Por falta de vontade política ou simplesmente por preguiça, a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) ainda não conseguiu revogar o título de cidadão honorário que concedeu ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, mesmo ele tendo sido cassado, preso e condenado a 15 anos e quatro meses de prisão, no âmbito da Operação Lava Jato.

A homenagem dos vereadores a Cunha - um dos símbolos da corrupção no país - ocorreu em janeiro de 2015, poucos dias antes dele assumir a presidência da Câmara. Já a sua cassação, por quebra de decoro parlamentar, se deu em outubro de 2016, enquanto a sentença condenatória foi dada pelo juiz Sergio Moro em junho deste ano.

O cancelamento da homenagem já poderia ter ocorrido caso os vereadores tivessem aprovado o projeto de resolução (1807/2015) que tramita já há cerca de dois anos na CMBH.

O projeto prevê o cancelamento das homenagens concedidas pela Câmara a pessoas que tenham sido condenadas por crimes hediondo ou contra a economia popular, a fé pública, a administração pública ou o patrimônio público.

O vereador Gilson Reis (PCdoB) chegou a apresentar um requerimento em separado para revogar especificamente a homenagem prestada a Cunha, mas esbarrou na burocracia interna e na falta de interesse e de visão de seus pares. O  requerimento dele foi indeferido pela mesa diretora por alegada falta de base legal, uma situação que poderá mudar, quando ( e se) o Projeto de Resolução 1807/2015, que não tem data para ser votado, for aprovado.

"Esse Legislativo municipal não deve se furtar e deve fazer a sua parte por uma política séria e livre da corrupção. O título de Cidadania Honorária é uma honraria que deve se pautar pela proba dos seus recebedores", justifica o autor do requerimento.