Pesquisa divulgada pelo Ibope no jornal Estado de São Paulo na segunda-feira (26/10) revelou o que a oposição menos gostaria de enxergar no momento: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na frente de todos os seus adversários na disputa para as eleições de 2018.

Ou seja: apesar de toda a campanha promovida por seus opositores para desconstruir a sua imagem, desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff e riscar o PT do mapa, Lula aparece liderando a sondagem com 23% da preferência dos eleitores.

Atrás dele estão outros nomes testados pelo Ibope, como Aécio Neves (PSDB), com 15%, e Marina Silva (Rede), com 11%.

O instituto perguntou ainda aos entrevistados sobre os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, que atingiram 8% e 7%, respectivamente, e o ex-ministro Ciro Gomes(PDT), que obteve 4% das intenções.

No item rejeição, a mesma pesquisa apontou crescimento do índice para Lula. Seria um tento e um alento para a oposição. Mas a questão é que os demais nomes analisados também cresceram negativamente.

O ex-presidente puxou a fila com a maior taxa: 55%. Os tucanos Serra, Alckmin e Aécio apareceram com índices de 54%, 52% e 47%, respectivamente. Já Marina, registrou 50% nesse quesito, e Ciro 52%.

Cenário incerto

Ainda faltam 36 meses para o pleito e muita água para passar debaixo da ponte. Há ainda investigações importantes em curso, como as da Lava Jato e a Zelotes, promovidas pela Polícia Federal (PF), e outros nomes de candidatos poderão surgir. Portanto, não há nada definido.

Assim, se o quadro atual parece difícil para o governo, que vai se debatendo com a crise política, econômica e com as surpresas apresentadas semanalmente pela PF, ele também é incerto e não menos complicado para a oposição, que tem se comportado como barata tonta desde que perdeu a eleição em 2014.

Exemplo de incerteza: basta a PF distribuir um pouco melhor o foco das investigações para que elas acertem também atores do seu campo político.

Por isso, a oposição considera três anos um tempo longo demais e que não dá para esperar até 2018.

O fato de estar fora do governo (pela vontade das urnas) há mais de 13 anos, a desorienta, põe em risco seu projeto político e explica a sua ansiedade.

E para aplaca-la, vale tudo: apostar no quanto pior melhor, no esgarçamento do tecido político, na implosão da economia e até no impeachment da presidente. Tudo para antecipar o processo eleitoral e criar um clima que, supostamente, lhe seja favorável.

O governo por sua vez, não sabe ainda como sair da armadilha na qual se meteu, levado pelos próprios erros e pela esperteza de seus contrários.

Tem tempo de sobra para se desvencilhar dessa enrascada toda e reequilibrar o jogo. Mas, para isso, tem que começar a governar logo.

De todo jeito, lamentavelmente, o que fica claro é que para essa turma, da oposição, sobretudo, não importa se o país e os brasileiros percam com a disputa fora de hora pelo poder.

O importante, para eles, infelizmente, é chegar lá.