Ainda que em silêncio, em respeito ao luto, as articulações em torno do nome que irá suceder o ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF) já correm soltas nos bastidores do poder em Brasília.

E junto com as negociações foi aberta também a bolsa de apostas para saber o nome que ocupará a vaga e que poderá dar continuidade aos processos da Lava Jato no tribunal, caso a presidente do STF, ministra Carmen Lúcia não se antecipe e redistribua os trabalhos relacionados à operação que estavam a cargo de Teori.

Alguns nomes já aparecem fortes para ocupar a vaga e serem indicados por Michel Temer: o juiz Sérgio Moro, o ministro da Justiça Alexandre Moraes e o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).

O nome de Moro começa a ocupar os debates nas redes sociais. Há inclusive um movimento "Queremos Moro no Supremo", pois, para muitos o juiz de Curitiba seria a pessoa ideal para dar sequência ao trabalho de Teori. Mas os idealizadores do movimento talvez não saibam que ele estaria legalmente impedido de assumir os processos no Supremo pelo fato de ser o juiz de instrução encarregado da Operação Lava Jato. Assim, ele poderia ocupar a vaga, mas longe da relatoria da operação.

Já Moraes sempre sonhou com uma vaga no STF. Mas passa por um processo de desgaste enorme no governo federal. O seu estilo pavão aliado aos vazamentos que produziu da Lava Jato e a atual crise no sistema prisional, que tem empurrado o governo contra a parede, o tornaram uma espécie de carta praticamente fora do baralho. Contudo, a sua indicação ao STF não deixa de ser vista como uma solução para Temer, que com uma só canetada ficaria livre de suas trapalhadas no governo e asseguraria um aliado de confiança no tribunal.

Correndo por fora, o ex-governador Anastasia é visto como o nome ideal não apenas pelos tucanos.

Amigo e sucessor de Aécio Neves (PSDB) no governo e Minas Gerais, ele foi o relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado, agrada a Michel Temer e não teria a menor dificuldade em ser sabatinado e aprovado pelo Senado.

Além de jogar com Aécio e de estar afinado com o governo Temer há um outro ponto, talvez ainda mais  importante, para contar a seu favor: a sua discrição e a amizade de longa data que mantém com a também mineira Carmen Lúcia.