Está tudo certo? Ou tem alguma coisa fora da ordem?

Ex-senadora embola a disputa

A comoção nacional provocada pela morte de Eduardo Campos, o espaço que a mídia deu ao desastre e a consequente cobertura exaustiva do velório e do enterro do candidato do PSB são compreensíveis. Mas dão a impressão de que, não fosse a tragédia que se abateu sobre o ex-governador de Pernambuco, ele seria eleito o próximo presidente da República.

Se isso de fato iria acontecer jamais saberemos. O que se sabe é que Campos nunca chegou a empolgar o eleitorado, muito menos liderar as pesquisas de opinião. Ao contrário. Pouco conhecido da maioria dos brasileiros, além de não despontar como favorito ele parecia estacionado na terceira posição, na casa dos 8% da preferência do eleitorado, atrás de Dilma Rousseff (PT), que vem liderando a corrida presidencial, e de Aécio Neves (PSDB), o segundo colocado.

Contudo, com a intervenção do imponderável, a ex-senadora Marina Silva, e vice de Campos até então, surgiu como uma grande novidade e, aparentemente, com muita força política. Já na primeira pesquisa de opinião realizada imediatamente após o desastre e divulgada nesta segunda-feira, Marina conseguiu de uma só vez superar não só o seu ex-companheiro de chapa na preferência do eleitor, como também praticamente dar mostras de que poderá desbancar da segunda colocação o candidato tucano, seu principal adversário no primeiro turno.

Conseguiu esse feito sem nem mesmo ter tido o seu nome homologado oficialmente para encabeçar a chapa socialista e nem ter o nome de seu vice definido. Não é pouca coisa.

E é o que diz o Datafolha, que a coloca com 21% das intenções de voto (quase três vezes o percentual de Eduardo Campos), levemente à frente de Aécio que tem 20%, em situação de empate técnico devido à margem de erro da pesquisa. E o mais surpreendente: num eventual segundo turno Marina bateria inclusive Dilma que sempre liderou as pesquisas. Ela teria 47% e a presidente 43%.

Se isso é obra do acaso, se é resultado do momento de perplexidade e de emoção vivido pelos brasileiros, se Marina está apenas se colocando no patamar correspondente aos votos que obteve em 2010, se está tudo certo ou se tem alguma coisa fora de ordem na política brasileira ainda é cedo para afirmar. Embora estejamos a 48 dias da eleição.