O ministro da Justiça Alexandre de Moraes demonstrou comportamento antiético e inadequado para o cargo ao vazar etapa da Operação Lava Jato, que culminou na polêmica prisão do ex-ministro Antonio Palocci na segunda-feira (26).

Moares avançou o sinal e perdeu a compostura revelando detalhes de uma ação policial que deveria ocorrer em sigilo.

Tamanha pisada na bola provocou reações de toda ordem. Estarreceu a todos e lançou dúvidas sobre a já questionada lisura da Lava Jato.

Mas nada disso foi suficiente para abalar a confiança que ele goza junto ao seu chefe, o presidente Michel Temer. Pelo contrário.

Temer parece ter ficado agradecido a Moraes, pois, ignorou a opinião pública e, em vez de demiti-lo para o bem do serviço público, confirmou o subordinado no cargo e colocou uma pedra sobre o assunto.

Para Temer, Moraes mostrou estar atento às atividades da Polícia Federal (PF) e, principalmente, ao desenrolar da Lava Jato.

Assunto explosivo, que interessa muito de perto a ele, que já teve seu nome citado mais de uma vez na operação comandada pelo juiz Sérgio Moro.

Pesa contra Temer suspeitas de ter indicado diretores da Petrobras e da BR Distribuidora que participaram do esquema de corrupção na petrolífera; de ter levado uma bolada de R$ 5 milhões da construtora OAS; e de ter pedido recursos para campanha do PMDB em São Paulo.

O nome dele apareceu na Lava Jato quando ainda era vice-presidente, nas delações premiadas firmadas pelo ex-senador Delcídio Amaral, do empresário Júlio Camargo, do lobista Fernando Baiano, e do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

Temer não é investigado. Mas não quer, e não pode, deixar a coisa correr solta.

Sendo assim, como prescindir das informações privilegiadas de Moraes?