Independentemente do resultado que sairá das urnas nas eleições para o governo de Minas Gerais, o vencedor da disputa, seja ele da situação ou da oposição, bem que poderia adotar um novo estilo de governar.

Trocar ao menos uma vez por mês, o conforto do ar refrigerado de seu gabinete e as muitas mordomias que terá à sua disposição no palácio, por um banho de povo.

Deixar o casulo irreal do poder para abraçar a dura realidade da população que o elegeu. Certamente, isso lhe fará muito bem e o ajudará a refletir melhor na hora de tomar suas decisões.

Na prática, no quesito saúde, sua excelência poderia frequentar de vez em quando, como paciente, um posto de saúde. Aproveitaria para checar como anda o atendimento à população e conferir a estrutura nas unidades públicas de atendimento médico.

Na educação não custaria escolher uma escola, de preferência na periferia dos grandes centros ou na zona rural, para dar uma aula ou fazer uma palestra para os alunos. Seria uma boa oportunidade para ver de perto a qualidade do ensino ministrado, as demandas dos alunos e dos professores, e a situação física das escolas estaduais.

A mobilidade terrestre também não deve ser esquecida pelo futuro governador. Ao fazer seus deslocamentos pelo interior do estado ou nas cidades, ele poderia substituir a comodidade proporcionada pelo transporte aéreo, seja de jatinho ou de helicóptero, pelo uso do carro, do ônibus ou do metrô.

De tal forma que, quando fosse viajar, sua excelência pudesse conhecer melhor a situação das estradas que cortam o estado. A maioria delas, ele poderá constatar isso facilmente, encontram-se em péssimo estado de conservação, mal sinalizadas, esburacadas, sem acostamentos e sem segurança. Faltam balanças para o transporte de cargas e pessoal para coibir os abusos registrados diariamente, como os excessos de velocidade e de peso, veículos em situação irregular, motoristas sem condições de dirigir etc.

Mas vamos combinar: não vale chegar da viagem e jogar a responsabilidade exclusivamente nas costas do governo federal. Pois, mesmo sabendo que Minas Gerais conta com uma malha federal enorme, o mínimo que se espera de um governante é que ele governe. E governar significa resolver problemas. Que ele vá para Brasília, negocie durante o tempo que for preciso, brigue, esperneie, e só saia de lá com uma solução definitiva. Afinal, não dá para empurrar com a barriga por mais tempo, um problema de tal magnitude e gravidade, que aleija e mata pessoas todos os dias.

Na mesma linha, quando estiver em algum centro urbano, o governador deveria optar por se deslocar de ônibus ou de metrô. Gastaria, é verdade, algumas horas do seu dia, para sair de casa a pé e ir até o ponto; depois, ficar na fila à espera da condução, e, finalmente, seguir, muitas vezes, de pé no próprio coletivo para o seu local de trabalho. Mas dividir espaço com outros passageiros pode ser um bom exercício para quem diz estar a serviço do povo.

O tempo gasto no trajeto não seria de todo perdido. Ao contrário, seria bastante pedagógico, pois ele poderia trocar impressões sobre a vida das pessoas, a economia do país, o trabalho, a política, o futebol etc. Sentiria de perto as necessidades e o drama vivido diariamente pela população. 

Assim, da mesma forma, sem se esquivar do problema, passaria a cobrar soluções com mais ênfase das autoridades federais e buscaria formas alternativas para melhorar mais rapidamente o transporte urbano, expandindo as linhas do metrô e reduzindo o caos em que se transformou o nosso sistema de transportes, sem esquecer-se, claro, de ampliar os investimentos na educação e na saúde.