Agora que Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o homem-bomba, está preso por tempo indeterminado pela Operação Lava Jato, quais são as consequências da sua prisão? E o que poderá acontecer caso ele decida abrir a boca e contar realmente tudo o que sabe sobre a podridão que reina no meio político de Brasília?

Além de impulsionar as vendas do rivotril e de outros tranquilizantes na capital federal, uma primeira consequência da detenção do ex-presidente todo-poderoso da Câmara dos Deputados foi levar Michel Temer (PMDB) a abortar o seu périplo internacional e retornar com urgência ao Brasil.

Isso dá o grau de preocupação com uma eventual delação premiada acertada entre Cunha e o Ministério Público Federal (MPF). Especula-se que ele (Temer) seria a sua primeira vítima.

Cunha tem capacidade explosiva para implodir o governo comandado por seu velho amigo e companheiro de partido. Se decidir falar, não ficaria pedra sobre pedra.

Ele conhece bem todos os meandros do poder e os personagens que o habitam. Não estaria disposto a poupar nenhum deles à medida que suas chances de sair da prisão, onde poderá passar as próximas décadas, forem diminuindo.

Até que ele não ligaria muito para isso, poderia, inclusive, concordar em ficar de boca fechada, desde que sua família, a começar pela mulher, Cláudia Cruz, fosse preservada nas investigações da Lava Jato.

Mas Cláudia já tem encontro marcado com o juiz Sérgio Moro no próximo dia 14 de novembro. Isso se não for presa antes disso, pois há suspeitas de que, assim como Cunha, ela também poderia fugir do pais.

Moro vai querer que Cláudia explique a movimentação milionária nas contas secretas do casal abastecidas pelo seu marido com dinheiro obtido no esquema de corrupção na Petrobras. Terá que ser muito convincente para não ter que fazer companhia ao marido na carceragem da Polícia Federal (PF). Não necessariamente na mesma cela.

Outra consequência da prisão do ex-deputado é que ela, de imediato, ofusca fatos importantes ocorridos esta semana.

Pelo menos dois deles envolvem o PSDB:

1) o sinal verde dado pelo STF para que o presidente do partido dos tucanos, senador Aécio Neves (MG), seja investigado por suposta interferência na CPI dos Correios,

2) a utilização de recursos do fundo partidário para bancar viagem de luxo de Aécio a Nova York onde foi jantar com o também tucano e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Outo fato que ganhou destaque no noticiário foi a confirmação de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as pequisas para a eleição presidencial de 2018.

Há um temor do grupo que ajudou a derrubar o governo do PT de que Lula possa voltar à Presidência.

A detenção de Cunha nesse momento é vista como uma estratégia que serviria para dar um ar de isenção à Lava Jato, facilitando uma eventual prisão do petista e o tirando de vez da vida política.

A implosão do governo Temer também não seria de todo ruim para esse grupo.

Ela abriria caminho para a convocação de eleição indireta e pavimentaria a estrada de acordo com seus interesses até 2018.