Não bastasse ter tido a sua vida virado de cabeça para baixo, após ser flagrado em áudios da JBS, o tucano Aécio Neves (PSDB-MG), recebeu mais uma péssima notícia na tarde desta terça-feira (6): a de que as intenções de voto no seu nome não chegam a nem 1%, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi sob encomenda da CUT.

Na pesquisa espontânea, na qual os nomes dos candidatos não são apresentados pelos entrevistadores, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com índice de 40%, seguido pelo deputado Jair Bolsonaro (PSC), com 8%. Na sequência aparecem Marina Silva (Rede) e Sérgio Moro, com 2%.

Já na pesquisa estimulada, na qual uma lista de candidatos é apresentada aos entrevistados, Aécio é mencionado por apenas 1% dos pesquisados em um eventual embate de primeiro turno com Lula (46%). Bolsonaro é citado por 13% deles, Marina Silva por 9% e Ciro Gomes (PDT) por 5%.

Em outro cenário da pesquisa estimulada, com a inclusão do nome do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Lula também lidera. Ele vai a 45%, contra 13% de Bolsonaro, 9% de Marina Silva e 4% de Ciro Gomes e Alckmin.

Ao trocar o candidato tucano pelo prefeito de São Paulo, João Doria, o cenário segue estável. Lula continua com os mesmos 45%, contra 12% de Bolsonaro, 9% de Marina, 5% de Ciro e 4% de Doria.

A pesquisa foi feita entre os dias 2 e 4 de junho em 118 municípios. Foram entrevistadas 2 mil pessoas com mais de 16 anos. A margem de erro é de 2,2% em um grau de confiança que chega a 95%.

Derrocada

A derrocada de Aécio foi acelerada a partir da delação feita pelo dono da JBS, Joesley Batista.

Desde então, o outrora eterno presidenciável se viu encrencado com a Justiça. Ele foi afastado dos cargos de senador e de presidente do PSDB e teve um pedido de prisão apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), acusado de pedir e receber propina e de tentar barrar as investigações da Operação Lava Jato.

E o que é pior: está sendo obrigado a encarar a dura realidade de ter uma irmã e um primo presos por supostamente participarem dos mesmos esquemas de favorecimentos pessoais que pesam contra ele.

Aécio foi eleito governador de Minas Gerais por duas vezes e ainda conseguiu fazer o seu sucessor no estado, o também tucano, Antonio Anastasia. Depois elegeu-se senador e quase virou presidente da República em 2014, ao receber 51 milhões de votos.

Passados pouco mais de dois anos desse feito, ele toma conhecimento que todo o patrimônio político que vinha acumulando nos últimos 35 anos, desde a morte do avô (Tancredo Neves), conforme detectou a pesquisa, está prestes a virar pó.