Um dia depois de se reunir furtivamente com o presidente Michel Temer (PMDB), bem longe dos holofotes na noite desta terça-feira (28), o ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, recebeu na tarde desta quinta-feira (30), oficialmente em seu gabinete, os senadores Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, e José Serra (PSDB-SP) - ambos alvos de inquéritos no STF.

As agendas foram divulgadas pelo STF e ocorreram em locais e horários distintos, no STF e no TSE.

O encontro com Serra chama a atenção pelo fato de na terça-feira (13), coincidentemente, o próprio ministro ter sido sorteado para relatar o inquérito que investiga o tucano no STF.

José Serra, como se sabe, é acusado de receber R$ 23 milhões da Odebrecht e é investigado pelo STF por suspeita de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e formação de cartel.

Já Romero Jucá, apesar de não estar sob a relatoria de Mendes, acumula nove inquéritos no Supremo.

O líder de Temer é suspeito de cometer diversos crimes no âmbito da Lava Jato, como formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, apropriação indébita previdenciária, ocultação de bens, além de outros de âmbitos eleitorais e contra a ordem tributária e de responsabilidade.

Do encontro fora da agenda oficial com Temer, ocorrido às véspera da indicação da subprocuradora Raquel Dodge para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e da sessão do STF sobre a validade da delação da JBS, participaram também os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil), ambos acusados de receber propinas para campanhas eleitorais do PMDB e suspeitos de terem cometido crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, segundo a PGR.