A nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tomará posse do cargo no próximo dia 18 de setembro (segunda-feira), na sede da PGR em Brasília e se tornará a primeira mulher a comandar o Ministério Público Federal (MPF).

Ela foi escolhida a dedo por Michel Temer (PMDB) na esperança de que venha a ser um contraponto à gestão do atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que tem sido implacável com o presidente no âmbito da Operação Lava Jato.

Janot já denunciou Temer por corrupção passiva e corre contra o tempo para apresentar nova denúncia, dessa vez, por crime de obstrução da Justiça.

A expectativa do presidente é de que a nova PGR pegue mais leve com ele e reveja os atos praticados por Janot que tanto o tem incomodado.  Mas apesar de ter sido indicada por Temer e ter tido o apoio dos principais caciques do PMDB, como José Sarney e Renan Calheiros, não há certeza absoluta de que uma vez investida no cargo, ela venha a ser uma garantia de salvo-conduto para o presidente. A conferir.

Trajetória

Natural de Morrinhos (GO), Raquel Dodge tem 56 anos. Formada em Direito pela UnB, com mestrado em Direito pela Universidade Harvard, a nova PGR ingressou no MPF em 1987 e atuou em processos polêmicos como o do chamado “mensalão do DEM” no Distrito Federal.

Ultimamente, como subprocuradora-geral, atuava como membro suplente da 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, responsável por temas envolvendo os direitos do consumidor e a defesa da ordem econômica.

Ela integrou também a 6ª Câmara (populações indígenas e comunidades tradicionais),  e comandou a 2ª Câmara (criminal) até 2014.

Raquel Dodge cumprirá mandato de dois anos, que poderá ser renovado por mais uma vez, da mesma forma como ocorreu com Janot. Indicado em 2013 pela ex-presidente Dilma Rousseff, ele foi reconduzido por ela em 2015.