Enquanto as atenções de todos estão voltadas para Curitiba (PR), onde nesta quarta-feira (10) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá prestar depoimento ao juiz Sérgio Moro, o governo Temer vai aprovando tudo o que quer em Brasília, incluindo as indigestas e malfadadas reformas trabalhista e da Previdência.

Pode não ter sido combinado e se tratar de mera coincidência, mas que o circo armado em Curitiba, com o protagonismo de Moro e da Lava Jato, está facilitando e muito a vida do governo, isso está.

Os noticiários que há muito priorizam Lula e a Lava Jato nas suas pautas trataram como caso quase corriqueiro e sem maior importância o que se passou em Brasília na noite desta terça-feira (9): com um Congresso completamente bloqueado e isolado para pessoas sem credencial, a Comissão Especial da Câmara rejeitou colocar a reformada Previdência em consulta popular.

E mais: integrada majoritariamente por deputados da base governista, a Comissão rejeitou outras oito propostas de mudança do projeto e encerrou as discussões. Um verdadeiro escândalo.

Devidamente embrulhada pelas excelências o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que muda regras da Previdência, segue agora, praticamente intocável para o plenário da Câmara. Lá, terá que ser aprovado em dois turnos, com pelo menos 308 votos a favor (3/5 dos deputados) em cada votação.

Diante de tudo isso, com os novos capítulos da Lava Jato vindo por aí, com os meios de comunicação lavando as mãos, com um Congresso fisiológico e com a sociedade rachada politicamente, o risco das reformas serem aprovadas sem a devida participação popular é, sem sombra de dúvida, cada vez maior. Uma pena.