação Patmos da Polícia Federal (PF) e passou 34 dias encarcerada no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, em Belo Horizonte, acusada pelo Ministério Público Federal (MPF) de ter solicitado a Joesley Batista, um dos controladores da JBS, a quantia de R$ 2 milhões em propina.

Ao todo, a neta de Tancredo Neves teria solicitado ao empresário mais de R$ 40 milhões. A defesa dela nega as acusações e alega que a quantia se refere à venda de um apartamento da família no Rio de Janeiro, nada tendo a ver com repasses ilícitos.

Andrea cumpre a prisão domiciliar num condomínio de alto luxo nas imediações de Belo Horizonte.